Médica na luta contra a Covid-19, judoca argentina ouro no Rio se prepara para outra Olimpíada

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Paula Pareto comemora o ouro no Rio-2016. Foto: Valery Sharifulin\TASS via Getty Images
Paula Pareto comemora o ouro no Rio-2016. Foto: Valery Sharifulin\TASS via Getty Images

Quando era criança e começava no judô, Paula Pareto viu várias vezes pessoas usando uma camiseta que dizia: “hóquei é para meninas, rúgbi é para meninos e judô é para homens.”

Isso ficou no passado. Em grande parte por causa da judoca de 35 anos, o esporte se tornou uma mania entre mulheres do seu país. Pareto foi a primeira medalhista de ouro argentina na modalidade nos Jogos Olímpicos. Subiu no ponto mais alto do pódio em 2016, no Rio de Janeiro. Antes disso, já havia sido bronze em Pequim, em 2008 na categoria até 48 quilos.

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A carreira olímpica e os torneios internacionais são equilibradas com a residência em traumatologia no Hospital San Isidro, em Buenos Aires. Foi onde se entrincheirou na linha de frente do combate ao Covid-19 a partir do ano passado e a fez bater de frente com o presidente argentino, Alberto Fernández. Ela o criticou nas redes sociais quando o político disse que o sistema de saúde do país havia “relaxado” e por isso novas medidas de restrição eram necessárias.

Paula conversou com Yahoo Brasil no mês passado, por telefone, para falar também da preparação daquela que será sua última Olimpíada: a de Tóquio, em julho deste ano.

Como está a relação com o presidente Alberto Fernández após as críticas que você fez a ele?

Não temos relação próxima e não foi uma crítica pessoal. Tratou-se de uma declaração dele que considerei equivocada. Eu vi profissionais de saúde sem férias, sem dias de descanso, sofrendo com a falta de material hospitalar, mas trabalhando sem parar. Então, achei que naquele momento houve uma falta de respeito da parte dele com pessoas que dão tudo para ajudar os outros.

E como tem sido conciliar o treinamento tão próximo a uma Olimpíada com a residência no hospital?

Nas últimas semanas passei a me dedicar um pouco mais ao judô. Mas geralmente levanto às 6 horas da manhã e vou para o Hospital San Isidro. Fico por lá até o começo da tarde e depois vou para o treinamento.

Como tem sido se preparar para a competição mais importante para qualquer atleta e combater uma pandemia como a da Covid-19?

Eu não estou todos os dias na linha de frente e que sou chamada para os lugares onde se torna necessário, Algumas vezes é [no contato direto com pacientes], outras não. Mas somos todos parte da mesma equipe, de profissionais que estão no combate contra esse vírus.

Você alguma vez ouviu que a medicina poderia atrapalhar sua vida de atleta?

Muitas vezes! Quando decidi fazer medicina, houve quem dissesse que eu deveria escolher porque não eram duas atividades compatíveis.

E como conseguiu?

Com organização, se programando. Você precisa saber o que vai fazer em cada horário e ter disciplina.

A Olimpíada do Japão será sua última?

Será, até pela minha idade. Mas eu já disse outras vezes que seria minha última competição, então… Não sei. Mas acho que sim.

Como foi a preparação durante a pandemia e ainda com a necessidade de cumprir a residência no hospital?

Foi difícil. Eu não consegui praticar judô em boa parte de 2020 por causa das restrições e tive de improvisar atividades de força e agilidade em casa. Mas não é muito diferente do que outros judocas também sofreram. Não vou ficar me lamentando.

Você mudou a maneira como as mulheres viam o judô em seu país? Há mais garotas na Argentina praticando o esporte hoje em dia do que quando iniciou no esporte?

Não sei se eu mudei, mas creio ter ajudado. Quando eu comecei, era a única menina na academia.

Ouviu muitas vezes que mulher não deveria estar no judô?

Muitas vezes, não. Algumas, sim. Eu nunca dei muita importância a isso até porque a maioria sempre me tratou muito bem. Na academia, todos tinham muito cuidado comigo, achando que eu poderia me machucar e eu queria que eles me tratassem igual a todos os outros.

E por que começou no judô?
Por causa do meu irmão. Eu tinha nove anos e meu pai disse a ele que teria de aprender uma luta porque homem precisava aprender a se defender. Eu fui junto e nunca mais parei.

Mas em que momento chegar a Olimpíada começou a estar na sua cabeça?

Demorou um pouco. Eu lembro que se tornou algo mais palpável em 2007, quando eu já tinha 21 anos, e fui disputar o Mundial no Rio de Janeiro. Só consegui ir porque era perto e tinha conseguido juntar dinheiro. Eu fiquei em 5º e os cinco primeiros colocados se classificavam para os Jogos de Pequim. Demorei para entender o que havia acontecido.

E na China você já conquistou a medalha de bronze.

Foi loucura porque não esperava. Nós fizemos uma excursão por alguns países da Europa antes de ir para Pequim. Eu lutei muito mal e comecei a duvidar de mim mesmo. Disse que quando voltasse para a Argentina pararia com o judô. Só que eu ganhei o bronze. Não tinha como parar.

É justo dizer que a Olimpíada do Rio foi o momento que realmente mudou sua vida?

Creio que sim. Nenhuma judoca jamais havia sido ouro e foi algo incrível. O número de meninas interessadas no esporte aumentou muito. Quando voltei ao hospital, os pacientes chegavam com a perna quebrada e se preocupavam primeiro em tirar uma foto comigo. Era uma loucura, mas também uma recompensa. Eu deveria ter iniciado a residência no início de 2016, mas adiei para poder me preparar para os Jogos.

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