Na Garagem: Hamilton vence batalha campal com Rosberg e conquista bi após 6 anos

PEDRO HENRIQUE MARUM

Lewis Hamilton surgiu para a Fórmula 1 em 2007 como O Escolhido da McLaren não apenas para levar a equipe de volta aos títulos, mas para levar um inglês de volta ao Olimpo da Fórmula 1. O inglês mostrou rápido o que podia fazer: naquele primeiro ano, um novato, colocou as asas de fora e duelou com o então atual bicampeão Fernando Alonso. A queda de braço fez com que o espanhol deixasse a equipe no fim da temporada, após terminar o ano atrás de Hamilton, que, contudo deixou o título escapar. A conquista veio em 2008, de forma dramática, mas as brigas pelo topo foram interrompidas.

Foi num 23 de novembro como hoje, cinco anos atrás, em 2014, que Hamilton viu a espera terminar a conquistou o segundo título mundial. 

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E para recordar bem daquele dia é impossível não lembrar da temporada e, de maneira geral, da rivalidade que se formou. O britânico deixou a McLaren no fim de 2012 após um período conturbado em que ele já não aguentava a equipe e o sentimento era recíproco. Por isso, em 2013, assumiu o lugar de Michael Schumacher, aposentado pela segunda vez, na Mercedes. Tinha Nico Rosberg, velho companheiro dos tempos de kart, ainda na infância, ao lado. 

Hamilton ultrapassa Rosberg em Abu Dhabi (Foto: Reprodução/Twitter)

No primeiro ano da parceria, Rosberg venceu mais, mas Lewis marcou a maior quantidade de pontos. O cenário estava pronto para a chegada dos motores V6 turbo e a era de domínio da equipe alemã.

 

Em 2014, o início foi cruel para Hamilton: com motor quebrado na Austrália, viu Nico vencer e abrir 25 a 0 na contagem de pontos. Venceu as quatro corridas seguintes, sempre com o alemão em segundo, enquanto Rosberg deu o troco e liderou a dobradinha em Mônaco, sexta etapa do campeonato. Neste momento apesar de cedo na disputa, a relação dos dois já havia se deteriorado a ponto de não existir mais.

 

As brigas eram empilhadas. No GP do Bahrein, Rosberg utilizou um modo do motor proibido pela Mercedes para tentar ultrapassar Hamilton; depois, na Espanha, o inglês deu o troco e usou o mesmo modo para se defender. Em Mônaco, Rosberg tinha a pole no treino classificatório antes da última rodada de voltas rápidas, quando rodou sozinho e bateu, causando bandeira amarela e finalizando a sessão. Sem preocupações em ser político, Lewis disse que "devia saber que isso ia acontecer". Apesar da Mercedes garantir que a colisão não foi proposital, Hamilton anunciou que a relação estava estragada. 

 

A sequência das corridas seguiu mais ou menos normal. Hamilton teve problemas e abandonou no Canadá, onde Daniel Ricciardo e a Red Bull acabaram vencendo [com Rosberg em segundo. Os dois foram trocando golpes até o GP da Hungria, etapa derradeira antes do recesso de verão.


Nico liderava por 14 pontos e começou bem: partia da pole, enquanto Hamilton sofria um vazamento de combustível e era obrigado a abandonar a classificação no Q1 e largar no fim do pelotão. Com estratégias diferentes e o auxílio de um safety-car que mudou a ordem da corrida, Hamilton se viu na frente de Rosberg, ainda que tivesse que realizar mais uma parada nos boxes. A Mercedes pediu que Hamilton, com pneus velhos, deixasse Rosberg passar para alcançar os dois primeiros colocados, Ricciardo e Fernando Alonso, mas Lewis negou. Terminaram em terceiro e quarto, com o inglês no pódio. 

Lewis Hamilton vibra com o bi (Foto: Reprodução)


A Mercedes concluiu que a decisão de Hamilton custou uma vitória, mas Niki Lauda, então presidente não-executivo, defendeu Lewis. Foi nesse clima de animosidade que os dois foram para as férias. Quando retornaram, na Bélgica, o clima mais ou menos ameno durou duas voltas: os dois bateram pouco após a largada, o que resultou no abandono de Hamilton. Que, aliás, mais tarde acusou o companheiro de ter causado a pancada para provar um ponto.

 

Apesar daquilo, Hamilton disparou ao vencer as cinco provas seguintes. Apesar do alemão ter levado a melhor no Brasil, ainda era o campeão de 2008 quem chegaria a Abu Dhabi com vantagem de 17 pontos. Com um detalhe: pela primeira vez na história, a F1 teria uma corrida que valia pontos dobrados. 

 

O fim de semana nos Emirados Árabes trazia altas expectativas. Na sexta-feira, 21 de novembro, Hamilton liderou os dois treinos livres; no sábado, 22, Rosberg andou na frente no TL3 e cravou a pole.


O dia 23 de novembro encerraria a temporada. Rosberg sabia que ganhar era fundamental e que o rival tinha de terminar atrás do segundo lugar, mas os sonhos foram esmagados rapidamente. Lewis ultrapassou na largada e terminou a primeira volta com mais de 1s2 de vantagem. Hamilton continuou abrindo vantagem para um Rosberg que parecia entrar em desespero. Nico errou na volta 22 e logo em seguida reclamou de perda de potência no motor Mercedes. Era uma falha no motor de recuperação de energia. O campeonato tinha acabado.

 

Rosberg pediu para ficar até o fim na prova e conseguiu, terminou em 14º e foi parabenizar Hamilton. Após seis anos de espera, o inglês voltava a ser campeão mundial. O calvário da espera sem fim terminava. Lewis partia para o Olimpo da F1.




 



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