Meu 10 veste 5: Casemiro se torna jogador mais cerebral da seleção brasileira na Copa

Quem poderia imaginar que dos 26 convocados, com nove atacantes, o Brasil teria, em duas rodadas, um volante como o atleta mais cerebral da seleção. Pois é isso que Casemiro se tornou nesta Copa do Mundo, sobretudo com a ausência de Neymar, que o definiu como “o melhor volante do mundo há muito tempo”. Não é exagero dizer que o camisa 5, na prática, faz papel de 10.

Se contra a Sérvia já havia sido importante para um jogo contra uma defesa fechada, diante da Suíça não foi diferente. Agiu como bombeiro e apagou os incêndios por toda parte do campo, tornando-se o atleta brasileiro que mais correu em campo nas duas partidas (22 KM) no Catar. Mas foi além.

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Casemiro também é o jogador do Brasil que mais finalizou nesta primeira fase, cinco vezes, duas ontem, uma delas que terminou no fundo da rede após desvio na zaga. O sinal da criação está nos números que também lidera como quem mais tentou quebrar linhas, com mais passes verticais.

O brilho criativo também está em uma estatística que se refere a quando o jogador aparece como opção dos companheiros para receber a bola. Em resumo, quando não tem a posse, Casemiro é quem mais se apresenta para jogar pelo Brasil. São 164 movimentos, 88 no primeiro jogo, 76 no segundo.

— Meu objetivo primeiro é dar equilíbrio à equipe, apagar o fogo por todo lado. Mas quando joga contra uma equipe defensiva tem que sentir ao longo do jogo. Depois de ajudar o meio e os laterais, se tiver oportunidade de beliscar lá na frente também é importante. Meu pensamento é sempre estar bem posicionado — ensina Casemiro, eleito pela Fifa o melhor da partida.

Bombeiro e aspirador

O jogador recebeu o apelido de bombeiro do técnico Carlo Ancelotti no Real Madrid, e recentemente o lateral-esquerdo Filipe Luís disse que o volante da seleção trabalha como um aspirador, que “está sempre limpando a sujeira do campo” e “sempre onde tem um problema, ele está ali”.

Além desses atributos, estar bem posicionado e marcar gols é uma tônica da atual fase de Casemiro na seleção brasileira. Os seis gols com a camisa do Brasil aconteceram no ciclo para a Copa do Mundo do Catar, a partir de 2018. Neste Mundial, os números ofensivos chamam mais atenção que os defensivos: são quatro chutes a gol em dois jogos, dois no gol e um na trave, 85% de acerto no passe, além de quatro desarmes e 12 bolas recuperadas, 10 no primeiro jogo e duas no segundo.

Há, entretanto, duas formas de ver a atuação do meio-campo em perspectiva com a do restante da equipe. Como enfrentou um adversário que em muitos momentos marcou baixo, o camisa 5 atuou mais perto na segunda linha de marcação da Suíça, área congestionada. Por isso se movimentou muitas vezes em direção aos zagueiros quando estes não conseguiam armar o jogo. Coisa que Fred quase nunca vez. E que Paquetá teve dificuldade antes de ser substituído.

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No segundo tempo, com Rodrygo e Bruno Guimarães em campo, Casemiro se apresentou mais ao ataque, e participou de algumas combinações de jogada pelo lado esquerdo, até sair o gol. Na hora de avaliar a atuação do meio-campo, primeiro Tite concordou com Neymar sobre Casemiro ser o melhor volante do mundo, em seguida passou a bola para o auxiliar César Sampaio, que ajuda nos treinos do setor defensivo.

— Você tem um jogador que faz o pivô central, e as jogadas se apresentando, ele chega como elemento surpresa vindo de trás. O Casemiro estando lá é facilmente marcado, mas ele chegando de trás, vai finalizar —, disse o treinador.

— Na fase defensiva é a referência para a linha de quatro. Ele faz essa gestão deixando sempre esse primeiro filtro. Na fase ofensiva tem o apoio curto para os outros dois do meio, e ele também tem essa virtude do chute de média distância, que é um diferencial da posição —, complementou César Sampaio.