Mulheres fecham os Jogos Pan-Americanos sendo responsáveis por 43% das medalhas conquistadas pelo país

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Ana Marcela Cunha. (Foto: COB)
Ana Marcela Cunha. (Foto: COB)

Por Stephanie Calazans

Se há pouco tempo as mulheres eram negligenciadas no esporte e, até hoje, vive no inconsciente de muitos brasileiros que elas são inferiores aos homens em qualquer modalidade que disputarem, os Jogos Pan-Americanos de Lima vieram para derrubar esse mito e constatar uma realidade: as mulheres só precisam ser vistas – e incentivadas – para mostrarem ao mundo o seu potencial.

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O Brasil levou 485 atletas para disputarem 49 modalidades. Destes, 236 eram mulheres – o equivalente a 48% da delegação. É importante ressaltar que essa foi a equipe com maior número de mulheres inscritas. Com essa composição, o país somou 171 medalhas na edição deste ano e alcançou o segundo lugar na classificação geral dos Jogos, ficando atrás apenas do favorito Estados Unidos. A última vez que o Brasil terminou a competição tão bem colocado foi em 1963, para se ter uma ideia.

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Das 171 medalhas conquistadas, 74 vieram de mãos femininas – o que equivale a 43% das conquistas brasileiras premiadas com o pódio. Foram 117 atletas femininas a subirem em algum degrau do pódio, contando com as conquistas coletivas. O salto de mulheres ocupando cada vez mais um lugar entre os três melhores é gigante: em 2015, nos Jogos de Toronto elas subiram ao pódio 63 vezes, em 2011, em Guadalajara, 21 vezes e, no Rio, em 2007, 57 vezes.

Estes números e essa visível evolução deixam claro que quando há investimento no desenvolvimento do esporte feminino, há resultado. Elas ainda ganham um salário menor, ainda possuem menos visibilidade e ainda enfrentam bastante preconceito, mas quando têm oportunidade elas vão lá e mostram do que são capazes. Na edição dos Jogos deste ano, em Lima, no Peru, as mulheres mostraram que vieram não só para ganhar medalhas, mas para cravar seus nomes na história.

A dupla Martine e Kahena, da Vela, literalmente já abriu a competição com um marco histórico: foi a primeira vez que o Brasil escolheu mulheres para serem as porta-bandeiras na Cerimônia de Abertura dos Jogos. A quebra de um padrão machista e a representatividade feminina já começaram aí.

Mas, além dessa conquista simbólica, elas também ganharam dentro de sua modalidade, sendo campeãs da classe 49er FX da Vela. Com esse, elas agora possuem os maiores títulos da categoria: Olimpíada, Mundial e Pan-Americano.

Outro marco histórico foi alcançado dentro das piscinas. Na natação, o Brasil somou 30 medalhas (10 ouros, 9 pratas e 11 bronzes) e obteve o melhor resultado da história do país em Jogos Pan-Americanos. Etiene Medeiros é o grande nome da modalidade e chegou em Lima sendo a única brasileira da modalidade a ter um ouro na competição (100 metros costas no Pan de Toronto, em 2015). Ela não decepcionou e subiu novamente ao lugar mais alto do pódio, dessa vez nos 50m livre. Com essa, a pernambucana soma oito medalhas em Pan para a sua coleção.

Larissa Oliveira também caiu na água para fazer história e se tornou a nadadora brasileira mais vitoriosa no Pan. Com apenas 26 anos, a mineira que já tinha em seu currículo três pódios em Toronto (prata no 4x200m livre e dois bronzes no 4x100 livre e no 4x100 medley), conquistou mais cinco medalhas na edição deste ano: ouro no revezamento 4×100 misto, bronze nos 100m e nos 200m livre, e prata nos revezamentos 4x100m livre feminino e 4x100m livre misto.

Em águas abertas, foi a vez de Ana Marcela Cunha cravar sua marca e trazer uma medalha inédita para o Brasil: ela foi primeiro lugar na Maratona Aquática no Peru, cumprindo, pela primeira vez na história, a prova dos 10km. Ela, que já é a mulher com mais medalhas na modalidade nos Mundiais de esportes aquáticos (com dez), conquistou agora o primeiro pódio Pan-Americano da carreira e trouxe o primeiro ouro da história para o Brasil.

Saindo das águas e caindo nos tatames, Rafaela Silva fez bonito, mais uma vez, representando o judô brasileiro. Ela venceu a cubana Anailys Dorvigny e conquistou seu primeiro ouro Pan-Americano na categoria até 57 quilos. Ela agora soma quatro medalhas na competição e se tornou a primeira atleta brasileira a conquistar a “tríplice coroa” do judô, sendo campeã olímpica, mundial e, agora, pan-americana. Ela também foi a porta-bandeira do país na Cerimônia de Encerramento dos Jogos.

Entre as vitórias em que foi a primeira vez que uma mulher trouxe o ouro para o Brasil, temos Milena Titoneli, de apenas 20 anos, no Taekwondo, Bruna Wurts, de 18 anos, que conquistou o ouro na patinação artística e Beatriz Ferreira, subindo ao lugar mais alto do pódio na categoria até 60kg, no boxe. No triatlo, a conquista inédita e o primeiro ouro da modalidade vieram com Luisa Baptista.

Mas não foi só no individual que as mulheres alcançaram vitórias inéditas. Nos esportes coletivos, também. O handebol feminino, que está invicto há 36 jogos no torneio, foi hexacampeão nos Jogos de Lima, tornando-se a primeira seleção da história a conquistar um hexacampeonato consecutivo.

No basquete, as meninas viveram um jejum de 28 anos sem um ouro para coroar o esforço e a dedicação. Foram anos sofrendo com o descaso e com casos de corrupção dentro da Confederação que, consequentemente, influenciaram diretamente no resultado das atletas dentro de quadra. Esse ano, elas conquistaram o lugar mais alto do pódio e, com isso, puderam trazer visibilidade para lutar por melhorias para o esporte.

Elas sofreram com os poucos dias de treinamento antes da competição mas, mesmo assim, conseguiram o ouro – e de maneira invicta! Mais uma marca histórica importantíssima conquistada pelas mulheres do nosso país.

Confira abaixo todas as medalhas conquistadas pelas nossas atletas:

  • Luísa Baptista (Triatlo) – ouro

  • Vittoria Lopes (Triatlo) – prata

  • Bruna Wurts (Patinação Artística) – ouro

  • Talisca Reis (Taekwondo) – prata

  • Flávia Saraiva, Jade Barbosa, Thaís Fidelis, Lorrane dos Santos e Carolyne Pedro (Ginástica Artística) – bronze

  • Jaqueline Mourão (Ciclismo Mountain Bike Cross Country) – bronze

  • Ana Paula Verguts (Canoagem Velocidade K1 500m) – bronze

  • Luísa Baptista e Vittoria Lopes (Triatlo Revezamento Misto) – ouro

  • Flávia Saraiva (Ginástica Artística Individual Geral) – bronze

  • Milena Titoneli (Taekwondo) – ouro

  • Raiany Fidelis (Taekwondo) – bronze

  • Isabela Abreu e Priscila Oliveira (Pentatlo Moderno Revezamento) – bronze

  • Mariana Nep (Esqui Aquático Wakeboard) – bronze

  • Ângela Rebouças e Carolina Horta (Vôlei de Praia) – bronze

  • Handebol (14 atletas) – ouro

  • Flávia Figueiredo (Boxe) – bronze

  • Flávia Saraiva (Ginástica Artística Solo) – bronze

  • Jucielen Romeo (Boxe) – prata

  • Fabiana Silva e Tamires Santos (Badminton Duplas) – bronze

  • Samia Lima e Jaqueline Lima (Badminton Duplas) – bronze

  • Jaqueline Lima (Badminton Duplas Mistas) – bronze

  • Lena Ribeiro (Surfe Stand Up Race) – ouro

  • Beatriz Ferreira (Boxe) – ouro

  • Natália Gaudio (Ginástica Rítmica Individual Geral) – bronze

  • Deborah Medrado, Camila Rossi, Nicole Pircio, Vitória Guerra e Beatriz Linhares (Ginástica Rítmica Conjunto Geral) – bronze

  • Carolina Meligeni e Luísa Stefani (Tênis Duplas) – bronze

  • Ana Marcela Cunha (Maratona Aquática) – ouro

  • Viviane Jungblut (Maratona Aquática) – bronze

  • Érica Sena (Atletismo Marcha Atlética 20km) – bronze

  • Ana Sátila (Canoagem Slalom C1) – ouro

  • Ana Sátila (Canoagem Slalom K1 Extremo) – ouro

  • Chloé Calmon (Surfe Longboard) – ouro

  • Nicole Pacelli (Surfe Stand-Up Wave) – bronze

  • Deborah Medrado, Camila Rossi, Nicole Pircio, Vitória Guerra e Beatriz Linhares (Ginástica Rítmica 5 bolas) – bronze

  • Bia Bulcão (Esgrima Florete) – bronze

  • Bruna Takahashi (Tênis de Mesa Duplas Mistas) – prata

  • Bruna Takahashi e Jessica Yamada (Tênis de Mesa Duplas) – bronze

  • Deborah Medrado, Camila Rossi, Nicole Pircio, Vitória Guerra e Beatriz Linhares (Ginástica Rítmica 3 arcos e 2 pares de maças) – ouro

  • Bárbara Domingos (Ginástica Rítmica Fita) – prata

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