Como uma mulher tem influenciado projetos de diversidade em time da NFL

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(Foto: Divulgação 49ers)
(Foto: Divulgação 49ers)


Por Artur Rodrigues

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Durante muito tempo, os esportes profissionais existiram dentro de uma cultura sexista. Após anos e anos de domínio do conservadorismo, o futebol americano tenta mudar este cenário. O San Francisco 49ers, time da National Football League (NFL), é um dos maiores exemplos disso e tem uma mulher guiando os projetos que envolvem diversidade. 

Hannah Gordon é a diretora administrativa do time da Califórnia, que disputa a divisão oeste da Conferência Nacional. Organizar e cuidar de programas de inclusão é uma de suas inúmeras responsabilidades dentro da franquia. Ela chegou à equipe em 2011, quando foi contratada como diretora de assuntos jurídicos. Em 2016, virou consultora geral e pouco tempo depois passou a ocupar seu cargo atual. 

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Foi sob o comando de Hannah que os 49ers criaram, em 2018,  o Women of the Niners (WON), um fã-clube exclusivo para as torcedoras do time. Trata-se de um programa que oferece uma revista online para as inscritas, com informações sobre o que acontece dentro da franquia, além da participação em eventos organizados pelos Niners e ingressos para as partidas em casa durante a temporada. Além disso, as torcedoras podem frequentar aulas de ioga que acontecem no gramado do Levi’s Stadium, estádio da equipe. 

“A mulheres representam aproximadamente metade de nossa torcida. Por isso eu co-criei o WON junto com o departamento de engajamento, para atrair nossas fãs, sejam elas fanáticas ou apenas casuais, estejam em San Francisco ou no Brasil, tenham 22 ou 70 anos”, disse Gordon. 

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O WON tem atraído várias torcedoras da equipe, até mesmo as que não são tão vidradas com o que acontece dentro de campo. Segundo a diretora, o número de membros duplicou do último ano para este. 

Outro projeto incentivado por Hannah Gordon em San Francisco foi o 49ers PRIDE, uma iniciativa criada em 2019 para os fãs da equipe que pertencem à comunidade LGBT. De acordo com a própria franquia, acredita-se que este seja o primeiro programa de um time em toda a história da NFL voltado exclusivamente para o público LGBT. 

“Eu concebi este programa porque sabia que tínhamos uma parte de nossa torcida deslocada da indústria do esporte”, falou Hannah. 

Os membros do programa têm a oportunidade de participar de eventos filantrópicos e sociais, além de festas organizadas pela equipe na cidade de San Francisco em dias de jogos fora de casa. Além disso, os aderidos participaram de um desfile com os funcionários da franquia no San Francisco Pride Parade, um dos eventos mais antigos dos Estados Unidos em prol da diversidade. 

“Recebemos cartas e vídeos de torcedores chorando de emoção por conta da iniciativa. Também vimos várias postagens nas redes sociais de fãs que sempre estiveram incluídos na nossa torcida, mas que agora realmente se sentem parte da família 49ers”, falou Hannah. 

Os 49ers ainda entraram para a história ao contratar, em 2017, a treinadora Katie Sowers, que além de ser uma das únicas mulheres presentes em uma comissão técnica na NFL, é a primeira treinadora assumidamente homossexual na história da liga. Ela foi estagiária no Atlanta Falcons em 2016, time que foi vice-campeão do Super Bowl naquela temporada. Kyle Shanhan era o Coordenador Ofensivo da equipe, e fez questão de levá-la para o San Francisco 49ers ao assumir o cargo de Head Coach do time em 2017. Hoje, Sowers tem a função de assistente ofensiva. 

(Foto: Reprodução Instagram)
(Foto: Reprodução Instagram)

Hannah Gordon acredita que a oportunidade dada a Katie diz muito sobre a mentalidade da franquia e se orgulha por dar espaço às minorias em uma liga historicamente dominada pelo sexismo. “Ter pessoas diferentes, de origens distintas, torna a nossa organização mais ágil. Além disso, conseguimos atrair fãs de todos idiomas, gêneros e diversas outras categorias demográficas”, disse. 

O San Francisco 49ers é um dos times mais tradicionais da NFL. Desde o início da era Super Bowl, em 1967, a equipe conquistou cinco títulos, apenas um a menos do que os dois maiores vencedores da liga, Pittsburgh Steelers e New England Patriots. Por ser uma franquia midiática e com muita torcida, Hannah espera que os Niners sejam um exemplo para a liga e que outros times criem iniciativas em prol da diversidade. Além disso, ela conta como é criar uma cultura inclusiva dentro de um esporte que por muito tempo foi considerado exclusivo para homens e cita a influência de uma das donas dos 49ers. 

“Tudo começa com o topo da propriedade. Nossa equipe é de propriedade de uma mulher, Denise DeBartolo York, que se preocupa em criar uma família inclusiva. Harpreet Basran, nossa vice-presidente de recursos humanos, também ajuda a criar essa cultura. O sexismo é um problema do nosso mundo e não algo exclusivo do esporte. Aqui, nós fazemos o possível para apoiar as mulheres que trabalham conosco, através de políticas como licença maternidade e comprometimento com salários igualitários”, falou Gordon. 

Por falar na proprietária da franquia, os Niners criaram um programa de estágio chamado Denise DeBartolo York Fellowship, inicialmente feito para jovens mulheres trabalharem no departamento de marketing por um ano, com chances de efetivação. Hannah, junto de outros responsáveis, decidiu tornar este um programa rotacional. Isto é, em um ano, a estagiária passa por seis departamentos diferentes, todos eles administrativos. 

“São funções em que as mulheres são historicamente sub-representadas e isso significa que precisamos colocá-las nesses cargos”, defendeu a diretora. 

Criado em 2011, o programa tem este nome em homenagem à dona da franquia. Denise York iniciou sua carreira no esporte em 1978, quando seu pai, Edward DeBartolo, a deixou como proprietária do Pittsburgh Penguins, time que joga a National Hockey League (NHL). Em 2000, ela adquiriu posse do San Francisco 49ers e desde então tem promovido campanhas e elaborado projetos para tornar a franquia uma das mais inclusivas da NFL. 

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