Do moicano ao passe decisivo: brasileiros 'abraçam' Neymar e agitam redes sociais por feito histórico do craque

Nathalia Almeida
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Desde quando era apenas um garoto estreando aos 16 anos de idade por um dos maiores clubes do mundo, Neymar jamais sequer flertou em ser unanimidade. Sua carreira, construída sob uma lógica muito pessoal e particular, sempre esteve sob olhares atentos e críticos dos 'especialistas da bola'. E não foram poucos os estigmas e estereótipos atribuídos ao brasileiro desde 2009, ano em que ele, com sorriso largo no rosto, se apresentou ao mundo do futebol.

Gênio incompreendido para alguns, garoto mimado para outros: agradar a todos nunca pareceu ser uma das pretensões do atacante nascido em Mogi das Cruzes, que decidiu por deixar o gigante Barcelona quando todos ao seu redor cravavam este movimento como equivocado. Apesar de seguir a sua vida pessoal e sua carreira profissional de acordo com a sua essência e vontades, trata-se de uma postura que sempre lhe cobrou caro: rótulos e mais rótulos junto à opinião pública. Antes, eles pareciam machucar e 'tesourar' o melhor de Neymar, mas isso parece ter mudado em 2019/20. Nessa temporada, estamos vendo a versão mais 'despreocupada' de Neymar em relação ao seu entorno, em relação à manchetes, holofotes e senso comum. E é justamente com essa atitude que ele tem conseguido atrair mais gente a seu favor.

Horas antes da bola rolar pelas quartas de final da Champions entre Paris Saint-Germain e Atalanta, havia um 'mar de Neymares' nas redes sociais: gente de todos os tipos, origens e classes, famosos ou anônimos, usando uma foto antiga do camisa 10 como avatar, em uma manifestação coletiva de apoio ao brasileiro antes do confronto decisivo. De torcedores 'desconhecidos' dos mais variados clubes nacionais, passando por influencers famosos e chegando em companheiros de Seleção Brasileira como Richarlison, Neymar foi abraçado de uma forma que não havia acontecido nem mesmo antes da Copa do Mundo 2018, quando correu contra o tempo para viajar à Rússia e jogou no sacrifício após uma grave lesão no pé. A retribuição ao apoio maciço veio no novo penteado - voltou ao moicano a pedidos -, e na grande atuação contra o clube de Bérgamo, para delírio de uma verdadeira multidão: uma assistência e participação direta na construção do gol da vitória.

Há muitas explicações possíveis para essa 'repentina' mobilização em torno do camisa 10: a carência de ídolos/referências vivida pelo torcedor brasileiro nas últimas décadas; a ambição popular para que o Brasil volte a ser protagonista, ocupando o posto mais alto de um pódio ou premiação; o amadurecimento do jogo do camisa 10, agora mais coletivo e consciente nesta temporada; o seu grande carisma capaz de encurtar distâncias e inspirar jovens que sonham com o futebol brasileiro; a facilidade de identificação com a brasilidade de Neymar em seu estilo moleque e brincalhão, que se manifesta em cada TikTok recente postado por ele. Não dá para cravar quais desses fatores de fato alavancaram o 'fenômeno Neymar', mas a verdade é uma só: o clima nunca esteve tão positivo para que ele faça história e conduza o Paris ao tão sonhado título europeu.