Nas ruas da Copa do Catar, árabes dominam e latinos fazem a festa

Torcida árabe domina as ruas do Catar (Foto: Tiago Leme)
Torcida árabe domina as ruas do Catar (Foto: Tiago Leme)

A Copa do Mundo do Catar é a primeira realizada em um país do Oriente Médio e de religião islâmica. Por conta disso, há um ambiente inédito na história do torneio, mas também algumas características repetidas da última edição.

Para quem anda pelas ruas do país, é nítido perceber que os torcedores de países árabes são maioria nas ruas e estádios pela primeira vez no Mundial. O que não muda é animação dos sulamericanos que, assim como na Copa de 2018, dominam a festa.

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“A Copa do Mundo no Catar é importante não só para o país, mas também para todo o mundo árabe. É uma oportunidade única até agora para todos da região poderem acompanhar o futebol de perto, poder ver grandes equipes, jogadores e estrelas que nunca tínhamos visto antes no estádio”, afirmou o saudita Omar Al Madini.

Países muçulmanos dominam

Além de muitos torcedores da Arábia Saudita, país vizinho ao Catar, também há muita gente do Norte da África, como Marrocos e Tunísia. Mas também marcam presença em grande número fãs de países que nem se classificaram para a Copa, como Egito, Argélia, Líbano e Síria, que também são da região, de maioria muçulmana. Muitos moram em Doha, enquanto outro viajaram apenas para o evento, usando camisas e bandeiras dos seus países, mas também observa-se muitas da Palestina. Existe uma união e sentimento de apoio entre esses povos.

Outras nacionalidades bastante numerosas no país da Copa de 2022 são indianos, bengalis, paquistaneses, nepaleses e filipinos. A maioria mora no Catar — mais da metade da população é estrangeira — e forma a classe trabalhador. Eles também vestem a camisa e reforçam a torcida de outras seleções, principalmente Brasil e Argentina.

Soy loco por ti, América

A quantidade de torcedores da América Latina no Catar também chama a atenção. Brasileiros, argentinos e mexicanos estão por todos os lados e são barulhentos, fazendo uma bonita festa por onde passam. Também há muitos equatorianos, costarriquenhos e alguns uruguaios. Os latino-americanos já tinham sido maioria em 2018, na Rússia, e em 2014, no Brasil, ano em que a distância geográfica explicava.

Torcedores da América Latina, especialmente brasileiros e argentinos, são os mais festivos (Foto: Tiago Leme)
Torcedores da América Latina, especialmente brasileiros e argentinos, são os mais festivos (Foto: Tiago Leme)

“Onde tem futebol e festa, tem brasileiro. Os latinos em geral gostam disso, levam alegria e diversão por onde passam. Apesar de ser uma Copa cara, de alto custo e com algumas restrições, como a venda de cerveja só em determinados lugares e horários, a gente sempre dá um jeito de curtir”, disse o paulista Ricardo Leite.

O ponto de encontro de torcedores em Doha

O Souq Waqif, tradicional mercado árabe no centro de Doha, é o principal ponto de reunião de torcedores fora dos estádios. Nesta área da capital do Catar, é proibida a venda e consumo de bebidas alcoólicas, então a opção para quem quer se divertir bebendo álcool são os bares de hotéis internacionais, festivais de música e a Fan Fest da Fifa.

Torcida europeia decepciona

Entre a torcida da Europa, os ingleses que aparecem com mais destaque, mas nada comparado à festa e à presença de outras competições. Em número menor, estão espanhóis, franceses, suíços, portugueses, holandeses, alemães, dinamarqueses… sempre muito discretos, às vezes até em silêncio.

“A Copa no Catar não é um evento atrativo para nós alemães e para a maioria dos europeus. Não estamos de acordo com algumas posturas do governo do país, que limita os direitos das mulheres, da comunidade LGBT e viola os direitos humanos com trabalhadores imigrantes. Além disso, proibir a venda de cerveja nos estádios apenas dois dias antes do início da Copa não é aceitável”, explicou o alemão Klaus Braun.

Ainda não foram divulgados números oficiais sobre o número de turistas estrangeiros e nem as nacionalidades que viajaram para o Catar durante esta Copa do Mundo. Anteriormente, as autoridades estimavam que mais de 1 milhão de pessoas entrariam no país só durante a primeira fase do Mundial, mais de um terço da população total do Catar, que é de 2,8 milhões de habitantes.