9 mortes em Paraisópolis: Bombeiro cancelou Samu alegando que PM socorreu as vítimas, diz TV

Nove pessoas morreram após operação da PM em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo - Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images
Nove pessoas morreram após operação da PM em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo - Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images

Um soldado do Corpo de Bombeiros cancelou o único pedido de socorro solicitado ao Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu) durante a desastrosa ação policial que terminou em nove mortes durante um baile funk em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. As informações são da TV Globo.

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De acordo com informações da emissora, o cancelamento foi pedido depois de o bombeiro dizer que a Polícia Militar já teria realizado o socorro das vítimas.

MORTES EM PARAISÓPOLIS

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O pedido teria sido feito às 4h18 do domingo (01). De acordo com a TV Globo, uma jovem, que não se identificou, pediu socorro alegando que ela e um amigo teriam sido agredidos por policiais e que uma bomba teria os atingido, causando ferimentos nas pernas e no olho do rapaz. Ela também denunciou violência sexual e confirmou que havia outras vítimas necessitando de socorro no local.

Pouco depois, o pedido foi transferido para outra viatura do Samu e a solicitação foi registrada como “alta emergência”. Na sequência, a solicitação passou a uma terceira unidade. Às 4h47, um soldado do Corpo de Bombeiros pediu o cancelamento, afirmando que a PM já havia amparado as vítimas. De acordo com a TV Globo, nenhum carro do Samu teria chegado a comunidade de Paraisópolis.

O Portal UOL teve acesso aos depoimentos dos policiais militares envolvidos na operação trágica. Todos são da Força Tática, um agrupamento especial da corporação. A versão dos policiais diz que eles foram recebidos a tiros um homem numa moto.

"Eles [criminosos] adentraram em um pancadão, que é um baile funk clandestino, que ocorria na via pública, e mesmo se misturando entre os frequentadores do pancadão, o indivíduo continuava efetuando disparos de arma de fogo a esmo, o que causou grande confusão entre os frequentadores do pancadão", disse o policial Cruz da Silva.

De acordo com o relato de Cruz da Silva, foi essa confusão que resultou no pisoteamento das pessoas. "Havia um grande número de pessoas descontroladas, sendo necessário uso moderado da força com emprego de cassetete e munição química". Os demais policiais deram a mesma versão que Cruz da Silva.

A versão de testemunhas, entretanto, diverge da dos policiais. Frequentadores do baile e moradores da comunidade negam que tenha ocorrido tiroteio já que, segundo eles, não porque havia criminosos fugindo em meio aos jovens.

Conforme conta os frequentadores do baile, o objetivo da PM serie dispersar o baile funk devido ao barulho. Eles disseram também que os os policias encurralaram os jovens em vielas e que houve espancamentos injustificados. As informações são investigadas pela Corregedoria da PM e pela Polícia Civil.

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