‘Minotauro’ comenta sobre nova temporada do ‘Viver para Lutar’ e revela situação curiosa no Havaí

Nova temporada de ‘Viver para Lutar’ aposta na relação entre luta e cultura – Divulgação

Nesta segunda-feira (11), a terceira temporada da série ‘Viver para Lutar’ estreia no Canal Combate. No programa, Rodrigo ‘Minotauro’ viaja pelo mundo para mostrar e treinar as mais variadas artes marciais existentes no planeta. Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag. Fight, o ex-campeão peso-pesado do UFC e do Pride revelou que os novos episódios terão maior foco no contexto local dos países e como as lutas se relacionam ou têm influência sobre ele. Além disso, a lenda do MMA contou uma divertida história pela qual passou ao se submeter aos treinamentos de uma das modalidades que serão apresentadas pelo show.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Ainda que o foco de ‘Viver para Lutar’ continue sendo a exposição de diferentes artes marciais criadas e praticadas ao redor do planeta, esta temporada dará atenção especial à relação entre os esportes de combate e a parte cultural e, até mesmo religiosa, dos países. De acordo com ‘Minotauro’, a nova temporada da série promete mostrar desde a influência das lutas na alimentação do povo ao movimento migratório de africanos e árabes para países europeus, que impactam no perfil dos praticantes de artes marciais.

“A gente sempre mostrou muita luta, mas nessa temporada a gente focou um pouco mais em cultura. A gente deu uma puxada a mais na cultura local. Quanto a luta influenciou na cultura e quanto a cultura influenciou na luta. Trabalhamos com pesquisadores e historiadores para isso. A gente foi mais a fundo na comida grega, o quanto a luta influenciava. Eles até hoje comem muita proteína porque eles eram guerreiros, e precisavam ser fortes e grandes para guerrear e defender as fronteiras. Na França, a gente foi para um subúrbio de onde saem os melhores lutadores de Savate. E focamos bastante na miscigenação da França hoje em dia. O francês negro, os árabes, que estão tomando conta da França. Existe uma colônia árabe muito grande. E eles gostam muito do Savate. Tanto o árabe quanto o francês descendente de africano, eles amam o Savate. A gente pode ver pelo número de campeões (destas etnias). O programa não é só arte marcial”, explicou o membro do Hall da Fama do UFC.

Em entrevista exclusiva à Ag. Fight, Nikolas Fonseca – diretor da série – corroborou as palavras de ‘Minotauro’, e ainda revelou que o pedido para tal mudança partiu do próprio ex-lutador, que sentia a necessidade de ampliar os horizontes do programa. E, segundo ele, esta não será a única novidade da nova temporada de ‘Viver para Lutar’.

“Para estes seis novos episódios reforçamos o time de conteúdo e melhoramos as câmeras para chegarmos a uma textura ainda mais cinemática. Nós nos preocupamos ainda mais em mostrar a parte cultural dos países e suas crenças, em um pedido do próprio Minotauro, e seguimos com a excelência na escolha dos personagens, já que sempre queremos os melhores e mais importantes de cada arte. Outra novidade são as aberturas de cada episódio, elas agora trazem o Rodrigo (Minotauro) em alguma situação curiosa, às vezes engraçada, ficcional representando sua chegada em cada um dos lugares. No primeiro episódio, Coréia do Sul – Hapkido, por exemplo, Minotauro é levado a um encontro inusitado com o seu novo mestre coreano”, contou Nikolas Fonseca.

Graduada em ‘Lua’, Michelle deu trabalho para o ex-campeão do Ultimate – Divulgação

Um dos maiores ícones do MMA na história, ‘Minotauro’ acumulou um currículo invejável durante os 16 anos em que se manteve na ativa como lutador profissional. Porém, nem mesmo a experiência adquirida ao longo de todos esses anos foi capaz de preparar o baiano para o que lhe esperava no Havaí. Ao ser introduzido a Lua – arte marcial cujos segredos por muito tempo foram conhecidos apenas pela realeza havaiana e que se concentra em quebrar ossos e dobrar articulações –, Rodrigo sofreu nas mãos da especialista na modalidade, que estava encarregada de provar sua eficiência. O estilo de luta, praticado pelos guerreiros havaianos, ainda possui golpes pouco usuais a um ex-campeão do UFC.

“Eu cheguei lá para gravar essa luta particularmente e uma mulher nos recebeu, e ela tinha uma unha enorme. Ela queria mostrar a eficiência da luta e falou: ‘Posso mostrar nele?’. E eu aceitei. Ela começou a dar uns golpes, umas cotoveladas, e eu tentando me defender. Aí, de repente, ela me deu uma cabeçada no nariz, um dedo no olho. Eu fechei o olho na hora, cortou a minha pálpebra. Se eu estivesse com o olho aberto, ficava cego. Ela me jogou no chão, pegou no meu saco e puxou, parecia que ia arrancar. Quando ela terminou a apresentação dela, o câmera falou para mim: ‘Poxa, se eu pegasse no ângulo lateral ficaria bem melhor, peguei muito de frente, você está muito em cima da câmera’. Aí eu virei para ela e falei: ‘Querida, você pode fazer de novo?’. Ela não acreditou (risos)”, contou o ex-lutador.

Produção da série ‘Viver para Lutar’ também encontrou dificuldades – Divulgação

E engana-se quem pensa que os problemas só acontecem durante as gravações. De acordo com o diretor Nikolas Fonseca, as dificuldades na produção da série começam no contato inicial com produtos locais e chegam até mesmo a reuniões com representantes dos governos dos países visitados. No entanto, apesar de algumas frustrações, o trabalho foi concluído com êxito.

“Nossa maior dificuldade é sempre a pré-produção. Começamos escolhendo as artes (marciais) e os países, e depois temos que encontrar produtores locais para cada episódio. Esta parte é crucial, pois este será nosso contato até o dia das gravações. Sempre viajamos com os roteiros fechados, mas algo sempre acaba saindo do controle. Nesta temporada, logo em nossa primeira gravação tivemos problemas com nossos produtores gregos, diferenças culturais. Nos Emirados Árabes (Unidos), esperávamos gravar nas escolas de ensino fundamental. Fiz reuniões pessoais por lá com representantes do governo e das escolas e no dia da gravação nos fizeram esperar por muitas horas para não liberar o trabalho. Isso é muito frustrante porque acaba com o planejamento”, relatou o diretor de ‘Viver para Lutar’.

A série é uma co-produção do Canal Combate com o UFC Brasil e a Mixer Films, e tem direção geral de Rodrigo Astiz e direção de Nikolas Fonseca. Dessa vez a equipe viajou rumo a seis países para contar histórias e experiências nas seguintes artes marciais: hapkidô (Coreia do Sul), savate (França), silat (Indonésia), kajukenbo (Havaí – EUA), pankration (Grécia) e jiu-jitsu brasileiro (Emirados Árabes Unidos). Os episódios da terceira temporada do ‘Viver para Lutar’ serão exibidos semanalmente, toda segunda-feira, às 20h30, pelo Canal Combate.

Leia também