Muricy quer São Paulo com os pés no chão e sem onda de favorito contra o Corinthians

Alexandre Praetzel
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Muricy Ramalho, no dia a dia do São Paulo FC. 
Foto: São Paulo/divulgação
Muricy Ramalho, no dia a dia do São Paulo FC. Foto: São Paulo/divulgação

São Paulo e Corinthians estão classificados para as quartas-de-final do Campeonato Paulista e se enfrentam neste domingo, na Neo Química Arena. Apesar do jogo não significar muito em termos de pontuação, o clássico cresceu pela rivalidade e pelo tabu corintiano de não ter perdido no seu estádio em 13 confrontos, com dez vitórias e três empates sobre o SP. 

Muricy Ramalho, coordenador técnico do SP, espera uma partida dura e equilibrada, sem o favoritismo apontado pela maioria ao time de Crespo, num momento conturbado para Vagner Mancini, treinador corintiano. Em entrevista exclusiva à Rádio Bandeirantes, com a presença do blog, Muricy pediu pés no chão, apesar de elogiar o bom início de trabalho do argentino. 

O horário do clássico contra o Corinthians, às 22h15, te agradou?

Para nós não é bom porque nós temos compromisso na Libertadores. O quanto antes tivermos horas de recuperação, melhor. Não é a mesma coisa jogar às 22h15. Os jogadores vão dormir muito tarde e depois do jogo, ninguém dorme. Esse horário foi muito ruim para nós, mas infelizmente é assim. Não pensa muito nos jogadores, no desgaste, há outros interesses. 

São Paulo ganha do Corinthians, quebrando o tabu na Neo Química Arena?

Temos que tomar cuidado para não entrar nessa onda de favoritismo porque a gente tem experiência. No campeonato brasileiro, o SP estava na mesma situação e isso criou um clima importante para o Corinthians, que explorou isso. Em todos os clássicos, é assim. Quando um não está bem e as pessoas comentam demais sobre favoritismo, vai para dentro do vestiário, dia a dia e para o campo. No último clássico, o SP foi muito favorito e o Corinthians ganhou. Temos que estar atentos. É um clássico e não adianta. O SP está no começo de um trabalho bem feito, mas não aconteceu nada ainda e temos que ter os pés no chão. 

O SP está pronto para ser campeão, recuperando a mentalidade vencedora?

Todo mundo está com esse pensamento. A cobrança é geral e esse clima precisa existir lá dentro. Não pode se conformar e achar que está tudo certo e o futebol é assim mesmo. A gente não aceita mais isso, só jogar bem. Tem que jogar bem e ganhar. Esse é o pensamento e o comprometimento com o clube. O jogador tem que ficar zangado que nem o torcedor, se perder o jogo. Se não, não acontece nada. O clima é normal de cobrança no futebol ou em qualquer empresa. O elenco está satisfeito e todo mundo quer dar resposta para entrar para a historia do SP como campeão. Só que mais times querem também e temos que querer mais que todo mundo, trabalhando mais de 100%. Os treinamentos são duríssimos e os jogadores aceitam. O clima é ótimo com toda a comissão técnica, rapidamente adaptada. Tem que buscar o que o torcedor quer. Ganhar e passar isso para os jogadores, bem conscientes disso.

Qual o palpite para o clássico?

Temos que ter cuidado lá, que é jogo duro. No último jogo, eles jogaram final de Copa do Mundo. A gente quer ver o time ganhar, mas temos que respeitar o Corinthians. Um a zero está bom para nós. 

No Paulista, o SP vai enfrentar Ferroviária ou Ponte Preta, nas quartas-de-final. Na Libertadores da América, o tricolo lidera seu grupo com seis pontos em duas partidas.