“Não vivemos em uma plena democracia”, alerta Chiara Ramos

Patrick Monteiro
·2 minuto de leitura
Chiara Ramos é procuradora federal e doutoranda
Chiara Ramos é procuradora federal e doutoranda

Do grego, democracia significa: demos (povo) e kratos (poder). Ou seja, o povo participando diretamente das escolhas de poder. Mas será que estamos escolhendo? Será que estamos participando do poder?

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Yahoo! celebrou o dia da democracia, comemorado nesta semana, conversando com a procuradora federal, doutoranda e professora Chiara Ramos, sobre os rumos que temos seguido nos pouco mais de 30 anos de democracia desde o fim da ditadura militar.

“Dentro das possibilidades políticas a menos nociva que temos é a democracia e ela tem muito a ver com participar da construção de uma vontade política, de um projeto coletivo, de uma noção que você como indivíduo também se entende quanto coletivo”, lembrou Chiara.

A doutoranda em ciências jurídico-políticas defende que nós, brasileiros, não experenciamos uma democracia plena. “Democracia fala sobre igualdade de oportunidade participar da política. Sem censura, sem destruição das identidades. E não vivemos em uma plena democracia. Estamos distantes de vivenciar uma verdadeira democracia por termos na nossa construção de Estado duas categorias: o sobre cidadão e o sub cidadão”, avalia.

Para ela há, claramente, os que estão acima das leis e só gozam dos privilégios dos deveres constitucionais e os que estão abaixo. “Essas pessoas são consideradas minoritárias por não ocupar espaços de poder e saber, não numericamente”, relata.

Constituição de 1988

Desde o fim da ditadura militar vivemos um período de redemocratização e democratização do Brasil. Desde então, faz por pouco mais de 30 anos que votamos em eleições diretas há cada dois anos. “Temos uma construção na constituição que é um portal para construção de nação democrática, mas não temos a vontade política nos locais estratégicos se torne efetiva”, lembra Chiara.

O texto máximo do país contou com a participação do movimento negro e indígena na sua construção, fato inédito até então. “Temos um projeto de dominação e manutenção de poder. Viemos de uma oscilação de ditaduras e repúblicas... Mas independente do nome existem grupos sociais que persistem silenciados e assassinados nesse projeto de dominação genocida do Estado brasileiro”, completa.