Mundial de Ginástica de Trampolim testa palco olímpico e distribui vagas para Tóquio

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Camilla Lopes Gomes é a melhor brasileira na modalidade (Ricardo Bufolin/CBG)
Camilla Lopes Gomes é a melhor brasileira na modalidade (Ricardo Bufolin/CBG)

Por Marcelo Laguna (@MarceloLaguna)

O recém-concluído Ariake Gymnastics Centre, palco das competições de ginástica durante a Olimpíada de Tóquio-2020, passará pelo seu primeiro grande teste em alto nível. A partir desta quinta-feira (28), a arena japonesa receberá o Campeonato Mundial de ginástica trampolim. Além de definir os novos campeões da modalidade, a competição ainda terá como motivação extra a distribuição de vagas olímpicas para os Jogos Olímpicos.

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Um total de 341 ginastas (nos dois gêneros), representando 37 nações, estão em busca destes primeiros bilhetes carimbados para Tóquio-2020, nas provas do trampolim individual feminino e masculino, as únicas que fazem parte do programa olímpico. Os eventos exclusivos do mundial serão os do trampolim sincronizado, duplo mini trampolim e tumbling.

No trampolim individual, após duas apresentações no qualificatório do dia 28, também chamadas de duas rotinas, os 24 melhores ginastas se classificam para a semifinal, que acontecerá no dia 30. Os oito primeiros avançarão para a final, que acontecerá no dia 1º de dezembro. 

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Em relação às vagas olímpicas, a ginástica trampolim terá em Tóquio um total de 16 atletas por gênero em cada prova. O Mundial do Japão definirá 50% destas vagas. Os oito melhores classificados no individual, em ambos os gêneros, vão aos Jogos, mas com o limite de uma vaga por país.

Outros cinco classificados sairão das copas continentais, que serão realizadas no ano que vem. Os três últimos lugares para a Olimpíada (ou dois, dependendo do desempenho do Japão nas competições) serão concedidos através do ranking da Copa do Mundo 2019-2020.

Na história dos Mundiais, a China surge como grande potência nas provas individuais da ginástica trampolim. No masculino, os chineses foram campeões de nove dos últimos dez campeonatos, enquanto no feminino as ginastas chinesas acumulam cinco conquistas neste mesmo período.

Força no feminino

O Brasil está longe de ser uma das forças que competirão no Mundial do Japão. O melhor resultado do país na história da competição veio no campeonato realizado no ano passado, em São Petersburgo, na Rússia, com Camilla Lopes Gomes terminando em 14º lugar no trampolim individual feminino. Para a edição de 2019, o país enviará uma delegação com oito ginastas, quatro de cada naipe, mas a expectativa é de que os bons resultados novamente venham com as mulheres.

Estarão em Tóquio os ginastas Camilla Lopes Gomes, Alice Hellen Gomes, Daienne Lima e Ingrid Souto Maior (feminino), além de Carlos Ramirez Pala, Lucas Junior Tobias, Rafael Andrade e Rayan Dutra. Os oito competirão no individual. O Brasil também participará do trampolim sincronizado, com as duplas Camila/Alice, Daienne/Ingrid e Rafael/Rayan.

Segundo uma das treinadoras da seleção, Tatiana Figueiredo, as melhores chances estão com Camilla e Alice. “Camilla e Alice são as atletas que têm obtido os melhores resultados recentemente no trampolim individual. Tiveram um excelente resultado no Mundial do ano passado. Elas também têm chance de serem finalistas no trampolim sincronizado, se competirem bem”, afirmou Tatiana.

Melhor brasileira no ranking das Copas do Mundo, onde ocupa o 16º lugar após as etapas deste ano, Camilla Lopes Gomes admite que tem como meta neste Mundial conseguir melhorar o 14º lugar conquistado no ano passado, no torneio disputado na Rússia. “Minha expectativa é que eu consiga apresentar as minhas séries da melhor maneira possível, e assim, melhorar ainda mais a classificação que obtive em 2018”, disse Camilla, de 25 anos, que desde 2014 mora em Nova Jersey (EUA), onde também treina.

“Na época, meu principal objetivo de ter vindo para cá era para fazer um estágio de treinamento de três meses e acabei não voltando mais” brinca Camilla, que nasceu no Rio de Janeiro.

Ter a possibilidade de garantir um lugar na Olimpíada de Tóquio já no Mundial está entre os objetivos da ginasta brasileira, embora ela saiba que seja uma tarefa bem complicada. “Se eu conseguir mostrar tudo o que venho treinando, acho possível ficar entre as oito primeiras e estar na final. Mas antes, tenho que ficar entre as 24 para chegar à semifinal. Aí é pensar na final e na vaga olímpica”, disse Camilla, que este ano precisou lidar com a frustração de ter se apresentado mal no Pan-Americano de Lima, onde era favorita, mas cometeu um erro que acabou com suas chances de medalha. 

“Foi uma situação muito delicada para mim na época. Não que eu já não tivesse passado por isso antes, pois no nosso esporte qualquer falha é fatal, mas eu fui com a cabeça muito boa e infelizmente não estava preparada para isso. Eu fiquei muito chateada, mas sabia que não tinha tempo para isso. Quando voltei para casa, já retornei aos treinos e foquei no meu objetivo principal, que é buscar uma vaga olímpica”, disse Camilla. Ela também admitiu ter ficado surpresa quando soube que iria competir no mesmo ginásio que receberá os eventos dos Jogos Olímpicos.

“Eu não sabia que seria na mesma arena e quando vi a notícia, fiquei arrepiada. É algo muito importante para os atletas, porque infelizmente são apenas 32 atletas que competem nas Olimpíadas, entre homens e mulheres. Então, nem todos terão a oportunidade de conhecer essa arena. Com o Mundial sendo lá, todos poderão sentir um pouquinho do gosto das Olimpíadas, né”, brincou a ginasta brasileira.

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