Mesmo em crise, CBHb sonda treinador espanhol que comanda equipe alemã

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Antonio Carlos Ortega durante jogo do Hannover-Burgdorf em 2018 (Florian Pohl/City-Press via Getty Images)
Antonio Carlos Ortega durante jogo do Hannover-Burgdorf em 2018 (Florian Pohl/City-Press via Getty Images)

Por Alessandro Lucchetti (@Alessandrolucc)

As notícias não são boas para o handebol brasileiro: teme-se que Manoel Luiz de Oliveira volte à presidência da CBHb. O dirigente, que assumiu o cargo em 1989, afastou-se em abril do ano passado. Ele utilizou uma licença médica para se desvincular, mas na verdade se antecipou a uma decisão judicial que o desbancaria.

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Oliveira é alvo de denúncias de desvio de recursos federais que foram repassados à CBHb para a organização do Mundial feminino de 2011, cujas fases finais ocorreram em São Paulo. A notícia de que os processos contra Manoel foram transferidos de Brasília para Sergipe foi publicada pelo blog “o esporte passado a limpo” na última quarta-feira. O dirigente pleiteava essa transferência, talvez por que seus advogados entendam que as chances de vitória sejam maiores com esse movimento.

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As lideranças do handebol, entre os jogadores, perturbaram-se com a perspectiva da volta de Manoel. No entanto, uma das principais, o capitão da seleção, Thiagus Petrus, não cogita a hipótese de promover um boicote. “Vou jogar pela seleção brasileira sempre que me chamarem. Mas a gente não se omite mais. O que tivermos que falar sobre a gestão da CBHb, nós falaremos, sem temer tentativas de intimidação”, disse o jogador do Barcelona. “A volta do Manoel é uma das piores coisas que poderiam acontecer com o handebol brasileiro. Se ele roubou ou não, terá que provar na Justiça. Mas o que sabemos é que a imagem dele não é boa para o nosso esporte”, acrescentou.

Petrus diz que Manoel está difundindo uma mensagem de que não pretende se manter no cargo no caso de a Justiça de fato o recolocar no poder. “Ele tem dito aos quatro ventos que só quer assumir o cargo para em seguida antecipar as eleições à presidência e se retirar, alegando motivos de saúde. Nesse caso, o retorno dele não seria tão problemático. Mas a gente nunca sabe o que se passa de fato na cabeça dele, porque ele anuncia coisas e depois muda de ideia”.

Nem só de más notícias, no entanto, vive o handebol brasileiro. Fontes ouvidas pela reportagem do blog Mundo Olímpico dizem que o atual presidente da CBHb, Ricardo Souza, sonda o treinador espanhol Antonio Carlos Ortega, do Hannover-Burgdorf. O cargo está vago desde o mês passado, quando Ricardinho demitiu a comissão técnica comanda pelo treinador Washington Nunes. A decisão foi tomada depois da insatisfatória campanha nos Jogos Pan-Americanos de Lima, em que o Brasil conquistou a medalha de bronze após inesperada derrota na semifinal para o Chile. A seleção brasileira masculina ainda nutre esperanças de classificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, mas terá que torcer por uma combinação de resultados no Campeonato Africano e no Europeu para poder disputar um Pré-Olímpico.

As conversas com Ortega eram mantidas em sigilo, pois o contrato do treinador com o Hannover ainda não expirou, e a equipe está na disputa da Bundesliga, o campeonato alemão.

Petrus deu o seu aval a Ortega. “É um bom nome, não resta dúvida. Já treinou grandes equipes, como o Veszprém, da Hungria, e o Kolding, da Dinamarca”. Em território magiar, Ortega guiou seus comandados à conquista de três ligas húngaras e igual número de taças da Copa da Hungria. Como jogador, venceu a Champions League por seis vezes atuando pelo Barcelona, e tem no currículo o bronze dos Jogos Olímpicos de Sydney, defendendo a Espanha.

Os recursos para o pagamento dos salários do próximo treinador da seleção brasileira deverão sair dos cofres do Comitê Olímpico Brasileiro. A assessoria de imprensa da entidade confirmou ao blog que o repasse das verbas oriundas da Lei Piva está bloqueado por irregularidades na prestação de contas dos recursos recebidos. O último repasse efetuado data de 18 de junho deste ano. O blog apurou que as contas irregulares são as do Mundial Júnior de 2015, realizado em Belo Horizonte, mas o COB alega que não tem como confirmar essa informação no momento.

Membros da comissão técnica dissolvida após o insucesso no Pan dizem que a CBHb honrou todos os compromissos financeiros que tinha com eles. Procurados pela reportagem do blog, Oliveira e Ricardinho não responderam às solicitações por entrevistas.

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