Muitos testes e baixa mortalidade: qual a situação do Chile durante crise do coronavírus

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No Chile, ao entrar em estabelecimentos, seguranças medem a febre da população (Foto: AP Photo/Esteban Felix)
No Chile, ao entrar em estabelecimentos, seguranças medem a febre da população (Foto: AP Photo/Esteban Felix)

Com baixo índice de mortalidade, chilenos se dividem a favor e contra reabertura do país. Nesta quinta-feira, o Ministério da Saúde do país anunciou que são 24.581 pessoas infectadas pelo coronavírus e 285 mortos pela Covid-19. O Chile tem a menor taxa de mortalidade da América do Sul, com 1,2%.

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Por dia, as mortes raramente passam de dez. De terça para quarta-feira foram seis vítimas da Covid-19. Os testes são feitos mesmo em pessoas que não apresentam sintomas e, segundo o Ministério de Saúde do país, são mais de sete mil testes por dia. Esse é um dos pontos principais para a mortalidade estar baixa, na opinião do médico brasileiro Julio Bretas, que vive no país há 11 anos.

“O Chile está testando muito. Quanto mais você testa, mais você se aproxima da taxa de mortalidade real”, explica o médico, que trabalha na rede privada de saúde. Segundo o ministério da Saúde, o país é o segundo em número de testes no continente, só atrás do Peru.

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No entanto, médico alerta que o fato de o inverno ainda não ter chegado ao país pode estar amenizando a situação. “Outro aspecto é a sazonalidade do coronavírus. Aqui no Chile, desde 2009, da pandemia que aconteceu, eles monitoram muito a circulação viral. E é muito marcado que no final do outono tem uma disparada de vírus respiratórios em geral, isso é na segunda quinzena de maio e termina somente em setembro”, afirma. Isso pode aumentar a taxa de mortalidade, mas a expectativa dele é de que os números não aumentem tanto.

Santiago, epicentro da doença no país, é divido por comunas, equivalentes a bairros. Cada uma das comunas vive situações diferentes e, por isso, a quarentena varia de acordo com o local. Enquanto algumas comunas já entraram e saíram do lockdown, outras tiveram a medida instalada agora.

Conforme uma cidade apresenta melhor no número de infectados e mortes, pode sair da quarentena. Se voltarem a piorar, podem voltar às restrições de circulação. O mesmo acontece com cidades menores do país.

Quem determina esse tipo medida não são governos locais, mas o governo federal. Julio aponta que o fato de o Brasil ser uma república federativa faz com que as regiões do país respondam de forma diferente, enquanto no Chile as regiões são dependentes do governo federal. “Isso permite você coordenar melhor as ações”, opina.

O médico lembra também que, antes da pandemia do coronavírus, as movimentações sociais eram intensas no país. Desde outubro de 2019, a população fez manifestações que chamaram atenção do mundo todo, com demandas como a mudança do sistema de saúde e de previdência, fim da violência policial, direitos das mulheres e outros. “A pandemia serviu um pouco também de motivo para o governo instaurar um estado de sítio, isso deixa o poder ainda mais centralizado”, diz.

HOSPITAIS PREPARADOS

A médica Kaorys Barros Duque, que trabalha na rede pública, conta que o hospital no qual trabalha tomou medidas como diminuir cirurgias programadas e separar pacientes com Covid-19 em um pavilhão diferente. Sobre os insumos necessários para proteção, ela afirma que chegaram doações de equipamentos de proteção individual, como máscaras. “Tenho quase tudo para me sentir segura”, relata.

“Eles também compraram mais ventiladores, mesmo antes de ter pessoas que precisassem”, contou. Além disso, o hospital no qual a médica trabalha contratou mais profissionais de saúde para darem conta da situação e para suprir o afastamento dos funcionários que estão nos grupos de risco. As p

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Julio, que trabalha na rede privada, também afirmou que se sente seguro ao ir trabalhar.

No dia 18 de abril, o presidente Sebastián Piñera mostrou que o Chile tinha mais de 500 respiradores disponíveis para atender os pacientes com Covid-19 em situação grave.

NOVA NORMALIDADE

Dentro destas condições, o presidente Sebastián Piñera fala em entrar em uma “nova normalidade”. Uma pesquisa publicada na última segunda-feira mostra que 69% das pessoas são contra flexibilizar as medidas de isolamento social e retomar as atividades, enquanto 29% são a favor.

Mercados e farmácias estão abertos, mas shopping e lojas não. Restaurantes funcionam somente por entrega.

Para Kaorys, a vida “normal” pode voltar em breve, desde que as pessoas tomem os cuidados necessários, como usar máscaras, lavar as mãos com frequências e manter a distância necessária das pessoas.

Julio avalia que é importante retomar atividades do dia a dia, mas rejeita a ideia de “normalidade”. “A gente vai conviver com isolamento social, distanciamento e máscara, essa vai ser nossa nova realidade”, mas reforça que é importante pensar na saúde mental da população. Para ele, será preciso aprender a conviver com o coronavírus.

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