Não há "falsos torcedores" na Copa, protestam fãs asiáticos e organizadores

"É humilhante e muito frustrante", diz Ameen Sharak, indiano radicado em Doha e torcedor da Inglaterra, mostrando revolta contra a mídia internacional que suspeita que o Catar paga "torcedores falsos" para desfilar com as cores das seleções classificadas para a Copa do Mundo-2022.

"Condenamos em bloco essas declarações decepcionantes e surpreendentes", disse o comitê organizador do torneio em comunicado nesta quarta-feira, referindo-se às críticas contra o país, que se intensificam com a aproximação do início da competição.

Entre os quase 200 indianos (para apenas cerca de vinte ingleses) que receberam a seleção inglesa em seu hotel em Al Wakrah, ao sul de Doha, na noite de terça-feira, as conversas giraram em torno de comentários nas redes sociais e artigos da imprensa britânica, espanhola e francesa descrevendo-os como "falsos torcedores".

Segundo Sajidh, de 29 anos, os indianos do Catar estão "indignados" porque se acredita que eles foram pagos para participar de um desfile na orla de Doha, que reuniu algumas milhares de pessoas vestidas principalmente com camisas da Argentina e do Brasil, na sexta-feira.

"Isso é pura e simples desinformação e eu gostaria de dizer em alto e bom som que nenhum de nós foi pago de forma alguma", disse Sajidh. "Somos torcedores incondicionais da Inglaterra. Desde criança meu jogador preferido é David Beckham. Temos seguidores de Wayne Rooney, de Michael Owen...".

- "As pessoas escolhem a seleção que quiserem apoiar" -

"Dói muito", acrescenta Anas, que acompanha a Premier League "todo fim de semana". "As pessoas não percebem a importância do futebol em Kerala", o estado no extremo sul da Índia de onde vem a maioria dos torcedores que ficam em frente ao hotel da seleção dos 'Três Leões'.

Durante a última Copa do Mundo, uma efígie de 25 metros do atacante Harry Kane foi erguida em uma cidade da província.

"Nós viemos da Índia, mas não está classificada, então as pessoas escolhem o time pelo qual querem torcer", finaliza Anas.

Os fãs que participaram do desfile na sexta-feira dizem que descobriram o evento pelas redes sociais e pelo WhatsApp.

Todas as manhãs, desde sua inauguração em meados de outubro, dezenas de pessoas fazem fila no principal ponto de venda de ingressos no bairro central de West Bay. Entre eles estão muitos migrantes do sul da Ásia. Há 750.000 indianos e 400.000 bengalis no Catar (de uma população total de 2,9 milhões).

- "Messi é o mais famoso" -

No domingo, um jovem de Bangladesh saiu de mãos vazias. Sem querer dizer seu nome, explicou que não conseguiu comprar nada "porque não havia ingressos para ver Lionel Messi".

Para Aron, um indiano que mora no Catar, Messi é a estrela da Copa. "Se ele vencer, com certeza será o melhor! Ele é muito famoso no Catar porque foi embaixador (da empresa de telecomunicações) Ooredoo", explicou o jovem de 16 anos no centro da cidade na terça-feira.

"Cristiano Ronaldo e Neymar também são muito conhecidos aqui, mas Messi é o mais famoso", acrescentaram dois nepaleses residentes no Catar, Dipendra Shah, de 36 anos, e Rakesh, de 33 (que não quis revelar seu sobrenome).

O custo dos ingressos os impediu de comprá-los. "800 riyals cataris (cerca de 220 dólares), é caro demais. Mas vamos voltar porque os preços mudam de um dia para o outro", explicaram.

Em uma loja de artigos esportivos de um shopping próximo, uma vendedora confirmou no domingo o interesse dos moradores locais pelas "camisas da Argentina e do Brasil principalmente", além das grandes seleções europeias. A escolha dos turistas costuma ser sobretudo a do Catar "para terem uma recordação".

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