Naomi Osaka cita ansiedade e depressão ao desistir de Roland Garros

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A tenista Naomi Osaka, 23, anunciou nesta segunda-feira (31) sua desistência do torneio de Roland Garros.

A decisão foi tomada um dia após ela receber uma multa de US$ 15 mil (R$ 78 mil) da organização por não comparecer a uma entrevista coletiva após vencer o jogo de estreia contra a romena Patricia Maria Tig.

Na semana passada, a japonesa já havia anunciado que não concederia entrevistas ao longo do Slam francês. Para ela, vencedora de quatro títulos de Grand Slam e atleta mais bem paga do mundo atualmente, a obrigatoriedade de comparecer a esses compromissos e o comportamento de alguns jornalistas minam a saúde mental dos atletas.

"Frequentemente, sentamos lá e recebemos perguntas que já foram feitas várias vezes antes ou perguntas que trazem dúvidas em nossas mentes, e eu não vou me sujeitar a pessoas que duvidem de mim", escreveu nas suas redes sociais.

Na mensagem desta segunda, ela disse que sua personalidade introvertida prejudica sua experiência de contato com a mídia e que não se sente bem ao dar entrevistas. "Aqui em Paris eu já estava vulnerável e ansiosa, então pensei que seria melhor ter autocuidado e pular as entrevistas coletivas. Eu anunciei isso previamente porque eu sinto que as regras são em parte ultrapassadas e quis destacar isso."

Ela reconhece que o momento não foi o ideal e que a mensagem inicial poderia ter sido mais clara. "Agora a melhor coisa para o torneio, para os outros jogadores e para o meu bem-estar é me retirar para que todos possam se concentrar no tênis."

Ela disse ainda que não banalizaria o termo "saúde mental" e que sofre com crises de depressão desde a final do US Open de 2018, quando venceu Serena Williams num jogo em que chegou a ser vaiada pela torcida americana por conta de um desentendimento entre Serena e o árbitro da partida.

"Qualquer pessoa que me conhece sabe que sou introvertida, e qualquer uma que me veja nos torneios nota que costumo usar fones de ouvido, porque isso ajuda a diminuir minha ansiedade social", afirmou, se desculpando com o torneio e os jornalistas que possa ter magoado.

Além da imposição do pagamento da multa, a organização de Roland Garros afirmara em um comunicado conjunto com os outros torneios do Grand Slam que uma eventual nova violação poderia levar a sanções mais duras, por exemplo a exclusão dela do torneio e até mesmo a sua suspensão de outros dos eventos mais prestigiados do esporte.

De acordo com os responsáveis por esses campeonatos, após o anúncio do boicote, a atleta foi procurada para que eles pudessem entender suas demandas e o que poderia ser feito a partir delas, mas não deu um retorno.

"Após a falta de engajamento de Naomi Osaka, o Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e o US Open escreveram em conjunto para ela para verificar seu bem-estar e oferecer apoio, destacando seu compromisso com o bem-estar de todos os atletas e sugerindo diálogo sobre as questões. Ela também foi lembrada de suas obrigações, as consequências de não cumpri-las e que as regras devem ser aplicadas igualmente a todos os jogadores", escreveram os representantes dos quatro Slams no domingo.

No seu comunicado, Osaka diz que ficará feliz em conversar com eles depois da realização de Roland Garros para ajudar a encontrar soluções para atletas, imprensa e fãs. Ela, aguardada como uma das maiores estrelas dos Jogos Olímpicos de Tóquio, também afirma que pretende dar um tempo das competições antes de retornar às quadras.

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