"Falaram que eu poderia me casar com o agressor", diz mexicana violentada no Catar

Paola é apaixonada por futebol e vivia o sonho de trabalhar na Copa do Mundo do Catar. Foto: Reprodução Twitter @paola7ka
Paola é apaixonada por futebol e vivia o sonho de trabalhar na Copa do Mundo do Catar. Foto: Reprodução Twitter @paola7ka

Um caso envolvendo a agressão de uma mulher está dando o que falar no Catar, país que vai receber a Copa do Mundo no fim do ano. Isso porque, a mexicana Paola Schietekat, funcionária do Comitê Supremo para Entrega e Legado do Mundial do Catar está vendo o sonho de uma apaixonada por futebol de estar perto do principal evento da modalidade se transformar em pesadelo.

A latina de 28 anos teve seu apartamento em Doha, invadido em junho do ano passado, por um conhecido, também membro da comunidade latina que mora no país árabe. Após entrar sem sua autorização, o homem que não teve seu nome revelado, agrediu e deixou marcas no corpo da economista.

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Mas o pior ainda estava por vir. Assim que se recuperou das agressões, Paola pediu ajuda do consulado mexicano e fez queixa na polícia contra o agressor. Horas depois foi chamada para retornar ao posto policial para esclarecimentos. Foi aí que começou uma violação de direitos da funcionária do comitê organizador da Copa.

“Em algumas horas, eu estava sendo interrogada em árabe por ter uma relação por fora do casamento. Foi o que o agressor disse. Isso automaticamente retirou a minha denúncia. Já não interessava mais a agressão, interessava uma relação extraconjugal”, contou a mulher.

O interrogatório durou três horas enquanto seu celular foi apreendido para investigação.

“Uma das primeiras coisas que me pediram foi uma prova de virgindade. O que inclusive é anticientífico e o conceito é muito agressivo, violento”, relembrou Paola.

Com a sentença decretada, o sistema jurídico catari determinou que Paola estava condenada a sete anos de prisão e pelo fato de ser muçulmana, ainda teria que receber 100 chibatadas. Foi quando uma “solução” foi oferecida para evitar a punição.

"Falaram que eu poderia me casar com o agressor e resolver esse problema", fato que deixou Paola ainda mais indignada e determinada a voltar ao seu país. Sem ajuda da diplomacia mexicana, ela retornou, mas quis levar a história adiante.

A segunda audiência aconteceu em fevereiro. Sem representação legal para defender a mexicana diante da Corte do Catar, Paola foi às redes sociais para tornar o caso público. Foi então que a Secretaria de Relações Exteriores do México entrou no caso para ajudar com uma nova defesa.

Outra audiência foi marcada para o dia 6 de março, mas não aconteceu pois o juiz queria a presença física da mulher agredida em Doha para realizar sua defesa.

Agora, já no fim de abril, uma boa notícia chegou para Paola. A justiça do Catar devolveu a acusação para a procuradoria, o que pode resultar no arquivamento da denúncia.

Mas nem tudo é motivo para comemoração, já que o agressor segue um homem livre.

Paola conta que desde o início do processo recebeu todo o suporte necessário do seu empregador, o Comitê Organizador da Copa.

Esse não é o primeiro caso polêmico envolvendo o país sede da Copa do Mundo. Inúmeras críticas às condições dos trabalhadores e à repressão de minorias no Catar são cada vez mais comuns.

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