'Messias' na Coreia, naturalização e presentes curiosos: Cesinha abre o jogo ao L!

Rodrigo Portella*
LANCE!


Após jogar por Corinthians, Bragantino, Atlético Mineiro e Ponte Preta, o futuro dele estava fora do país. Cesinha, camisa 11 do Daegu, time da Coreia do Sul, já teve seu pé gravado na área dos ídolos do clube e é chamado de "messias" pelos torcedores. Ele participou de uma live no Instagram do LANCE!


O ex-atacante assumiu que precisou recuar um pouco para encontrar seu auge futebolístico no meio de campo. Escolhido como jogador da temporada em 2018 na posição e tendo ajudado o clube a subir de divisão logo em suas primeiras temporadas, ele disse que não contava com tamanha repercussão.

Cesinha - Daegu
Cesinha - Daegu
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Cesinha foi eleito o melhor atleta do campeonato nacional em 2018 (Divulgação)

- Foi doideira. A gente espera sempre fazer um ótimo trabalho, mas, a forma que foi aqui, eu não esperava. Em cheguei em 2016, já tive participação na subida para a elite do futebol coreano, nos mantivemos bem em 2017 e 2018 ganhamos o primeiro título do clube. Conseguimos também a primeira classificação para a Champions League, em 2019, algo inédito - disse ele, que ainda lembrou a diferença entre o esporte em relação ao Brasil.

- É muito diferente. Aqui eles gostam de correr o tempo todo, querer contato o tempo todo. No Brasil, é mais tranquilo, eles tocam a bola com o time, procuram ficar com a bola. Aqui é ataca e defende. Se chega um centroavante e marca 30 gols, ele só vai somar ao time se marcar o tempo todo, correr, dando carrinho, brigando. Sendo assim e marcando cinco gols no ano, está ótimo.

Além da boa relação com o país asiático, ele acredita que esteja no melhor momento de sua carreira. Famoso na Coreia, ele acredita que seu futuro esteja na consolidação de sua carreira no continente. Sobre trocar de nacionalidade e vestir a camisa da seleção local, ele abre as portas.

- Se dependesse de mim, já estaria (naturalizado). Imagina jogar uma Copa do Mundo pela seleção coreana. Penso sim, mas acredito ser muito difícil. Saíram muitas matérias sobre porque eu disse que toparia. Quem sabe futuramente? - comentou ele.






Durante sua participação na live, Cesinha lembrou que chegou "verde" ao país, mas ressaltou que não demorou para se adaptar. Embora ainda não fale coreano, ele disse que os atletas sul-coreanos tratam muito bem os brasileiros no time - além dele, o atacante Edgar. Sobre a tabelinha, ele disse que "rola samba" em campo junto do companheiro.

- Tive problemas com a comida, que é muito apimentada, e por comer pouca coisa. Em campo, foi bem tranquilo. Éramos quatro brasileiros, então nos ajudávamos bastante. O Edgar é um cara sensacional, como pessoa e jogador. Foi fácil se adaptar quando vê que a pessoa também quer. Dentro de campo também combinou bem. Era colocar a bola nele e gol.

Campeão da copa nacional na Coreia, o jogador já viveu momento inusitados no país. Ele disse receber o carinho dos torcedores e ressaltou a gentileza dos cidadãos locais. O jogador também sofre por não entender o que os fã falam com ele. Mesmo assim, ele confessa que já recebeu alguns presentes bem curiosos.

- Acabava o jogo e vinha aquele pelotão de gente querendo fotos e falando comigo. Eu não entendia nada e ficava concordando. Acontece sempre. Tenho muitos presentes. Eles entregam muita comida. Tem uma vitamina C aqui, como um refrigerante, é o que mais entregam. Doce, chocolate, quadro com a minha foto, montagem de fotos. O mais inusitado foi um jarro de barro tradicional, muito maneiro, guardei em casa. Ganhamos de tudo, até chuteira.

Titular da equipe, ele estará em campo no próximo domingo contra o segundo colocado da K-League, Jeonbuk. Os jogos acontecem aos sábados e domingos, às 16h30 e 19h no horário local (4h30 e 7h da manhã pelo horário de Brasília).









Leia abaixo outros assuntos abordados com Cesinha no "De casa com o L!":

Torcida coreana

Os torcedores brasileiros têm muito o que aprender com os sul-coreanos. Eles são fantásticos, vão para o estádio para fazer festa, levar a família e curtir o futebol. Se ganha ou perde, eles querem tirar uma foto, te dão presentes, principalmente as crianças. São carinhosos e te abraçam de uma forma curiosa.

Encontro com ídolo Cristiano Ronaldo


Foi fantástico. Fiz uma ótima temporada em 2018 e entrei como melhor meio-campista do campeonato. A Juventus (ITA) foi fazer um amistoso e o torcedor escolhia um atleta de cada time para participar. Fui o segundo mais votado pra jogar. No jogo, imagina o sonho.

Na hora que fiz o gol, eu já tinha em mente que comemoraria como ele. Não por desaforo, mas para homenagear. Fiz o gol, fiz a comemoração e bombou de um jeito que nem eu esperava. Na hora que fiz o gol, eu já estava pela direita. Em seguida acabou o jogo e já fui de frente com ele. Deu para se entender legal, ele foi bem carinhoso comigo. Falou para eu manter o foco que estaria crescendo. Era a noite que eu queria que não acabasse nunca.

Expectativa para temporada 2020
Espero de fazer um ótimo campeonato. Sempre venho com a expectativa de estar focado em ser o melhor meia do campeonato e esse ano não é diferente. Líder de assistência, seleção da rodada no fim do ano. Isso me motiva.

Preocupação com os familiares no Brasil


Não consigo acompanhar muito o noticiário do Brasil. Ligamos a TV e só se fala de coronavírus, mas tentamos a ver como está. Com sou do interior de São Paulo, não tem nenhum caso na minha cidade. O pessoal está mais seguro e eu fico mais aliviado.

'Messias' na Coreia
O primeiro cartaz com o meu rosto em vi em uma final da Copa , onde ganhamos. Eu olhei e vi aquela foto pedindo para nos salvar. Até perguntei o que era aquilo. Você se sente um jogadoraço com todo esse carinho. Ver aquilo foi muito bom, até para o ego.











Cesinha - Daegu
Cesinha - Daegu

Brasileiro virou figura religiosa para torcedores sul-coreanos (Divulgação)

Comparação com argentino Agüero
Me chamavam de “Daguero” (união do nome do clube com o nome do atacante do Manchester City). Só que nessa brincadeira de platinar o cabelo, foi caindo muito cabelo e parei (risos). Me chamavam de Super Saiyajin (em referência ao guerreiro da animação "Dragon Ball"). A minha fase era muito boa e eles brincavam. Com o cabelo preto, pedem para eu voltar.

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*sob supervisão de Tadeu Rocha





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