Melhor no país e fora da seleção, Gabi Zanotti prioriza sucesso do Corinthians

LUCIANO TRINDADE
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Muito do sucesso do time feminino do Corinthians nos últimos três anos, nos quais a equipe ganhou cinco títulos, incluindo dois Brasileiros e uma Libertadores, passa pelos pés de Gabi Zanotti, 36. Versátil, com excelente visão de jogo e poder de arremate de média e longa distância, a camisa 10 alvinegra foi eleita a melhor jogadora do último Nacional por jornalistas, técnicos e capitãs das equipes participantes, em votação feita pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Só faltou uma nova convocação à seleção brasileira para coroar a última temporada. Desde dezembro de 2019, ela não é chamada pela treinadora sueca Pia Sundhage. O motivo? A atleta não sabe explicar ao certo. "Sempre quando me fazem essa pergunta falo a mesma coisa: não sei. Talvez seja por opção da comissão técnica. Mas se alguém souber o motivo, me avisa", afirma Gabi em entrevista à Folha de S.Paulo. Mesmo com a frustração, ela diz que teve uma boa experiência quando foi chamada por Pia e aprova o seu trabalho. "A gente já vê algumas mudanças e evoluções na seleção brasileira. É uma treinadora que tem uma carreira brilhante." Convocada pela primeira vez em 2009, Gabi defendeu o país na Copa do Mundo de 2015 e conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto no mesmo ano. Atualmente, ela deixou de ter a seleção como sua prioridade. "Hoje, a seleção não vai fazer diferença na minha vida. Estou feliz no Corinthians, é onde eu realmente jogo com alegria, com prazer, isso é o mais importante para mim", declara. Neste sábado (17), o time alvinegro faz sua estreia na defesa do título do Campeonato Brasileiro diante do Napoli (equipe de Santa Catarina campeã da Série A2), às 20h, duelo que será disputado no Parque São Jorge e terá transmissão no site da CBF e no portal Mycujoo. Na equipe dirigida por Arthur Elias, a versatilidade da jogadora é explorada desde sua chegada ao clube, em 2018. Já atuou como volante, na conquista do Brasileiro daquele ano, e meia armadora, função desempenhada nas conquistas dos Paulistas (2019 e 2020), Libertadores (2019) e Brasileiro 2020. Também chama a atenção o espírito competitivo. É uma característica que foi despertada desde a infância, principalmente por seu avô Altemiro Zanotti. "Meu avô, que hoje não está mais aqui, era realmente um babão. Ele gostava de brincar comigo de fazer desafios. Falava que me daria tantos reais por cada gol que eu fizesse. Então, ele que incitou isso em mim, de ser uma atleta competitiva." No Brasileiro 2020, ela marcou 6 gols em 20 partidas. Um deles, na vitória contra o Cruzeiro por 4 a 1, foi eleito o mais bonito da competição, em votação aberta na internet -Pia Sundhage estava no estádio neste dia e viu a pintura, de fora da área. Além do avô, os pais também são os grandes incentivadores da carreira. A mãe, Nailza, chegou a jogar junto com a filha no Nacional de Itaguaçu, cidade do interior do Espírito Santo, terra natal da família. Gabi tinha 15 anos quando dividiu o gramado com a mãe, à época com 35. A corintiana jogava no ataque, enquanto Nailza era zagueira. "Ela não aliviava nem para mim. Era competitiva também. Está no perfil da família", conta a camisa 10. Durante seis anos, Gabi alternou entre o futebol de areia e o futsal, até fazer a transição definitiva para o futebol de campo já com 21 anos, época em que morava nos Estados Unidos e estudava na universidade Franklin Pierce, em New Hampshire. Para ela, apesar de os EUA terem mais estrutura para o futebol feminino, o Brasil leva vantagem no quesito mão de obra. "Os profissionais que a gente tem hoje no Brasil são melhores." A craque do Corinthians ficou empolgada ao ver o salto recente da categoria no país, principalmente em 2019, quando vários jogos atraíram um bom público para os estádios. No ano passado, com o início da pandemia de Covid-19, ela passou a temer pelo futuro da modalidade, sobretudo pela necessidade de ficar distante dos torcedores. "Depois, a gente conseguiu ver que não era uma situação tão preocupante para o futebol feminino porque, por mais que a gente não tenha o nosso torcedor ali perto, eles são muito presentes nas redes sociais e a gente sente a presença deles", diz. O sucesso em campo também permitiu ao Corinthians manter toda a base do elenco para esta temporada. Em recente entrevista à Folha, o presidente do clube, Duilio Monteiro Alves, disse que o departamento foi o único que não sofreu cortes no orçamento. De acordo com o cartola, isso ocorreu porque a modalidade atraiu novos patrocinadores. Gabi espera que não só o Corinthians, mas todos as equipes femininas do país, possam atrair cada vez mais investidores para que não haja uma dependência financeira dos times masculinos. "É isso que a gente quer daqui para frente para o futebol feminino. Ser referência para os outros clubes", finaliza.