Todo negro da favela é visto como bandido pela polícia, diz mãe de jovem morto no Rio de Janeiro

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Rodrigo Cerqueira foi morto durante uma operação policial no Morro da Providência, Região Central do Rio - Foto: Reprodução/Twitter
Rodrigo Cerqueira foi morto durante uma operação policial no Morro da Providência, Região Central do Rio - Foto: Reprodução/Twitter

Transtornada, acompanhada por duas amigas no Instituto Médico-Legal (IML) para liberar o corpo do filho, Rodrigo Cerqueira, de 19 anos, Verônica Maria não resistiu e, em prantos, desabafou em entrevista ao "RJTV", da TV Globo:

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– Meu filho era querido. É só perguntar para os professores da escola onde ele estudava. Meu filho nunca parou numa delegacia. É porque eles (policiais) entram no morro e acham que todo negro tem envolvimento com alguma coisa. Eles forjam os negros, eles forjam. No morro todo mundo é bandido para eles. Ele era meu amigo, uma pessoa carinhosa, querida, tudo de bom – lamentou a mãe, enquanto aguardava a liberação do corpo do filho para sepultá-lo no Cemitério do Caju, em hora ainda não determinada.

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Um dos professores do pré-vestibular Machado de Assis, da Providência, onde Rodrigo estudava, referendou as palavras da mãe:

– Era sempre um dos primeiros a chegar na sala. Ele chegava cedo. Ele tinha uma dificuldade de visão, usava uns óculos com as lentes grossas, tinha muita dificuldade para enxergar e, por isso, ele sentava sempre na primeira fileira para poder copiar a matéria– contou um dos professores.

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– Rodrigo era um garoto muito legal, muito calmo. Ele era um estudante e um trabalhador. Trabalhava em vários lugares e dentro da escola ele era um menino muito dedicado. Eles foram entregar cestas básicas para os nossos alunos que estão passando fome, necessidade. Foram fazer uma ação que o estado poderia fazer. E o que que o Estado faz? O estado vai lá e derrama sangue. Com toucas pretas derramam corpos pretos no chão próximo à escola – criticou outro professor.

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***Por Gustavo Goulart, do Extra

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