Milan finalmente é vendido a chineses e pode voltar aos tempos de glória

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Não tem sido fácil torcer para o Milan. Longe do protagonismo na Itália desde o título da Serie A em 2011, a equipe rossonera claramente atravessou um de seus piores momentos. Sob o comando de Silvio Berlusconi, a equipe perdeu relevância e mesmo montando elencos supostamente competitivos, não disputou competições europeias nos últimos anos.

Nesta quinta-feira, foi oficializada a venda para o grupo chinês Sino-Europe Sports, no valor de 740 milhões de euros. Após mais de 30 anos, o segundo maior campeão europeu sai das mãos da família Berlusconi para oxigenar sua diretoria e quem sabe mudar o clube de patamar. É certo que, pelo menos nesta década, o Milan é a quinta ou sexta força da Itália, algo que certamente não reflete a sua história como vencedor de 18 títulos da Serie A e sete taças europeias.

A desorganização e a vida atribulada de Berlusconi e seus familiares de certo atrapalharam o progresso da equipe. Neste interim de seis anos, apesar de não ter entrado em grave crise financeira, o Milan sofreu para se manter sequer no meio da tabela. Apenas em 2016-17, com Vincenzo Montella, o elenco pareceu reagir bem e brigar por vagas europeias. Mas o desempenho foi ruim se olharmos a posição do clube na Serie A.

Em 2012, foram vice-campeões atrás da Juventus, mas deste ponto em diante, um terceiro, um oitavo e um décimo lugar escancararam a decadência. Investidores chineses há muito tempo tentam entrar na direção da agremiação, algo que vinha sendo refutado insistentemente por Berlusconi. Contudo, como o próprio magnata não está mais nadando em dinheiro, foi melhor sair de cena para não piorar ainda mais as coisas, tanto para ele, quanto para o próprio Milan.

O retrospecto com Berlusconi é fantástico, há que se reconhecer. Foram 29 troféus em várias frentes nestes 31 anos com Silvio, tanto na Itália, quanto na Europa e até mesmo no Mundial de Clubes. Aos 80 anos, é evidente que o ex-primeiro ministro não tenha mais como direcionar tanta atenção e energia à sua rotina como mandatário milanista.

Apesar da projeção inicial ser de um Milan novamente rico e esbanjando contratações caras, há aí um empecilho: o Fair Play Financeiro da Uefa. Os rossoneri só poderão gastar o que arrecadam com receita. A injeção de dinheiro de forma desenfreada e injustificada não está permitida, a não ser que o clube acerte com um grande patrocinador ou seja um fenômeno ainda maior de marketing. Equalizar os gastos e as dívidas é o primeiro grande desafio dos chineses.

Yonghong Li e David Han Li são os nomes da SES nesta empreitada, que demorou mais de um ano para ser resolvida em virtude da demora no pagamento por parte dos chineses. Por esta razão e pelos motivos citados no parágrafo anterior, esperar um Milan milionário como nos anos 2000 é sonhar alto demais. Melhor aguardar o lento progresso e a adaptação dos novos dirigentes ao clube. O que parece certo é que eles preferem manter o status quo ao invés de promover uma revolução.

Ou seja: teremos mais alguns anos com o Milan meia-boca. Só mesmo na próxima década é que poderemos avaliar para quem foi um bom negócio essa transação. Se para os chineses, para a equipe ou para nenhum dos dois lados.