A missão espinhosa do Bayern de Munique para chegar às semifinais da Champions

(AP Photo/Matthias Schrader)

O Bayern de Munique não esperava estar em desvantagem para o jogo de volta das quartas de final da Liga dos Campeões. Diante do Real Madrid, em seu estádio, a equipe alemã sofreu uma virada por 2-1 e terá de fazer um jogo impecável se quiser avançar no torneio.

A missão é delicada e envolve muita força de vontade para os comandados de Carlo Ancelotti. Se adiantar de alguma coisa, a espinha dorsal do Real é a mesma dos tempos do italiano, que era o treinador até 2015. E Zinedine Zidane também foi seu assistente no clube. Desde então, o francês ganhou respeito, uma Liga dos Campeões, um Mundial de Clubes da Fifa e está próximo de comemorar o título espanhol após cinco anos.

O Real só perdeu um jogo em casa até agora, contra o Celta de Vigo, pela Copa do Rei. Na ocasião, os galegos foram para a partida de volta em vantagem e seguraram um empate no Balaídos para ficar com a vaga na semifinal. É exatamente esta aproximação que o Bayern deve ter no duelo. Entretanto, há uma diferença sensível no time que pegou o Celta naquele dia: Zidane escalou um mistão para o confronto.

Nem tudo é má notícia para Ancelotti. Gareth Bale não joga na terça-feira pela Champions por problemas físicos. Ele sentiu dores na última semana e não atuou contra o Sporting Gijón na vitória por 3-2 dos madridistas. Grande parte da força ofensiva do Real se perde sem o galês, mas até onde sabemos, outros jogadores como Cristiano Ronaldo, Morata, Isco e Benzema podem balançar as redes de Neuer.

O Bayern tem de fazer basicamente o que tem feito na temporada toda dentro da Alemanha. Castigar a defesa adversária e pressionar ao máximo para tentar igualar o agregado. Se marcar duas vezes, já terá a vantagem psicológica. Aí entra outro aspecto: se defender com qualidade a ponto de não sofrer gols. Dentro do Santiago Bernabéu, convenhamos, isso é quase impossível de se projetar. É claro que os bávaros marcarão alguma vez, mas uma vantagem mínima só interessa se a vitória for por 3-2 em diante. Qualquer outro resultado abaixo disso elimina a equipe de Munique.

As prévias de escalação apontam que o Bayern pode entrar com a dupla Hummels-Xabi Alonso na zaga, já que Boateng foi poupado e está se recuperando de problemas na costela. O próprio Hummels ainda é dúvida (também por lesão) e pode perder a vaga. Thiago e Vidal na proteção como volantes. Bernat e Alaba apoiam pelas laterais. Do meio para a frente, força total: Robben, Müller e Ribéry armam para que Lewandowski conclua ao gol.

Por outro lado, o Real vem sem Pepe e com Nacho na defesa. E Isco na vaga de Bale. De resto, é o mesmo time que jogou na terça-feira passada na Allianz Arena. Zidane aposta que o tridente ofensivo será a sua principal arma para ficar com a vaga e chegar a mais uma semifinal europeia. Escalação por escalação, a do Real é mais forte, equilibrada e mais coerente com a realidade da temporada. O Bayern sofrerá com os desfalques defensivos e isso custará caro nos últimos 90 minutos. Diante de tudo isso, é seguro apontar o Real como favorito para vencer novamente.

Leicester x Atlético de Madrid

O outro duelo da terça-feira também tem bom potencial. Em casa, o Leicester está em desvantagem mínima de 1-0 e pode muito bem vencer em seus domínios para dar sequência ao grande sonho europeu. Por outro lado, o Atlético viaja para não levar gols e provocar um confronto burocrático e se possível, com placar zerado. Ao time de Diego Simeone, só interessa se defender. Caso haja uma chance para contragolpe, Griezmann pode resolver o confronto. Foi dele o gol de pênalti na ida, em Madri.

A mística envolvendo o Leicester é a única esperança para este confronto. Porque comparando os times, o Atlético leva enorme vantagem em todas as posições. É claro que houve uma reviravolta na fase de oitavas de final contra o Sevilla, mas agora os Foxes de Craig Shakespeare estão em maus lençóis e terão de fazer a mesma coisa diante de uma equipe que tem duas finais europeias nos últimos três anos e só fica atrás de Real Madrid e Barça no Espanhol. Além, claro, de ter Griezmann, um dos principais atacantes do cenário mundial no momento. Resta apenas confiar em Vardy, Mahrez e o bravo elenco que foi campeão inglês ano passado.

Mais uma vez, o Leicester é o azarão. E jogar sem favoritismo tem feito bem para estes jogadores.