Na preparação para as Olimpíadas, remador Lucas Verthein faz jornada tripla em loja e entregando ‘quentinhas’ da mãe

·5 minuto de leitura
Lucas Verthein e Uncas Tales. (Foto: Divulgação/COB)
Lucas Verthein e Uncas Tales. (Foto: Divulgação/COB)

Representante do Brasil no remo, nas Olimpíadas de Tóquio, Lucas Verthein mantém uma rotina intensa e desafiadora, enquanto se prepara para a competição. Como parte dos investimentos no esporte foi afetado, por conta da Covid-19, o atleta precisa "se virar nos 30", em uma jornada tripla.

Além de treinar para Tóquio, ele trabalha em uma loja de assistência técnica de telefones, com um amigo, e ajuda a entregar comidas preparadas pela sua mãe, para clientes. Nada que assuste o remador, que não vê prejuízos em sua preparação. Ele prefere exaltar o seu poder de superação e adaptação.

Leia também:

- A pandemia foi e ainda está sendo uma questão mundial. Todo mundo está passando por desafios e tendo que aprender a lidar com eles. O esporte tem esse lado de adaptação e superação em qualquer circunstância. Então, acredito que os atletas, no geral, estão bem preparados para enfrentar momentos complicados e sair deles fortalecidos. Adaptei me bem. Não posso dizer que senti prejuízos.

O atleta da seleção brasileira de remo, que participará do single skiff, lembra do período sem treinos, no início da pandemia, quando chegou a ficar cerca de 5 meses sem sair de casa.

- No começo foi um pouco complicado. No período de quarentena, acho que permaneci uns cinco meses dentro de casa. Para quem treina ao ar livre, foi um desafio. Porém, flexibilizando os treinos, me adequando à nova realidade, o novo normal e mantendo o foco, acabei até lidando bastante bem. Quando voltei a treinar na água, percebi que nem tinha me afetado tanto, nem física, nem mentalmente. O que eu queria mesmo era voltar para o meu barco, para a Lagoa e essa paisagem maravilhosa que há no Rio de Janeiro. Só pensava na vaga olímpica. A adaptação com uso de máscaras e higienização constante já tinha virado rotina. Então, não teve muito impacto. O importante era chegar bem no Pré-Olímpico. O foco estava ali o tempo todo. Era o meu sonho e não dava para pensar em outra coisa.

Mesmo com o adiamento, em um ano das Olimpíadas, ele acredita que o nível técnico da competição não terá prejuízos. Lucas prefere dizer que os atletas tiveram mais tempo de preparação.

- Todos os atletas, geralmente, têm um ciclo olímpico de quatro anos para se preparar. Neste caso, olhando pelo lado bom, todos os atletas tiveram um tempo a mais para se prepararem. Acredito que o nível vai ser altíssimo porque todo mundo vai estar altamente motivado, porque estes Jogos vão deixar um marco histórico. No futuro todo mundo vai falar que os Jogos Olímpicos de Tóquio representaram a luta e a superação da crise da pandemia.

Confira outros trechos da entrevista:

Algum medo de disputar a competição em outro país, podendo não estar vacinado?

- Não tenho medo. Tenho a certeza de que será um evento muito bem estruturado, com procedimentos rígidos e bem planejados. Estou acostumado aos protocolos sanitários e às medidas restritivas, não haverá nada surpreendente. O Pré-Olímpico Continental, aqui no Rio, foi um evento teste para os protocolos de Tóquio e tudo funcionou bem. Foi um ótimo evento. Em se tratando dos Jogos Olímpicos, tudo vai ser feito para evitar a disseminação do vírus. Essa Olimpíada vai entrar para a história.

Qual é a sua meta para as olimpíadas?

- Minha meta é sempre estar melhorando. Meus tempos, meus resultados, tudo o que faço. Penso sempre em evolução. Quando conquistei a vaga olímpica, soube que era a validação do meu esforço, todo o trabalho que tinha acontecido para eu chegar até aquele momento. Para tudo tem uma construção. Para os Jogos Olímpicos, quero superar alguns resultados, melhorar tanto na água como no ergômetro, para também subir no ranking e realizar os meus sonhos. Vou muito motivado e com o objetivo de levar o Brasil ao lugar mais alto que eu puder. Isso sempre. Quando alguém estiver torcendo pelo Brasil nos Jogos Olímpicos, eu como todos os atletas brasileiros vão dar tudo de si mesmos, para corresponder a essa torcida. Meu sonho é ser o Lucas do Brasil, como outros grandes ídolos do esporte deste país.

Como é defender o Brasil em uma competição tão grandiosa?

- Não tenho palavras para dizer o que é estar vestindo a camisa do Brasil. Estar representando 210 milhões de pessoas. Na hora de competir, ali quando estou alinhando no pontão de largada, eu penso nas pessoas que vivem nesse país. Nessa hora de concentração, sinto que carrego todo mundo comigo. No Pré-Olímpico, quando ouvi: "Vai, Lucas! Vai, Brasil!", foi sim um gás a mais. Agora, então, na maior competição do mundo, que são os Jogos Olímpicos, é um orgulho e uma responsabilidade enorme.

Como você vê a evolução do remo brasileiro, que tem em você o grande nome e que no passado já teve uma grande atleta como a Fabiana Beltrame?

- Cada atleta que passa deixa seu legado, suas grandes contribuições ao seu esporte. Aconteceu com a Fabiana, com os irmãos Carvalho e vários outros que deixaram marcas no remo brasileiro. O nosso esporte precisa ser visto, para que as pessoas conheçam os benefícios que o remo oferece tanto para a saúde física, quanto mental. Quanto mais pessoas remando, melhores resultados o Brasil vai ter. Acho que a minha contribuição só está começando. Sou muito jovem, tenho muito a fazer ainda. Quero melhorar em tudo, dar resultados e ajudar o remo brasileiro a ganhar destaque.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos