Ministra dos Esportes da França cobra seleção do país a se manifestar sobre braçadeiras "OneLove"

Torcedores da Bélgica com camisa do movimento "OneLove" em estádio da Copa do Catar

Por Julien Pretot

DOHA (Reuters) - O ministra francesa dos Esportes, Amelie Oudea Castera, cobrou nesta quinta-feira a seleção de futebol do país a se fazer ouvir em meio a uma disputa sobre a ameaça de sanções da Fifa para os times que usarem a braçadeira de capitão do movimento "OneLove" na Copa do Mundo do Catar.

Na quarta-feira, todos os jogadores da seleção da Alemanha colocaram suas mãos sobre a boca diante de dezenas de fotógrafos em campo antes do pontapé inicial de sua partida contra o Japão, depois que a Fifa ameaçou punir sete times europeus se eles usassem a braçadeira simbolizando diversidade e tolerância.

A França não está entre as sete equipes, com o presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF), Noel Le Graet, dizendo que "seguiria as diretrizes" da Fifa.

"Penso que a decisão da Fifa de proibir a braçadeira ´OneLove´ será discutida por um tempo. Eu gostaria que tivesse havido um espaço para a liberdade total? A resposta é claramente sim", disse a ministra ao canal de TV pública Public Senat.

"Ainda existem espaços de liberdade onde nossa equipe francesa possa continuar a expressar seu compromisso com os direitos humanos? A resposta é sim. Os alemães estão mostrando isso", acrescentou.

Enquanto os jogadores e o treinador da França, Didier Deschamps, disseram que estavam apenas fazendo o que lhes foi dito, Oudea Castera afirmou esperar que as coisas possam mudar.

"Ainda temos semanas pela frente nas quais eles podem ser livres para se expressar, para usar esses espaços de liberdade para levar suas mensagens", afirmou.

"Eles também têm estes valores. Eles pertencem a um país que mantém esses valores elevados e é importante que eles os representem.

O meio-campista francês Matteo Guendouzi disse em entrevista coletiva que a seleção está no Catar "para jogar futebol e nos divertir em campo".

"Não somos insensíveis a esta situação, mas estamos aqui para jogar futebol", afirmou.

Perguntado se usaria a braçadeira antes do jogo de estreia da França contra a Austrália, que os franceses venceram por 4 x 1, o capitão Hugo Lloris havia dito: "A Fifa organiza a competição e define uma estrutura e regras. Nós, os jogadores, somos solicitados a jogar futebol, a representar nossos países da melhor forma possível em termos esportivos".

"Prefiro me manter dentro da minha estrutura, a de um jogador, mas existem de fato várias causas que são louváveis e que devemos apoiar. Mas, no final das contas, a Fifa decide sobre a organização".

As braçadeiras OneLove, destinadas a enviar uma mensagem de tolerância, conexão e oposição a todas as formas de discriminação, têm estado no centro das atenções mundiais desde que a Fifa ameaçou vários capitães de equipe europeus com cartões amarelos se as usassem para apoiar a causa LGBTQ no Catar, onde a homossexualidade é ilegal.

Bélgica, Dinamarca, Inglaterra, Alemanha, Holanda, Suíça e País de Gales recuaram, mas na quarta-feira a federação holandesa (KNVB) disse que os times estavam considerando em conjunto suas opções legais.