Montenegro se pronuncia sobre rebaixamento do Botafogo, e chama Gatito Fernández de 'covarde'

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Após ser derrotado pelo Sport por 1 a 0 , no Nilton Santos, o Botafogo confirmou o terceiro rebaixamento de sua história (já havia caído em 2002 e 2014). Com uma fraca campanha, diversos erros foram apontados por boa parte da torcida e um deles foi antigo Comitê de Futebol do Alvinegro. Em e-mail enviado aos sócios, o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro se pronunciou pela primeira vez depois da queda do clube.

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Muito comentado nas redes sociais, Montenegro fez duras críticas ao goleiro Gatito Fernández, atualmente lesionado, ao apoiador do japonês Keisuke Honda, que deixou o time da estrela solitária antes do fim do Brasileirão, e rebateu os comentários do ex-conselheiro Antônio Carlos Porcher. No texto, o ex-dirigente também admitiu que a criação do antigo Comitê de Futebol Alvinegro foi um erro.


- Como foi o ano de 2020 para o Botafogo? Começou no fim de 2019, com alguns expoentes do 'Mais Botafogo' (antigo grupo político que dirigiu o clube nos últimos anos) me pedindo para ajudar, obviamente com dinheiro, para a sobrevivência do clube. Desde 1996, quando deixei a presidência, nunca mais tive cargo, nem caneta, mas sempre disse que o Botafogo era ingovernável. Não existe boa gestão com R$ 1 bi de dívidas, R$ 160 milhões de faturamento anual e somente 20/30 entrando no caixa, pois o resta está penhorado. Qualquer empresa estaria falida com esse quadro. Aí tivemos o primeiro erro. Ninguém queria entrar. Entraram todos e foi formado o Comitê. Erro, pois são várias pessoas pensando, com opiniões diferentes e sem dinheiro nenhum - disse.

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Além disso, Montenegro explicou a saída do técnico Alberto Valentim durante a campanha do Glorioso no Campeonato Carioca e assumiu que trazer de volta o treinador Paulo Autuori (campeão brasileiro no comando do clube em 95) foi mais um erro dos dirigentes Alvinegros na temporada.

- O Autuori me liga e se oferece quase de graça para ajudar o Botafogo. Foi o segundo erro: apesar de bom treinador, o discurso era de que queria ir embora. Sempre. E com posições fortes sobre o sistema político do futebol. Fomos prejudicados na CBF. Hoje ninguém se lembra, mas os árbitros foram esquisitos em vários jogos importantes. Nesse momento veio o falecimento do (Valdir) Espinosa (atuava como gerente de futebol do Botafogo). Veio a pandemia. Talvez aí o Autuori deveria ter saído. Optamos por uma folha entre 1.5 a 2 milhões. Seria formada por vários da base, algumas contratações de jogadores novos e alguns experientes para dar equilíbrio. Decisão errada. Hoje verifico que faltaram HOMENS de 25 a 35. Que assumem responsabilidades. Não temos isso - salientou, e em seguida acrescentou.

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- Com a saída do Autuori resolvemos pelo (Bruno )Lazaroni. Dois erros: primeiro ele estava com um tumor/câncer no estômago. Segundo não deveríamos ter tirado ele após o jogo contra o Cuiabá. Vinda do Túlio também não ajudou. Lúcio Flávio também. Todavia percebam que tudo é ligado a dinheiro. Salários de 30, outro de 40 e outro de 50. O Antônio Lopes que fez um ótimo trabalho saiu um pouco criticado. O Anderson Barros entrou e ninguém gostava muito dele. Saiu. E sendo uma pessoa que não aconteceu aqui, se transformou em campeão da Libertadores. Aprendeu a trabalhar ou o que conta é o dinheiro? - frisou o ex-presidente.


Completando o seu desabafo, Montenegro explicou a vinda do argentino Ramon Díaz. Por problemas de saúde, o treinador não chegou nem a estrear no comando do Botafogo, e foi demitido junto de sua comissão técnica. Na época, a direção do clube decidiu não esperar a recuperação de Ramon e optou pelo retorno de Eduardo Barroca para tentar salvar o time da queda.

- Continuando, demoramos a contratar o Ramón Díaz e sua comissão técnica. Na hora de assinar…… outro câncer. Na garganta. Fica o filho. As previsões de retorno não se confirmaram. Deveríamos esperar mais com o filho ou não? Alguns falavam: Não contratamos o filho. Outros: vamos esperar. E o time sempre mal. É bom saberem que tentamos Luxemburgo, Lisca, Roger…. ninguém quis. Veio o Barroca. Chegou e três dias depois Covid pesado. 50% do pulmão tomado. Além disso uma pessoa super querida que ficou com eles o ano todo morre. Com a doença. Renê Weber. O grupo sente. Mais adiante o motorista de 20 anos do grupo, Maurão, morre também . E o Marcinho que esteve com todos o tempo todo no último dia de contrato atropela e mata duas pessoas. Um grupo novo que sucumbiu - analisou.

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No fim do texto, o ex-presidente criticou o goleiro Gatito Fernández , e o chamou de covarde, alegando que o paraguaio não queria jogar. No desabafo, ele afirmou que "a noite e a farra consumiram" Matheus Babi e Pedro Raul, que vieram de graça para o Botafogo.

- Goleiros. Pensávamos que estávamos bem. Não contávamos com a covardia do Gatito de não querer jogar. Lateral direito. O mais caro só jogou no final e muito mal. O Marcinho. Kevin, Federico e Gustavo Cascado (pedido do Autuori) fraquíssimos. É importante lembrar que sem dinheiro muita coisa é aposta. Os três somados dão o que ganha o Marcinho. Passando para a zaga: o Benevenuto começou bem e depois caiu muito, quando trocou bailes da noite pela competição. Kanu foi bem. Sousa ainda muito novo. Hoje chegamos a pensar se o Carli deveria ter ficado mesmo reserva ganhando 350 mil com encargos. Não sei responder. Victor Luís veio começou bem e depois caiu muito. Teve uma operação de apendicite no meio. - disse, e completou.

- Caio Alexandre uma grata surpresa. Nazário estava bem e caiu. Babi e Pedro Raul vieram de graça, 23 anos , 1,92m e a noite e a farra consumiram eles. Rhuan decepcionante. Éber Bessa, Angulo, Davi Araújo, Renteria, Lecaros, todos baratos e ninguém deu certo. Tentamos não ir em Rafael Moura 200, Thiago Galhardo 300, Thiago Neves 300, Vina do Ceará 200, pois não tínhamos dinheiro e vendo hoje talvez devêssemos ter arriscado - ressaltou.

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Por fim, Montenegro também analisou a vinda dos estrangeiros, que não renderam o esperado pela torcida e reafirmou que tentou sempre fazer o melhor pelo Botafogo: "Nunca me escondo. Não tem covardia no meu dicionário".

- Sobre os estrangeiros. A ideia era motivar o sócio-torcedor. E ter experiência com os garotos. Deu tudo errado. Honda só viu a torcida no aeroporto. Burocrata. Foi embora sem ninguém no aeroporto. Kalou aposta totalmente errada - afirmou Montenegro.

- Tenho certeza que tentei fazer o melhor. Tenho certeza que fui otimista demais e pessimista demais em outros momentos. Sei que deveria ter continuado de fora, mas meu jeito de ser acabou prevalecendo, sempre muito verdadeiro, com honestidade e acabei sendo um para-raios e ajudei a proteger todos em volta. Não tem problema. Erro e acerto. Nunca me escondo. Não tem covardia no meu dicionário - finalizou o ex-dirigente.