NASCAR: Wallace apresenta pintura especial do movimento "Black Lives Matter" e defende fim da bandeira confederada em provas

Jim Utter
motorsport.com

Desde o início dos protestos contra a morte de George Floyd e pelo fim do racismo, dois nomes do mundo do automobilismo têm se destacado nessa luta: Lewis Hamilton na Fórmula 1 e Bubba Wallace na NASCAR. Ambos têm usados suas plataformas para falar sobre o assunto e Wallace inclusive está levando o assunto para as corridas da Cup Series, onde ele é o único piloto negro do grid.

Na prova desta quarta-feira da Cup em Martinsville, Wallace terá uma pintura especial em seu carro homenageando o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), continuando sua campanha contra a desigualdade racial.

Darrell Wallace Jr., Richard Petty Motorsports, Chevrolet Camaro

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Darrell Wallace Jr., Richard Petty Motorsports, Chevrolet Camaro <span class="copyright">NASCAR Media</span>
Darrell Wallace Jr., Richard Petty Motorsports, Chevrolet Camaro NASCAR Media

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"Eles me apresentaram a ideia e eu aprovei na hora. Por que não ir direto à raiz do assunto e colocar o Black Lives Matter no carro? Uma das hashtags mais poderosas dos últimos meses. É verdade, vidas negras importam. Queremos ser tratados com igualdade e não sermos julgados pela cor da nossa pele".

"Queremos ser parte dessa nação, todos unidos. Ao correr com esse carro, criamos mais conscientização sobre isso".

No domingo, Wallace usou uma camiseta antes do início da prova com os dizeres "vidas negras importam" e "eu não consigo respirar", em referência à fala de Floyd momentos antes de morrer.

"Se eu tivesse visto, teria me ajoelhado"

Na segunda-feira, Wallace foi entrevistado pelo jornalista da CNN Don Lemon em seu programa no canal para falar sobre a posição da NASCAR contra o racismo e seu momento de silêncio em Atlanta no domingo.

"Para mim, o próximo passo ideal seria nos livrarmos das bandeiras dos estados confederados", disse. "Ninguém deveria se sentir desconfortável em uma corrida da NASCAR. Então deveríamos começar com as bandeiras confederadas. Tirem elas daqui. Esse não é o lugar delas".

"Antes, eu não me incomodava com isso, mas eu não falo por todos, falo por mim. Enquanto eu fui aprendendo mais sobre o assunto, via que as pessoas se sentiam desconfortáveis com isso. É a primeira coisa que eles dizem. Tem muitas pessoas cheias de raiva que ostentam essa bandeira com orgulho, mas é hora de mudar".

O piloto não está enfrentando essa luta sozinho. Há cinco anos, o circuito de Daytona ofereceu uma troca de bandeira aos fãs que apareciam com a imagem confederada. Na NASCAR, a bandeira não é mais permitida dentro do paddock, desde pinturas dos carros, folhetos e mais. Porém, os fãs ainda podem continuar a levar a bandeira nas corridas.

Outros, como Ryan Blaney, Brad Keselowski e Dale Earnhardt Jr. também já afirmaram ser contra a presença da bandeira nos eventos.

"Eu saúdo apenas uma bandeira, que é a dos Estados Unidos", disse Keselowski. "Eu reconheço que essa bandeira pode significar outras coisas para algumas pessoas, mas não significa Estados Unidos para mim".

Já Dale Jr. disse em 2015 que a bandeira era "ofensiva para todo um povo", após o tiroteiro em uma igreja em Charleston, na Carolina do Sul, onde nove negros foram mortos por um supremacista branco. 

Darrell Wallace Jr., Richard Petty Motorsports, Chevrolet Camaro

Darrell Wallace Jr., Richard Petty Motorsports, Chevrolet Camaro <span class="copyright">NASCAR Media</span>
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Outro assunto abordado por Wallace no programa foi Kirk Price, um funcionário da NASCAR e veterano do exército americano que se ajoelhou na hora do hino nacional.

Desde a ação de Colin Kaepernick na NFL em 2016, nenhum piloto chegou a ajoelhar durante o hino americano, mas Wallace disse a Lemon que se tivesse visto Price ajoelhado, teria feito o mesmo.

"Se eu tivesse visto isso, eu teria me colocado ao lado dele e me ajoelhado, porque é um movimento poderoso", disse. "É um homem incrível que serviu ao nosso país e que estava ajoelhado. As pessoas acham que é um desrespeito à bandeira e que vai contra ao nosso exército. Definitivamente não é isso".

"Eu não tinha conhecimento suficiente sobre o que isso significava quando começou, mas agora, lendo sobre isso... Eu ainda tenho muito que aprender. Não sei sobre tudo que está acontecendo no mundo, mas precisamos ouvir e aprender para nos educarmos melhor".

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