Na edição com menos times do eixo Rio-SP, Brasileirão tem início com surpresas na ponta da tabela

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O Campeonato Brasileiro de 2021 conta com uma característica curiosa. Desde 2003, ano em que foi adotado o atual formato de pontos corridos na competição, não acontecia uma edição com um número tão baixo de times do eixo Rio-São Paulo.

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São sete representantes dos dois estados nesta temporada: os paulistas Corinthians, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos e São Paulo, e os cariocas Flamengo e Fluminense. Nas outras 18 edições, apenas em 2014 o número era igualmente baixo, com sete equipes na oportunidade.

E, além disso, o torneio vem tendo, até o momento, certo domínio de equipes que não era apontadas como fortes candidatas ao título antes do início das disputas, casos de Bragantino, Athletico-PR e Fortaleza. Dos considerados favoritos, apenas o Palmeiras figura no G-4 no momento.

Um fator que está diretamente ligado a essas características diferenciadas do Brasileirão 2021 é a gestão realizada em cada clube do futebol brasileiro. Botafogo e Vasco, dois clubes de enorme expressão no país, não conseguiram se manter na elite e convivem constantemente com graves problemas financeiros que dificultam as montagens de elencos competitivos.

Em contrapartida, equipes com menor potencial de investimento, como o Cuiabá - caçula da Série A neste ano - figuram entre os 20 melhores do país com planejamento financeiro e sem comprometer o futuro com dívidas exorbitantes.

Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, falou sobre a chegada do clube à elite:

- Com um projeto sólido e realista, conseguimos colocar a equipe na elite do futebol brasileiro com menos de 20 anos desde a sua fundação. O Estado do Mato Grosso voltou a ter um representante na primeira divisão, fruto de muito trabalho e dedicação de jogadores e vários outros funcionários que ajudam a construir essa história.

- Competir com clubes que contam com orçamentos e poder de investimento maiores não é uma tarefa fácil, mas é possível equilibrar as disputas com organização e responsabilidade. No Bahia, a gestão bem realizada há anos permite que o time garanta saúde financeira e, cada vez mais, monte elencos capazes de serem equilibrados e competitivos - ressaltou Júnior Chávare, Gerente de futebol do Bahia.

O sistema de promoção e rebaixamento presente no Campeonato Brasileiro, de certa forma, “premia” as boas gestões e dá condições de clubes de mercados menores atraírem os holofotes do país e um exemplo de clube que ganhou força por conseguir permanecer consecutivamente na Série A do Campeonato Brasileiro é o Fortaleza.

Pela primeira vez em sua história, o Leão do Pici disputa a primeira divisão pelo terceiro ano seguido e, além disso, vem brigando pela liderança da competição neste início.

O presidente Marcelo Paz ressaltou a importância desse protagonismo para os cofres do clube:

- Continuar na Série A por, pelo menos, três temporadas é algo que nos enche de orgulho. O Fortaleza passou por um amplo processo de reestruturação e profissionalização de departamentos internos nos últimos anos, colhendo os resultados disso dentro e fora dos gramados. Hoje, nossa marca se fortalece cada vez mais com ações de marketing, aumento de unidades de lojas oficiais, entre outros fatores que são possíveis justamente pelo equilíbrio nas contas e por ficar entre os melhores do país por mais tempo.

A ausência de um sistema com rebaixamento foi, inclusive, um dos fatores que mais gerou reações negativas desde a divulgação do projeto da Superliga na Europa, que acabou fracassando. Sem a possibilidade de queda ou de promoção de equipes emergentes, o campeonato não abriria espaço para dar o devido reconhecimento para aqueles que realizam gestões responsáveis e organizadas.

- Hoje, os clubes no Brasil têm à disposição mecanismos como transação tributária para resolver o passivo fiscal e recuperação extrajudicial, e até judicial, para tratar do restante das dívidas, só que a transitoriedade dos dirigentes amadores nesse modelo associativo ultrapassado praticamente impossibilita iniciativas de médio e longo prazo. A conversão para clube-empresa diminuiria essa instabilidade política e abriria um grande leque de possibilidades para a injeção de novos recursos, seja por meio dos investimentos dos donos ou mesmo via mercado de capitais. Em Portugal, por exemplo, o Porto foi obrigado por lei a se converter em empresa e acaba de lançar uma nova Oferta Pública de Subscrição de Obrigações, destinada ao público em geral, com uma taxa de juro bruta de 4,75% a.a. e montante inicial previsto de 35 milhões de euros", pontua Pedro Trengrouse, advogado especializado em direito desportivo.

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