Neymar prometeu homenagem a Bolsonaro em caso de gol; entenda o que pode acontecer

Durante uma live, ainda em campanha pelo apoio à reeleição de Jair Bolsonaro (PL), Neymar prometeu festejar seu primeiro gol na Copa do Mundo do Catar fazendo uma homenagem ao presidente. Mas, o gesto é proibido pelas normas da Fifa para o Mundial. Há proibição de manifestação política com exceção de defesa de direitos humanos.

Neymar falou que faria o símbolo 22, em alusão ao número do então candidato à Presidência da República.

Segundo o advogado Eduardo Carlezzo, especialista em direito esportivo, qualquer atleta que, durante uma partida da Copa do Mundo, expresse-se de forma a associar-se a um governo ou grupo político se arrisca a levar uma punição disciplinar.

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O artigo 33 do regulamento da Copa, em seu parágrafo 3º afirma: "A exibição de mensagem política, religiosa ou pessoa ou slogans de qualquer natureza ou linguagem ou forma por jogadores e oficiais (árbitros e técnicos) é proibido. A regra do futebol, em seu artigo 4º, também tem veto a mensagens políticas religiosas ou pessoais.

Essa exceção para a defesa de Direitos Humanos vale para manifestações como as previstas contra a homofobia, prometidas por capitães de times europeus. Elas acabaram não acontecendo, uma vez que, na véspera, a Fifa ameaçou os capitães com cartão amarelo.

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As punições previstas no possível processo disciplinar vão de multa a suspensão, o que nesse caso é bem menos provável. Se fosse um protesto a Bolsonaro ou apoio a Lula, Neymar estaria passível da mesma punição.

Na Copa do Mundo, na Rússia, em 2018, os jogadores Xhaka e Shaquiri, da Suíça, fizeram o símbolo da águia em alusão à bandeira da Albânia em jogo contra a Sérvia. De origem albanesa, os dois respondiam a provocação do sérvio Mitrovic. Existe um conflito entre a Sérvia e Albânia. A Fifa puniu os dois jogadores suíços com multas de 10 mil euros.