Melhor do Brasil na Copa? Richarlison é protagonista porque entrega mais que gols

Como decidir quem é o melhor jogador do Brasil na Copa? Nas redes sociais, há defensores de Richarlison, alguns de Vini Jr. e muitos de Neymar. Não existe uma resposta correta, claro: é uma questão de gosto. Mas o que os números da Copa até aqui podem responder? O GLOBO tentou colocar diversos critérios em campo para chegar a um resultado e, por enquanto, quem está na liderança é o centroavante Richarlison.

Isso não significa que o centroavante seja o jogador mais talentoso do elenco. Mas o que os dados coletados no Mundial até agora indicam é que ele é, com alguma vantagem, o jogador mais importante do time.

Dois fatores contribuem para isso: Richarlison é o único jogador que está entregando em todas as áreas do jogo. Para essa análise, poderíamos privilegiar os atacantes e considerar apenas a produção ofensiva. Seria um caminho válido, mas poderia esconder a belíssima Copa de Casemiro, por exemplo. Com isso em mente, a alternativa foi incluir também outros fatores em uma mesma fórmula: entrega em campo, aplicação defensiva e, claro, produtividade.

No ataque mas também na defesa

É aí que surge a surpresa e a vantagem de Richarlison: ele lidera em quase todas elas. Ele está produzindo chances necessárias para marcar, está convertendo essas chances e, talvez mais importante, está se entregando para o time.

Ofensivamente, o camisa 9 está criando o necessário para marcar dois gols a cada três jogos da Copa. A expectativa de gols de Richarlison até agora é de 2,1, segundo o site FBRef, mas o atacante brasileiro já marcou três. Atenção também a esses números: contra a Coreia, o atacante só percorreu uma distância menor que Casemiro: foram 11,1 km. Contra os asiáticos, ele só deu menos sprints em campo do que Raphinha e, em 68 vezes, atingiu mais do que 25 km/h. Além disso, também foi o jogador que mais pressionou para recuperar a bola do adversário de todo o time do Brasil nas oitavas.

Richarlison está entregando mais do que gols: ele também é um dos jogadores que mais correm e mais se entregam pelo coletivo e pelo equilíbrio da equipe, características tão prezados pelo técnico Tite.

Não por acaso, o resultado também colocou o volante Casemiro à frente dos dois pontas do Brasil, Raphinha e Vini Jr., esses praticamente empatados. Raphinha está produzindo mais, mas convertendo menos. Porém, compensa na entrega: a velocidade média indica suas responsabilidades defensivas maiores que a de Vini. A Copa, entretanto, pode ser curta demais para a produção de Raphinha se transformar, finalmente, embola na rede.

A resposta definitiva, entretanto, é mais simples: o Brasil tem vários candidatos a melhor do time. E essa é a melhor notícia possível que o torcedor brasileiro poderia ter.