Mundial individual de tênis de mesa é o principal desafio do ano para Hugo Calderano

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No mundial de 2017 e na Olimpíada de 2016, Calderano terminou entre os 16 melhores (Reprodução)
No mundial de 2017 e na Olimpíada de 2016, Calderano terminou entre os 16 melhores (Reprodução)

Por Marcelo Romano

Começa no próximo domingo, 21 de abril, a 55º edição do campeonato mundial de tênis de mesa, na Hungria. Este ano é a vez dos eventos individual e de duplas, que ocorrem a cada 2 anos. Um total de 143 países inscreveu atletas para a competição. Nações como Djibouti, Jersey, Omã, Madagascar, Bangladesh, Yemen e Serra Leoa, vão participar. Os jogadores de pior ranking passam por fases qualificatórias para tentarem avançar a chave principal com 128 atletas. A partir daí são jogos eliminatórios.

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O Brasil terá 8 atletas e a grande expectativa é pela participação de Hugo Calderano, no melhor momento de sua carreira. Ele ocupa a 7º posição no ranking mundial e teve um 2018 excelente: foi vice-campeão no Aberto do Catar, considerado um dos mais difíceis do circuito, e 3º no Masters, reunindo os melhores da temporada. Na ocasião derrotou o chinês número 1 do mundo, Fan Zhendong, um dos resultados mais incríveis da história da modalidade no Brasil. Calderano também levou a equipe brasileira a terminar entre as 8 melhores do mundial por países.

Calderano explica as dificuldades da competição “ O Mundial individual é mais difícil do que os Jogos Olímpicos pois todos os melhores do ranking participam. Pela primeira vez eu vou disputar uma competição tão importante com capacidade de brigar por medalha. Espero poder jogar no meu melhor nível. Estou bem preparado fisicamente. Tenho trabalhado bastante com meu preparador físico Mikael Simon para que meu corpo consiga suportar bem a carga de treinamento e a intensidade dos jogos na competição”.

Vale lembrar que na Olimpíada a China, maior potência da modalidade, só pode ter 2 atletas na chave individual masculina e no mundial contará com 5. O mesmo ocorrerá neste mundial com Japão, Alemanha, Hong Kong, Coréia do Sul, Suécia e Taipei

No mundial de 2017 e na Olimpíada de 2016, Calderano terminou entre os 16 melhores. No mundial caiu para o chinês Xu Xin e na Olimpíada para o japonês Jun Mizutani. Agora tem chances de pelo menos terminar entre os 8 melhores. Pelo bom posicionamento no ranking, só deve encarar algum dos chineses tops, nas quartas de finais.

Além de Calderano, o Brasil terá na chave masculina Gustavo Tsubói ( 40º do ranking), Eric Jouti ( 74º), Thiago Monteiro ( 91º) e Vitor Ishiy ( 126º). O objetivo de todos é tentar chegar entre os 32 melhores. Thiago fez ótima campanha no Aberto do Catar há um mês e Tsubói tem se mantido no top 50 do mundo nos últimos meses.

Um dos maiores especialistas de tênis de mesa no Brasil é o técnico e dirigente Marcos Yamada. Ele já esteve presente em 23 campeonatos mundiais. Pai da atleta Jéssica Yamada, Marcos acredita que assim como Biriba nos anos 60, Hugo Calderano é o único brasileiro com chances reais de obter uma medalha em mundial “ Ele é um atleta nato. Tem tudo bem desenvolvido. Muito competitivo, gosta de treinar e vive há anos no exterior. Além disso tem um dos melhores backhands do mundo, assim como ocorreu com Gustavo Kuerten no tênis”.

A China é praticamente imbatível no tênis de mesa. No masculino não perdem um título individual desde 2005. De 1999 em diante só perderam em 2003 para o austríaco Werner Schlager. Em 2013 e 2015 pódio totalmente chinês. Em 2017 o sul-coreano Lee Sang-su ficou com o bronze. No feminino o domínio é ainda maior. Desde 1995 não deixam escapar o 1º lugar. De 2007 a 2015 pódio totalmente chinês. Em 2017 a japonesa Miu Hirano ficou com o bronze.

Ma Long (Foto: Divulgação
Ma Long (Foto: Divulgação

O time masculino chinês terá o atual lider do ranking mundial Fan Zhendong, o atual bicampeão mundial e campeão olímpico Ma Long, além de Xu Xin e Lin Gaoyuan ( números 2 e 3 do ranking) e Liang Jingkun.

Marcos Yamada listou os atletas que além de Calderano podem surpreender os chineses: “ o prodígio japonês Tomokazu Harimoto, de apenas 15 anos, venceu o Masters 2018 superando o Lin Gaoyuan na final. Além dele, temos o inglês Liam Pitchford em boa fase, os experientes alemães Timo Boll e Ovtcharov e o sul-coreano Lee Sangsu, medalhista em 2017”.

Entre as mulheres o Brasil terá 3 atletas: Bruna Takahashi é uma jovem revelação e a de melhor ranking: 64º. Gui Lin é 99º e Jéssica Yamada, a mais experiente, 191º. Atingir a fase entre as 64 melhores já será um resultado extraordinário para qualquer uma delas.

Bruna Takahashi
Bruna Takahashi

No feminino o favoritismo chinês para esta edição na Hungria é ainda maior. A principal candidata a mais um título é Ding Ning, tricampeã mundial em 2011, 2015 e 2017, campeã olímpica e número 1 do mundo. Além dela Meng Chen é a 3º do ranking e Wang Many a 4º. Liu Shiwen tentará sua 6º medalha em mundiais individuais, mas nunca foi ouro. O domínio asiático no feminino impressiona. Na última atualização, as 16 primeiras colocadas são do continente. Algo comum que tem ocorrido na modalidade é a naturalização de chinesas por parte de países europeus. Como exemplos, a Polônia tem Qian Li, a Holanda Jie Li, Luxemburgo Xia Lian Ni e a Espanha Xuan Zhang.

Calderano sabe da importância de um bom resultado no mundial, para continuar a divulgação da modalidade no Brasil “ Acabamos de lançar um programa para doação de materiais usados por mim a projetos sociais de tênis de mesa. Ficamos surpresos e muito felizes com a enorme adesão - foram mais de 160 projetos inscritos. Espero que essa onda continue crescendo porque o tênis de mesa tem tudo para se tornar um esporte popular no Brasil”.

Quem quiser assistir os jogos do mundial, desde as fases preliminares, basta acessar a partir do próximo domingo o site da Federação Internacional de Tênis de mesa: www.ittf.com.

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