Na Ponte, Cassini revê Corinthians e acredita que ajudou base a ter espaço

Bruno Cassucci

O Corinthians vai a campo contra a Ponte Preta, neste domingo, às 16h, com diversos jovens revelados nas categorias de base. Guilherme Arana, Pedro Henrique, Léo Jabá e vários outros. A lista poderia ter também Matheus Cassini, de 21 anos, mas ele estará do outro lado. Pela primeira vez, o meia enfrenta o clube no qual despontou, porém nunca jogou profissionalmente.

Embora tenha deixado o Timão em maio de 2015, Cassini acredita que tem participação indireta no atual bom momento da equipe. Afinal, a polêmica em torno da venda dele ao Palermo, da Itália, contribuiu para dar mais espaço a diversas crias do "terrão" do Corinthians.

- A minha saída repercutiu muito, o torcedor ficou chateado, muitas pessoas foram contra. Eles (dirigentes do clube) falarem: "Calma aí, vamos olhar a base". Deram um passinho nesse sentido. Em todas as Copas São Paulo dos últimos anos o Corinthians fez um papel bom, mas poucos atletas foram promovidos. Depois da minha saída eles pararam para pensar e viram que tinham que usar a base - disse Cassini, ao LANCE!.

De fato, depois da negociação de Cassini a diretoria alvinegra foi pressionada e passou a se preocupar ainda mais em integrar as joias da base ao elenco profissional. O processo era conduzido inicialmente pelo coordenador Alessandro Nunes, que ano passado se tornou gerente de futebol. A promoção neste ano de Osmar Loss, ex-técnico do sub-20 a auxiliar técnico do time profissional, também colaborou neste processo.

Entretanto, não é possível desassociar as dificuldades financeiras do clube à maior utilização dos jovens. Sem tantos recursos para contratar, o Timão passou a apostar nos pratas da casa. Cassini sabe disso e admite:

- Eu acho legal o espaço aos garotos, tem muita gente ali com talento, que merece oportunidade. O pessoal quando entra tem mostrado que tem valor, que tem potencial, fico feliz pelos meninos. Acho que tem a ver com o fato de o clube passar por um momento complicado financeiramente, isso influencia. Isso mostra que antes eles poderiam ter dado mais chance à base.

Dos 23 relacionados pelo Corinthians para encarar a Ponte Preta, 10 são formados no próprio clube. Cassini, que tenta retomar os melhores momentos da carreira após passagens sem sucesso pelo Siracusa, da Itália, e o Inter Zapresic, da Croácia, deve começar a partida na reserva.

- Bate-bola com Matheus Cassini, meia da Ponte Preta, ao LANCE!:

Como será o reencontro com o Corinthians? Está ansioso?
Para mim o jogo contra o Corinthians vai ser como todos os outros, respeito o Corinthians, como os demais clubes. É claro que tem diferença por ter jogado lá, tenho um carinho especial, mas sou profissional da Ponte Preta, tenho que respeitar o meu clube. É inevitável não me relacionar ao Corinthians, pela forma como foi minha saída, mas isso eu deixo de lado, senão pode até me atrapalhar. Me preparei para essa partida como sempre faço.

Olhando para trás, você acha que errou ao deixar o Corinthians?
Errado não foi a saída do Corinthians, mas do Brasil. Eu poderia ter tido mais paciência, mas hoje estou de volta.

Não se arrepende?
Arrependimento, não. O único que tenho é de ter saído do Brasil muito cedo, sem ter jogado muito. Se tivesse ficado por aqui as coisas teriam tomado outro rumo, mas graças a Deus hoje estou na Ponte.

Esse retorno é um passo atrás na sua carreira?
Não, é uma oportunidade de ouro. Desde a Copinha de 2015 a Ponte gostava de mim. Encaro como um passo à frente, pois saí de um lugar onde eu não estava jogando muito. Aqui tem pessoas que gostam de mim, confiam em mim. em um mês já estou me sentindo em casa, é um passo importante. Fiz boa estreia (na última rodada, contra o Ituano), e estamos em primeiro. Não há nada melhor que isso.

Por que acha que não deu certo na Europa?
Coloco alguns fatores que não deram certo. Você vai pra lá e não está preparado culturalmente, taticamente, não fala línguas... Sempre fui profissional nos clubes que passei, e na Europa não foi diferente, mas às vezes a gente precisa de um suporte fora de campo, ainda mais quando sai do país e não conhece nada. Isso me atrapalhou um pouco.

Pensa em um dia voltar ao Corinthians?
Isso é delicado. Hoje sou profissional da Ponte, respeito o clube, mas o futebol é dinâmico. Amanhã posso estar em outro lugar. Mas, se um dia tiver que ir pra outro lugar, será no futuro. Eu não fico pensando em outro clube, a Ponte me deu essa chance, se tem um lugar que quero ir bem, é aqui.

Ainda mantém contato com ex-companheiros de Corinthians?
Falo com Arana e Marciel, são os que mais converso, assim como o Léo Jabá. São jogadores com os quais atuei ou conheci na base. Atuei também com Maycon, Léo Príncipe e Caíque.

São amigos?
Falo mais com Marciel e Arana. Minha mãe é amiga da mãe do Arana. Conversamos normalmente, de futebol, outras coisas... Passamos muito tempo juntos na base, não tem como esquecer, ficarei feliz de reencontrá-lo.

Falaram nessa semana do jogo?
Não, não. Na semana cada um trabalha tranquilo, sem resenha.









































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