Morte por coronavírus impacta até dez pessoas pela dor do luto, dizem especialistas

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Foto: AP Photo/Leo Correa
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A cada morte por coronavírus, de seis a dez pessoas são impactadas emocionalmente pela dor do luto, segundo especialistas. A alta transmissibilidade, o isolamento hospitalar e a morte solitária fazem vítimas não contabilizadas nas estatísticas oficiais -- o Ministério da Saúde registrou 5,9 mil mortos por covid-19 até sexta-feira (30) e 85,3 mil casos confirmados.

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"O luto é a resposta natural à perda. É complexo, multifacetado, e tem diferentes pensamentos, sentimentos, ações e reflexos no corpo. Em sua forma inicial, a fase mais aguda, quase sempre há saudade e a tristeza, ao lado da ansiedade, amargura, raiva, remorso e culpa. É incrivelmente doloroso e preocupante, dificultando a concentração em qualquer outra coisa", afirmou Collen Bloom, fundadora do Centro de Luto Profundo, da Columbia University (EUA), em entrevista ao portal G1.

O impacto da pandemia, segundo Bloom, pode ser estimado seguindo um antigo estudo epidemiológico feito no Japão e nos Estados Unidos. De acordo com a pesquisa, cada morte impacta diretamente na saúde emocional de uma a seis pessoas, em média as mais próximas à vítima.

Outra especialista, Ana Claudia Arantes, geriatra com especialização em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e Universidade de Oxford, diz que é possível estimar o impacto na vida de até dez pessoas.

A falta de ritos funerários também terá consequências para o processo de luto, na avaliação de Anna Carolina Lo Bianco, vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia.

"O momento do velório, do enterro ou da cremação é aquele em que aos poucos vamos nos acostumando à ideia de que não estaremos mais com quem morreu. Mas o que fará mais falta, talvez, seja o período que se segue, o de chorarmos juntos, de nos consolarmos uns aos outros e repetirmos o quanto estamos tristes, desesperançosos, e sofridos. A impossibilidade de estarmos fisicamente uns com os outros, nos abraçarmos e dar apoio aos mais próximos, que muitas vezes estarão sofrendo o mesmo que nós, é o que mais assusta e nos deixa desamparados neste momento", analisa.


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