Modric: maestro da Croácia, próxima adversária do Brasil, é 'parça' de brasileiros

Casemiro foi sincero. Quando ainda havia dúvidas sobre qual meio de campo Tite formaria na Copa do Mundo, com Lucas Paquetá ou Fred, jornalistas que acompanham a seleção brasileira perguntaram com quem ele se sentia mais à vontade para jogar. A resposta surpreendeu.

— Kroos e Modric — respondeu, arrancando risos dos presentes.

A parceria dos tempos de Real Madrid ainda está viva na memória e o volante, hoje no Manchester United, experimentará uma circunstância nova nas quartas de final da Copa do Mundo. Tão à vontade em ter Luka Modric como companheiro de equipe, eles serão adversários sexta-feira, no Cidade da Educação.

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Foram dez anos vestindo a mesma camisa. Das 336 partidas disputadas por Casemiro pelo time espanhol, em 269 ele teve o camisa 10 da Croácia ao lado, tabelando, comunicando-se apenas pelo olhar, o que somente o entrosamento adquirido ao longo do tempo permite.

Os dois formaram com Toni Kroos o que muitos consideram o melhor meio de campo de todos os tempos. Conquistaram 18 títulos juntos (os principais): três campeonatos espanhóis, cinco Champions League e três Mundiais de Clubes.

O convívio extrapolou as quatro linhas. Modric e Casemiro construíram amizade. O croata é um dos jogadores mais brincalhões do elenco e sempre se entrosou facilmente com os brasileiros. Marcelo, lateral-esquerdo, costumava chamá-lo de “Lukinha”. A sintonia com Casemiro não foi diferente.

— Eles se amam — resumiu Juan Castro, repórter do diário "Marca", da Espanha.

Esse carinho terá de ser deixado de lado, pelo menos por 90 minutos. Casemiro e Modric ocupam a mesma faixa do campo e, no Cidade da Educação, devem se esbarrar várias vezes ao longo das quartas de final. Impedir que o camisa 10 da Croácia tenha espaço para criar é fundamental para o Brasil avançar na Copa do Mundo. Um dos principais responsáveis por isso vai ser invariavelmente Casemiro.

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Será o primeiro jogo em que se enfrentarão para valer. Quatro anos atrás, estiveram em campo no amistoso entre as seleções, em Liverpool, preparatório para a Copa do Mundo de 2018. O Brasil venceu por 2 a 0, mas o que aconteceu na Rússia foi o contrário — os pentacampeões caíram nas quartas de final e os croatas foram à final. Modric jogou tanto naquele Mundial que venceu o prêmio de melhor do mundo.

Apesar da diferença de idade de sete anos, com o passar do tempo e dos títulos Casemiro passou a ocupar o mesmo patamar de Modric dentro do Real Madrid. Uma relação diferente da que outros brasileiros do elenco possuem com o croata.

Rodrygo mencionou Modric em uma postagem nas redes sociais e já disse ter o camisa 10 como referência paterna, uma vez que ele tem a a mesma idade de seu pai, o ex-lateral-direito Eric Goes: 37 anos.

Vini Jr. é outro que tem Modric como espelho, especialmente no aspecto técnico, com os cruzamentos e lançamentos de trivela sendo um fundamento que tenta copiar do croata. Dentro do vestiário do Real, o brasileiro está mais debaixo do guarda-chuva de Benzema. Modric é mais próximo de Rodrygo e do uruguaio Valverde.

— Modric sempre me ensina as coisas, dentro e fora de campo. Cada dia venho me aperfeiçoando com ele — disse Vini Jr.