'Não se assustem se alguém pedir o AI-5', diz Paulo Guedes

Possibilidade dos pedidos de AI-5, segundo Guedes, não seria encarada com estranheza. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Possibilidade dos pedidos de AI-5, segundo Guedes, não seria encarada com estranheza. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou em Washington na segunda-feira que é inconcebível a ideia de um novo AI-5 no Brasil, mas ao mesmo tempo disse que as pessoas não devem se assustar com a ideia de alguém pedi-lo diante da radicalização de possíveis protestos.

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"Sejam responsáveis, pratiquem a democracia. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo para quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem se alguém então pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente?", disse ele a jornalistas.

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"Levando o povo para a rua para quebrar tudo. Isso é estúpido, é burro, não está à altura da nossa tradição democrática", completou.

No final de outubro, Eduardo Bolsonaro, sugeriu em entrevista que o governo comandado pelo seu pai, Jair Bolsonaro, poderia lançar mão do mais duro instrumento legal de repressão da ditadura militar brasileira, o AI-5, caso a esquerda radicalize em sua atuação no país.

A fala do deputado foi rechaçada até entre integrantes de partidos da direita brasileira. 

Na abertura do 7º Congresso Nacional do PT, principal partido de esquerda do Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou no último final de semana que o pior inimigo do Brasil é a desigualdade, defendeu que a polarização política não significa extremismo e o papel do PT no cenário atual.

Questionado sobre convulsões políticas na América Latina e sobre declarações de Lula, Guedes repetiu que não lhe cabe discutir política, e nem fazer comentários sobre o petista. "Para que vamos prestigiar vozes de discórdia?"

Mas ao ser novamente questionado sobre o AI-5, Guedes se irritou e bradou: "É inconcebível, a democracia brasileira jamais admitiria, mesmo que a esquerda pegue as armas e quebre a força o Palácio do Planalto, é inconcebível."

"Assim que ele (Lula) chamou para confusão veio logo o outro lado e falou o seguinte, é 'sai para a rua', vamos botar um excludente de ilicitude, vamos botar o AI-5, vamos fazer isso, vamos fazer aquilo. Que coisa boa, né? Que clima bom", completou.

Em liberdade após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar a prisão de condenados em segunda instância, depois de ficar preso 580 dias pela condenação no processo do tríplex do Guarujá (SP), Lula já havia feito discursos que, para críticos, alimentaram ainda mais a polarização política do Brasil neste momento.

da Reuters

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