Napoli bate a Juventus: campeão da Copa Itália com roteiro de cinema

Goal.com

Maurizio Sarri treinou o Napoli, seu clube de infância, por três temporadas e encantou torcida e críticos com um futebol bem jogado. Mas quando decidiu trocar o Chelsea, clube em que trabalhou entre 2018-19, para aceitar a oferta da Juventus o dono da equipe azul do sul italiano não teve dúvidas para lhe colocar o rótulo de traidor.

Aurelio De Laurentiis foi quem fez o ataque a Sarri. O dono do Napoli, que também é um conhecido produtor de cinema, talvez não conseguisse escrever um roteiro tão único para o título de Copa Itália que sua equipe conquistou, nos pênaltis, sobre a poderosa Juventus após empate sem gols no tempo regulamentar - em duelo transmitido com exclusividade pelo DAZN. Por ter sido contra o time de Sarri, óbvio, mas por outras tantas razões.

Emoção especial para Gattuso

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Gattuso Napoli Juventus
Gattuso Napoli Juventus
(Foto: Getty Images)

A começar pela pandemia do novo coronavírus, que dentre milhares de infectados e mortos na Itália fez com que as disputas esportivas fossem paralisadas. Antes de o futebol retornar, um dos tantos italianos a ter chorado a perda de alguém próximo foi Gennaro Gattuso.

O treinador do Napoli, cuja trajetória no clube começou em dezembro de 2019 com turbulência e derrotas antes de conseguir ajeitar o time ao caminho certo, perdeu sua irmã, de 37 anos, para a Covid-19. Após a conquista de seu primeiro título como treinador, o ex-jogador dedicou a taça exatamente para ela e sua família.

“Quero agradecer ao mundo do futebol e a todos aqueles que estiveram perto de mim e da minha família. Foi difícil. Dedico esta vitória aos meus pais e à minha irmã, éramos muito próximos. E agradeço aos rapazes pelo que me deram hoje”, disse Gennaro.

A saga dos goleiros em noite mágica de Buffon       

Alex Meret Napoli
Alex Meret Napoli
(Foto: Getty Images)

O título da edição 2019-20 da Copa Itália teve como grande protagonista o goleiro Meret, que defendeu o pênalti cobrado por Dybala nas cobranças alternadas. O italiano de apenas 23 anos, contudo, só foi titular porque David Ospina, protagonista na semifinal vencida sobre a Inter de Milão, estava suspenso por ter recebido um cartão amarelo. Se Meret não estivesse sob as traves, Ospina defenderia a cobrança do argentino? Nunca saberemos. Fica a dúvida a pairar.

A certeza é que o melhor em campo, apesar da derrota juventina, foi Gianluigi Buffon. O goleiro de 42 anos fez sete defesas e pelo menos três delas tiveram altíssimo grau de dificuldade – especialmente a defesaça feita no último minuto, à queima roupa na pequena área, que acabou por dar vida extra aos Bianconeri. Tamanha foi a exibição do veterano, que o jovem Meret não conseguiu deixar de citar o seu ídolo.

“[Buffon] Ainda é o número um, ele demonstrou isso hoje nesta partida, as bolas que ele salvou. Para mim é um orgulho jogar uma partida como essa contra alguém que ainda é meu ídolo. Estou muito emocionado por isso”, afirmou o goleiro do Napoli após a vitória.

O componente mais óbvio neste roteiro que o cineasta napolitano De Laurentiis não deixaria de colocar seria a vingança. Um pouco pela já citada presença de Sarri, mas quase tudo por conta das derrotas recentes para o time do norte – contra quem foi vice-campeão em três das últimas quatro temporadas da Serie A.

E Cristiano Ronaldo? Pouco fez e não chegou nem a bater o pênalti.

Uma taça histórica para o Napoli porque qualquer vitória sobre a Juventus lhe dá sabor especial. Histórica também para todo o futebol italiano por ter sido o primeiro título após a paralização causada pela pandemia da Covid-19.

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