Mundial mostra desafios que Catar terá para a Copa de 2022

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Khalifa International Stadium, sede de semifinais e finais do Mundial, será utilizado na Copa de 2022 (Mike Hewitt - FIFA/FIFA via Getty Images)
Khalifa International Stadium, sede de semifinais e finais do Mundial, será utilizado na Copa de 2022 (Mike Hewitt - FIFA/FIFA via Getty Images)

Para as autoridades do futebol do Catar, o Mundial de Clubes deste ano foi o primeiro teste real do país antes da Copa do Mundo. Para torcedores brasileiros (do Flamengo), ingleses (do Liverpool), mexicanos (do Monterrey), tunisianos (do Espérance) e os poucos sauditas que foram a Doha (para apoiar o Al-Hilal) se tratou também da primeira experiência sobre o que esperar em 2022.

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Apenas cerca de 300 torcedores do Al-Hilal estiveram no Jassim Bin Hamad e no Khalifa International, os dois estádios usados na competição, porque a Arábia Saudita é uma das signatárias de embargo de países árabes ao Catar por suposto apoio a organizações terroristas.

O governo nega as acusações e a jornalistas dirigentes insinuam que o bloqueio, na verdade, é inveja porque a Fifa fez do país catari o primeiro do Oriente Médio a sediar o Mundial.

Mas o embargo, do qual os Emirados Árabes também faz parte, será um problema na organização da Copa do Mundo, se persistir. A Fifa conta com a possibilidade de os torcedores poderem fazer o trajeto entre Dubai ou Abu Dhabi e Doha em junho de 2022. Seria uma maneira de não sobrecarregar o Catar durante o torneio.

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O conceito da Copa de 2022 é de um torneio “pocket” (para usar a palavra da Fifa) por ser organizado em curtas distâncias, mas a quantidade de torcedores não será. E estes estarão concentrados em Doha. A maior distância entre os oito estádios que serão utilizados no Mundial é de 70 km, se percorridos de carro.

Um dos problemas para o Catar na organização do Mundial de Clubes foi a falta de cultura local com relação ao futebol e, principalmente, ao comportamento de torcedores. Daqui a três anos, embora não tenha uma estimativa precisa, o governo estima que vai receber cerca de 2 milhões de turistas durante o torneio. Essas pessoas não estarão todas ao mesmo tempo no país, mas vão mudar a rotina de local em que as principais ruas estão sempre vazias e o barulho é algo raro.

Durante a competição que consagrou o Liverpool como melhor time do planeta, funcionários do Champions Club, bar que tem telões para exibição de jogos instalado dentro do hotel Marriott, pediram para ingleses e brasileiros se acalmarem porque estavam fazendo muito ruído. 

Outro exemplo foi a torcida do Espérance, que em seus dois jogos cantou o tempo inteiro, acendeu sinalizadores e soltou bombas de fumaça com as cores da equipe (amarelo e vermelho). Os seguranças contratados para o Mundial não sabiam o que fazer naquela situação. Na disputa pelo quinto lugar, contra o Al Sadd, estourou uma briga entre os tunisianos e a reação do esquema de proteção no estádio foi esperar que a confusão acabasse por si mesma.

O Jassim Bin Hamad não será usado na Copa, mas o Khalifa International, que depois continuará sendo o estádio nacional do Catar, sim. Nas semifinais houve problemas nos portões de entrada porque os acessos eram estreitos e não haviam muitas catracas. A organização não avisou previamente que mochilas não poderiam entrar, o que causou confusão no público.

O guarda-volumes era um contâiner improvisado, colocado do lado de fora do estádio. O funcionário preenchia uma ficha para cada torcedor que deixava a bagagem e era tão extenso que era preciso colocar até o telefone no país de origem. 

As mochilas não foram guardadas de forma ordenada e após a partida voluntários levavam vários minutos para acharem as malas que tinham os mesmos números da senhas em poder dos torcedores. Para acelerar o processo, começaram a berrar os números, mas não checavam se quem dizia ser o dono tinha realmente a número correspondente.

A organização da Copa do Mundo promete ter um amplo sistema de trens e metrôs que vai interligar todos os estádios. As estações e trens são novos, mas os funcionários não sabem lidar com  aglomerações. Não existiam avisos para os turistas de que há vagões separados para mulheres, famílias com crianças e para os proprietários de cartões “gold”, uma espécie de primeira classe. 

Não foi registrado qualquer incidente com a polícia local. No Qatar, é considerada ofensiva a manifestação pública de carinho entre um homem e uma mulher, como um beijo, por exemplo. Homossexualismo é crime. Pressionado para dar uma resposta sobre o que vai acontecer com casais gays que viajarem para o país para assistir a Copa do Mundo, a organização do Mundial não consegue dar uma resposta objetiva.

A posição por enquanto é que o país vai receber todos bem, mas espera que os visitantes aceitem a cultura local.

Até 2022, a Fifa terá de resolver a questão do consumo de álcool. Bebidas são vendidas em poucos bares em Doha e a preços exorbitantes. Uma cerveja long neck (335 ml) por exemplo, não sai por menos de R$ 50. A organização do Mundial de Clubes instalou uma Fan Fest em que a cerveja era negociada a preços menores (cerca de R$ 25). 

Com a pressão de torcedores de 31 países (o 32º é o próprio Catar), a demanda pela facilidade para obter álcool será muito maior. Empresas de cerveja são importantes fontes de receita para a Fifa. Até lá a entidade que controla o futebol acredita que vai chegar a uma solução. No Mundial de Clubes, a maioria dos brasileiros e ingleses teve de passar o torneio a seco.

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