Mercedes e Ferrari mantêm disputa acirrada no Bahrein

Por Raphaëlle PELTIER
O piloto da Ferrari Kimi Raikkonen, no Grand Prix de Xangai, em 9 de abril de 2017

Os mesmos atores em outro cenário: o duelo entre Mercedes e Ferrari vai continuar, no domingo, no Grande Prêmio do Bahrein de Fórmula 1, mas com condições diferentes das que garantiram a vitória do britânico Lewis Hamilton no último final de semana, na China.

A clima foi frio e úmido no circuito de Xangai. Em alguns momentos, a névoa perturbou os treinos livres da sexta-feira. Agora, em Bahrein, os pilotos podem esperar muito calor e secura em Sakhir, no meio do deserto.

As condições favorecem a Ferrari, segundo Hamilton. Até agora, Mercedes e Ferrari foram as protagonistas, com uma vitória cada um: Hamilton, na China, e Vettel, na Austrália. Os dois lideram a classificação do mundial de 2017.

"A Ferrari rende muito bem em condições com mais calor", indicou Hamilton, tricampeão mundial (2008, 2014, 2015) depois da vitória em Xangai. O britânico indicou que a escuderia italiana foi bem na Austrália, onde a corrida foi disputada sob muito calor.

"Quando a temperatura sobe, a primeira corrida mostrou que não é o melhor para nós", afirmou Hamilton, que não ficou satisfeito com seus pneus em Melbourne.

Mesmo assim, a Mercedes é quem tem, segundo o próprio Hamilton, "o motor que mais rende entre os carros". A escuderia alemã venceu os últimos três circuitos de Bahrein, onde a pista tem muitas retas de alta velocidade.

- Wehrlein retorna -

Na disputa dos prognósticos, Vettel optou mais uma vez pela modéstia, depois do segundo lugar no GP da China.

"Se conseguirmos desafiar a Mercedes outra vez, vai ser uma ótima notícia. São muito, muito fortes. Se pudermos estar próximos, vai estar bom", falou o alemão. "Acho que devemos nos preocupar com nós mesmos. Ainda precisamos melhorar algumas coisas", afirmou Vettel. O piloto ainda revelou que se vencer em Bahrein vai ser uma surpresa.

Distante da briga entre as duas escuderias referência neste início de temporada, os olhares estarão dirigidos para Pascal Wehrlein. O jovem alemão de 22 anos volta a pilotar a Sauber, depois de renunciar disputar as duas primeiras corridas.

O piloto explicou que teve poucos treinos após sofrer um acidente, em janeiro. Wehrlein se recuperou da fratura de três vértebras.

O belga Stoffel Vandoorde (McLaren-Honda) retorna ao local onde correu seu primeiro GP, onde substituiu o espanhol Fernando Alonso no ano passado. Vandoorde terminou em 10º e conseguiu o primeiro ponto na principal categoria de automobilismo do mundo.

"Um ano depois, a situação é muito diferente. Não é fácil para nós esse momento, mas me sinto bem e espero que possamos demonstrar o que conseguimos progredir", afirmou o belga.

- Button em Mônaco? -

Com o anúncio de Alonso de participar das 500 milhas de Indianápolis, dia 28 de maio, Hamilton afirmou que gostaria de ver o compatriota Jenson Button no grid, já que o espanhol vai perder o GP de Monaco.

"Espero que Button volte. Acho que o retorno dele seria incrível para a F1. Gosto dele e acho que continua sendo um dos melhores pilotos, com maior calibre que os outros candidatos à vaga", comentou Hamilton.

Hamilton se impressionou com a decisão do espanhol: "Eu não faltaria uma corrida da F1 por isso, mas gostaria muito de correr uma MotoGP. E também Nascar, Daytona 500, por exemplo. Nós, pilotos, deveríamos poder participar de corridas em várias categorias", concluiu o britânico.

Alonso vai participar da 500 Indy porque quer ser "o melhor piloto do mundo".

"A possibilidade apareceu esse ano e acho que é excitante tentar algo novo. Quero ser o melhor piloto do mundo e só tenho duas opções: vencer oito F1, uma a mais que Michael Schumacher, o que é pouco provável, ou ganhar corridas diferentes. Assim provo que sou um piloto que pode se impor em diferentes carros e circuitos", explicou o espanhol.