Ministro das Comunicações propõe visitar jornais e sinaliza trégua entre governo e mídia

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Postagem foi feita no Twitter e recebeu críticas dos bolsonaristas. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Postagem foi feita no Twitter e recebeu críticas dos bolsonaristas. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O novo ministro das Comunicações, Fábio Faria, afirmou que pretende visitar as redações de jornais e redes de televisão para estabelecer um diálogo melhor entre o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e imprensa.

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A intenção foi anunciada nas redes sociais, na manhã desta quinta-feira (25), e foi prontamente reprovada pelos seguidores do presidente, que criticaram a tentativa de aproximação com o setor. Para alguns, o afago à mídia - alvo persistente dos ataques e rompantes de Bolsonaro - soou como “chantagem” ou “toma lá, dá cá”.

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Entre os veículos citados por Fábio Faria estão os jornais Folha de S. Paulo, Estado de São Paulo, a revista Veja, o portal UOL, além das emissoras CNN Brasil e Record. Não aparecem listadas a Rede Globo, principal algoz na visão dos bolsonaristas, ou a TV Bandeirantes. Outro ausente é o SBT, canal de Silvio Santos, sogro do atual ministro.

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“Essa é uma rotina que vou manter e ampliar, com visitas a todos os veículos, presencialmente ou por videoconferência. A relação entre a mídia e a administração pública aproxima nossas ações de todos os brasileiros”, completou Faria.

BOLSONARO BAIXA O TOM

A sinalização de Faria segue um tom pacífico adotado por Bolsonaro desde a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Persistindo na sua linha mais moderada, Bolsonaro afirmou nesta quinta que o “entendimento” entre ele os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), dias Toffoli, do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) aponta para “dias melhores” no Brasil.

Sinal de 'trégua' proposto pelo ministro é alinhado ao novo tom moderado adotado por Bolsonaro desde a prisão de Queiroz. (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)
Sinal de 'trégua' proposto pelo ministro é alinhado ao novo tom moderado adotado por Bolsonaro desde a prisão de Queiroz. (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

"Esse entendimento, essa cooperação bem revela o momento que vivemos aqui no Brasil. Eu costumo sempre dizer quando estou com o presidente Toffoli, também com o Alcolumbre, ao Maia que são presidentes da Câmara e do Senado, que nós somos pessoas privilegiadas. O nosso entendimento, sim, em um primeiro momento, é o que pode sinalizar que teremos dias melhores para o nosso país", afirmou Bolsonaro em discurso durante evento no Palácio do Planalto.

A fala de Bolsonaro vai de encontro com sua postura recentemente de enfrentamento aos outros poderes. O presidente tem suavizado suas declarações desde que a prisão de Queiroz se “aproximou” do Palácio do Planalto uma vez que o ex-assessor foi encontrado na casa de Frederick Wassef, ex-advogado e amigo de Bolsonaro.

Elogiados pelo presidente, Toffoli, Alcolumbre e Maia estavam presentes no evento. O presidente também fez um aceno apaziguador aos ministros do STF, que virou alvo de muitas críticas por parte dos bolsonaristas depois do avanço do inquérito das fake news.

"Obviamente entra mais gente nesse entendimento, que são os deputados, senadores, os demais ministros do Supremo, nossos colegas do STJ, servidores. Que somente desta forma, com paz, com tranquilidade, e sabendo da nossa responsabilidade, que nós podemos sim colocar o Brasil naquele local que todo mundo sabe que ele chegará", concluiu Bolsonaro.

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