Retorno aos Aflitos, fim do jejum no estadual e inédito título nacional: o que vem pela frente para o Náutico?

Yahoo Esportes
(Foto: Léo Lemos/CNC)
(Foto: Léo Lemos/CNC)


Por Eryck Gomes (@EryckWaydson)

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

A lanterna da Série B em 2017 simbolizara para o Náutico muito mais que uma posição na tabela de classificação. Problemas financeiros, com meses de salários atrasados, alta rotatividade no comando técnico e torcedor longe da verdadeira casa. O céu Alvirrubro era deveras enevoado. Todavia, a mudança de gestão para o biênio 2018/2019 fez o sol raiar outra vez. Retorno aos Aflitos, fim de um jejum de 14 anos no estadual e uma inédita conquista nacional - além de vencimentos pagos religiosamente em dia. O Timbu voltou a respirar. Mas o que vem agora?

SIGA O YAHOO ESPORTES NO INSTAGRAM

Para responder tal questão, a reportagem do Yahoo Esportes bateu um papo com Diógenes Braga, vice-presidente de futebol do Alvirrubro. A palavra mais frisada durante toda a conversa foi “responsabilidade”. Outros pontos abordados foram: pressão maior para repetir últimos resultados, perfil das futuras contratações, manutenção do rigor no cumprimento do orçamento, intensidade da temporada 2019 e o que o torcedor pode esperar de 2020.

Leia também:


Após conquistas consideráveis em 2018 e 2019, qual a próxima grande meta do Náutico?

"A grande meta é consolidar uma política de responsabilidade dentro do clube. Tudo que está acontecendo, a volta aos Aflitos e as conquistas no campo, vem muito da responsabilidade com a gestão. Passa pelo compromisso com o orçamento, dentro da realidade. Não é fazer uma gestão apenas para a atual, de dois anos, e sim uma gestão para a instituição. Para que ele fique a cada ano melhor. O primeiro desafio foi mostrar que valia a pena ser responsável. O de agora passa a ser consolidar uma política de responsabilidade dentro do clube."

Hoje, qual o cenário financeiro do clube?

"Continuamos numa situação financeira bastante difícil. Mas, evidentemente, há um incremento importante, além de um calendário cheio, quando você vai para a Série B. Por exemplo, vamos agora para 60 dias sem jogos, então é muito difícil captar recursos durante esse período para conseguir cumprir com os compromissos. O calendário cheio realmente melhora, mas não é uma situação que resolva a vida do clube. A gente passa a ter uma condição melhor de fluxo de caixa, mas continuamos tendo muitas dificuldades com dívidas trabalhistas, penhoras, com toda natureza de problemas financeiros que ocorreram justamente pelo não cuidado com a responsabilidade financeira do clube. É preciso ter os pés no chão porque se, de repente, deslumbrar, a gente se atrapalha e acaba cometendo erros que ocorreram outrora."

Após feitos importantes, a percepção de pressão sobre a diretoria agora é maior?

"Todo bônus tem um ônus e todo ônus tem um bônus. É muito bom conseguir ter uma gestão exitosa, mas aí passa a ter um nível de cobrança maior. Exatamente aí onde é necessário você propagar de forma clara a intenção de manter a responsabilidade com o clube para não se criar expectativas de se montar supertimes, estourar a folha salarial e voltar aos problemas de antes.

Acreditamos que haverá um nível de exigência maior, mas pretendemos comunicar de forma muito clara que vamos fazer uma gestão de consolidação da responsabilidade do clube. Claro, buscando as conquistas, tendo a ambição, mas sem perder o cuidado de não dar um passo maior que as pernas."

Qual o perfil de jogador pensado para a temporada 2020?

"Temos um desenho muito claro (das contratações), o tempo inteiro conversamos sobre isso. A nossa ideia é manter boa parte do atual plantel como base para o ano que vem e incrementar atletas não só pela questão da qualidade. A gente ascende a uma divisão superior, então é essencial melhorar a qualidade e o número de jogadores. A Série C é um campeonato de apenas um jogo por semana, e na Série B são dois. É preciso um elenco mais robusto porque há muita perda por contusões e com suspensões por cartão. É necessário que tenhamos o cuidado de ter um grupo mais cheio.

As contratações passarão por critérios técnicos e dentro de uma avaliação financeira de viabilidade. A contratação para dar resposta ao torcedor, ou para acalmar um momento, não vai acontecer. Entendemos que esse tipo de aquisição onera o clube e a possibilidade de dar certo dentro de campo é bastante pequena."

Como você explicaria o 2019 do Náutico?

"Essa temporada foi o tempo inteiro no fio da navalha. A intensidade foi muito alta. Iniciou com uma expectativa grande em relação ao time, pela manutenção da base do ano anterior, que tínhamos terminado bem, embora o acesso não tenha vindo. Oscilamos no início, não começamos bem. Havia uma expectativa positiva e um nível de crítica muito alto. Depois, entramos numa invencibilidade de 18 jogos. Era céu de brigadeiro. Logo depois, vem a perda do campeonato pernambucano e desclassificação da Copa do Nordeste. Exatamente pela expectativa criada pela torcida, foi recebida de forma bastante contundente e ninguém naquele momento percebeu que na verdade estávamos terminando na terceira colocação. Simplesmente enxergaram como uma derrota por ter sido eliminado numa semifinal, quando ao nosso ver foi um resultado honroso, embora quiséssemos ser campeões. Depois passou um tempo até críticas estabilizarem.

Houve a troca de comando e, com a chegada do novo comandante, uma fase de adaptação. Estilo, modelo de jogo… demorou um pouco para encaixar. Mas depois encaixou e seguiu, com a torcida abraçando de uma forma impressionante. Foi uma temporada muito intensa, onde a gente entende que aconteceu pelo nível de ansiedade para sair da Série C. Na verdade, acho que exatamente por esse nível de intensidade não tenha ficado nada que as pessoas não tenham percebido. Acho que foi o contrário. Tudo acabou tenho uma dimensão maior. A crítica foi numa dose muito alta, e o apoio também."

O que o torcedor pode esperar daqui para a frente?

"Responsabilidade e ambição. Temos sido repetitivos com relação a isso. Fazer apenas o que pode, mas também a ambição de saber que mesmo não fazendo tudo que gostaríamos, podemos conseguir os seus objetivos. E acredito que torcida esteja consciente. Ela está numa expectativa alta, mas temos falado bastante que as conquistas são consequência de um bom trabalho. O que ela pode esperar é uma gestão bem-feita, com responsabilidade, pés no chão e uma consciência muito grande de que o alicerce é que faz com que os triunfos aconteçam."

Siga o Yahoo Esportes

Twitter | Flipboard | Facebook | Spotify | iTunes | Playerhunter

Leia também