Medina é tricampeão mundial de surfe após ano de polêmicas e decepções

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***ARQUIVO***SÃO SEBASTIÃO, SP: O surfista brasileiro Gabriel Medina, tricampeão mundial da categoria. (Foto: Avener Prado/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO SEBASTIÃO, SP: O surfista brasileiro Gabriel Medina, tricampeão mundial da categoria. (Foto: Avener Prado/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Gabriel Medina passou o ano envolvido em tantas controvérsias que chegou a ficar em segundo plano seu excepcional desempenho no mar. Nesta terça-feira (14), ele voltou a colocar seu surfe em evidência, venceu a Liga Mundial pela terceira vez e incluiu seu nome entre os grandes campeões da modalidade na história.

O paulista de 27 anos conquistou o título de 2021 com um triunfo sobre o o compatriota Filipe Toledo, em Lower Trestles, no estado norte-americano da Califórnia. Vencedor também em 2014 e 2018, ele entrou em um restrito grupo de tricampeões e ficou atrás apenas do lendário norte-americano Kelly Slater, que soma 11 títulos, e do australiano Mark Richards, pentacampeão.

Há tempo para o brasileiro buscar Richards e, quem sabe, tentar se aproximar de Slater. Por ora, Medina só quer saborear o desfecho glorioso de uma temporada complicada. Houve algumas decepções, dentro e fora da água, até que ele pudesse levantar um troféu que reafirma e amplia sua importância no esporte.

O campeonato foi o primeiro que o atleta de São Sebastião disputou longe de Charles Saldanha, o padrasto que sempre chamou de pai. O casamento com a modelo Yasmin Brunet não foi bem recebido pela família do surfista, e o então bicampeão resolveu trocar a presença constante de Charles pelos conselhos do renomado treinador australiano Andy King.

Como se viu nos resultados apresentados na WSL (a sigla, em inglês, da Liga Mundial de Surfe), não houve prejuízo técnico. Medina foi acumulando finais e construindo uma vantagem enorme na liderança do circuito, mas suas notas elevadas perderam espaço no noticiário para sua briga com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro).

Por restrições ligadas à pandemia do novo coronavírus, ficou acertado que cada surfista só poderia levar uma pessoa aos Jogos Olímpicos de Tóquio. Gabriel bateu o pé na tentativa de que Yasmin fosse sua acompanhante, porém teve de viajar sem a mulher após uma negociação desgastante em que acabou derrotado.

No Japão, o brasileiro conseguiu ótimas ondas e avançou às semifinais do primeiro torneio olímpico do surfe na história, mas foi derrotado pelo japonês Kanoa Igarashi. Na disputa pelo bronze, perdeu de novo. E, enquanto Italo Ferreira comemorava o ouro, Medina e, especialmente, Yasmin esbravejam por discordar das notas aplicadas pelos juízes.

Terminados os Jogos, nova controvérsia. Medina anunciou que não competiria na etapa do Taiti do Mundial porque não tinha se vacinado contra a Covid-19, o que impedia sua viagem. Criticado pela escolha de não se imunizar, o brasileiro acabou não perdendo evento porque ele não aconteceu: como outros na temporada, foi cancelado por razões ligadas à pandemia do novo coronavírus.

"Foi um ano difícil, com muitas restrições, muitos bloqueios. Mas, pô, a WSL fez um trabalho superbom de manter todos seguros, cumprindo as regras. Então, fico feliz de a gente poder estar trabalhando com o que a gente trabalha. Não foi fácil para ninguém, no mundo inteiro", disse o atleta à Folha de S.Paulo às vésperas do triunfo decisivo.

Só foram concluídas 7 das 12 etapas previstas na fase de classificação. Delas saíram os cinco primeiros colocados que disputaram o título na Califórnia, em um sistema de mata-mata. Por ter a melhor campanha --e com ampla vantagem-, Gabriel já começou a disputa na final, à espera de seu adversário.

Filipe Toledo bateu Italo Ferreira e se credenciou a enfrentá-lo na decisão, no formato melhor de três baterias.

No meio da segunda bateria, quando Medina já vencia por 1 a 0, a disputa foi suspensa pela aparição de um tubarão de cerca de 1,80 m. Uma sirene de alarme tocou, e os surfistas foram colocados nos jet-skis, como é o procedimento padrão. Minutos depois, a final foi retomada.

Em uma final de altíssimo nível, Gabriel Medina usou a estratégia de apostar na onda seguinte à escolhida pelo adversário e ainda conseguiu completar um backflip (uma cambalhota de costas no ar) em uma de suas ondas. Saiu da água com duas vitórias seguidas (por 16,30 a 15,70 e 17,53 a 16,36) e o tricampeonato mundial.

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