Voluntário em ambulância e até 17 horas de trabalho por dia: como jogador de rugby ajuda no combate ao coronavírus na Itália

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Maxime Mbanda posa para foto da Copa do Mundo de rugby de 2019. Foto: Chris Hyde - World Rugby/World Rugby via Getty Images
Maxime Mbanda posa para foto da Copa do Mundo de rugby de 2019. Foto: Chris Hyde - World Rugby/World Rugby via Getty Images

Por Leandro Tavares (@leandroptavares)

Maxime Mbanda estava em Roma com a seleção italiana de rugby no início de março. Se preparava para uma partida do Six Nations, contra a Inglaterra, que seria disputada no dia 14 daquele mês. Mal poderia imaginar que dentro de pouco tempo trocaria o uniforme e entraria em campo diante de um novo adversário: o coronavírus.

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No dia 9 de março, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, anunciou a suspensão das atividades esportivas no país devido à pandemia do covid-19. Maxime e seus companheiros souberam, a partir daquele momento, que não haveria nenhuma partida nos próximos dias. Voltou para a sua casa em Parma e lá se viu diante de um cenário desconhecido. Sem treinos, sem jogos, sem campeonatos…

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Foi então que tomou a decisão que mudaria a sua vida pelas próximas semanas.

“Me perguntei o que eu poderia fazer para ajudar minha comunidade apesar de não ter as habilidades necessárias como médico ou enfermeiro”, disse Maxime ao Yahoo Esportes.

Buscou na internet e leu artigos sobre como colaborar em meio à crise de saúde. Ele começou ajudando na distribuição de comida e medicamentos para idosos em Parma e logo depois passou a trabalhar como voluntário em uma ambulância, auxiliando no transporte de pacientes de um hospital a outro.

Curiosamente, o pai de Maxime é cirurgião e tentou de todas as formas convencê-lo a se tornar médico quando ele era mais novo. Sem sucesso. Ele se dedicou ao rugby desde os nove anos e fez do esporte a sua profissão. Por ironia do destino, hoje, aos 28 anos, o jogador é voluntário em um serviço de emergência médica.

“Fico com os pacientes, que obviamente estão assustados quando são transportados porque pensam que vão morrer. Muitos deles estão inconscientes e não entendem, a maioria deles está entubada por cilindros de oxigênio, mas com seus olhos eles conseguem fazer você entender suas emoções e seus medos”, contou.

“Durante o transporte tento substituir os parentes que deveriam estar na ambulância, mas que, por razões óbvias, não podem. Então eu tento confortá-los, segurar sua mão, acalmá-los, porque eu gostaria que, por exemplo, se minha mãe ou tia estivessem nessa situação em outra cidade com um voluntário, ele as tratassem como se fossem membros de suas famílias.” 

Nas primeiras semanas, Maxime trabalhou de 12 a 14 horas por dia na ambulância. Uma vez, precisou ficar incríveis 17 horas em ação. Agora, com a chegada de novos voluntários, a carga horária diminuiu.

A Itália é o terceiro país mais afetado no mundo pelo coronavírus - atrás somente de Espanha e Estados Unidos. Até o momento, o governo italiano contabiliza mais de 221 mil infectados e mais de 30 mil mortos pela Covid-19. 

Os números de novos casos vêm diminuindo lenta e gradativamente depois que as autoridades intensificaram as medidas de distanciamento social, mas Maxime adota cautela ao avaliar o cenário.

“A situação está melhorando lentamente. É impossível ter certeza, mas parece que os pacientes em UTIs estão diminuindo. Não devemos superestimar esse resultado e devemos permanecer humildes e com os pés no chão”, avaliou.

“Com certeza esta situação tem ensinado muitas pessoas. Há muitas coisas às quais atribuímos valores enormes, como roupas da moda, carros novos ou telefones celulares de última geração e que, quando estamos em casa, entendemos que são apenas acessórios. Neste momento, o que mais importa são saúde, família e amor.”

Desde que começou a ajudar na linha de frente do combate ao coronavírus, Maxime tem recebido diversas mensagens de apoio. O exemplo do italiano rodou o mundo nas últimas semanas e ele agora tenta convencer jovens do país a encontrarem maneiras de ajudar.

“Para nós, jovens que crescemos com as redes sociais, é fácil nos divertir hoje em dia. Além das várias atividades que podem ser feitas em casa, podemos manter contato com amigos e familiares nas redes sociais. Mas existem muitas pessoas idosas que ficam em casa sozinhas, algumas sem televisão, sem a possibilidade de conversar com ninguém.” 

“A mensagem é especialmente para os jovens: se você tem medo de se tornar voluntário, há muitas pequenas coisas que você pode fazer com total segurança, como pegar o telefone e ligar para um parente ou amigo da família que sabemos que é sozinho em casa. Uma ligação de até dez ou quinze minutos por dia não tiraria nenhum tempo precioso de nós, mas os ajudaria a passar por esses dias mais rapidamente, talvez com um sorriso”, completou.

Quando tudo isso passar, Maxime já sabe o quer fazer: viajar. Além de, claro, voltar a se dedicar ao rugby.

“Realmente sinto falta do rugby, é a minha vida. Mal posso esperar para voltar  ao campo e finalmente jogar, porque isso significa que estaremos fora de perigo.”

“Quero voltar a viajar, que é algo que eu amo. Começar, claro, por lugares na Itália porque teremos que ajudar nossa própria comunidade a se recuperar porque muita gente foi abandonada nesse período”, finalizou.

Enquanto esse dia não chega, Maxime seguirá em ação. Mas, por enquanto, em outro campo.

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