Novidade de Tite trabalhou em padaria, jogou na 4ª divisão e agora brilha em Portugal

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Matheus Nunes em ação pelo Sporting em Portugal (Foto: Jose Manuel Alvarez/Quality Sport Images/Getty Images)
Matheus Nunes em ação pelo Sporting em Portugal (Foto: Jose Manuel Alvarez/Quality Sport Images/Getty Images)

LISBOA (PORTUGAL) - Técnico-sensação em Portugal, Rúben Amorim não deixa Matheus Nunes relaxar durante os treinos do Sporting. Sempre que pode, encosta ao seu lado e, aos risos, o relembra que ele tem de correr um pouco mais para ‘pagar’ a sua contratação.

Não passa de brincadeira, claro, embora com algum fundo de verdade.

Natural do Rio de Janeiro, Matheus é hoje uma das grandes apostas do clube que catapultou nomes como Cristiano Ronaldo, Luis Figo e Nani no passado. A badalação em torno de seu nome é tamanha que, antes mesmo de estourar no grupo principal, ele viu o presidente Frederico Varandas cravar numa entrevista em 2020 que o luso-brasileiro ‘bancaria’ a multa rescisória recorde desembolsada para tirar Amorim do Braga.

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Ao todo, foram pagos 10 milhões de euros (R$ 63 milhões) pelo treinador.

Uma responsabilidade tremenda para o garoto que possui dupla nacionalidade e virou alvo de uma disputa entre Brasil e Portugal. Ele foi convocado por Tite nesta sexta (27) para defender a Seleção, mas também estava na mira dos portugueses. Um dia antes, o técnico Fernando Santos confirmou que observava o atleta.

“Já o observámos no ano passado e estava na nossa última lista de 40 atletas. Faz parte das observações da Seleção Nacional", afirmou Santos.

Até três anos atrás, Matheus ainda jogava na quarta divisão local e se dividia entre o futebol e a padaria do padrinho. Estava quase decidido a largar a bola.

Desde então, teve um crescimento fulminante e agora tem os seus passos ligados a clubes como Everton e Newcastle, ambos da Premier League. Ao que tudo indica, está cada vez mais próximo o dia em que a profecia de Varandas irá se cumprir e Matheus irá ‘pagar’ a contratação de Rúben.

E o melhor de tudo é que deverá ser com sobras.

O meio-campo é um desses talentos que escaparam cedo de qualquer radar no Brasil e se tornaram conhecidos somente no exterior. Muito rápido, dono de passadas largas e passes sempre em vertical, ele virou titular do Sporting nesta temporada e deverá ser uma das estrelas da equipe em sua campanha na Liga dos Campeões.

Se não deixar os lisboetas até o fechamento da janela de transferências, claro.

Agenciado pela TFM (antiga Traffic), ele conta também com o superagente Jorge Mendes para cuidar do seu próximo salto na carreira. É muito mais do que o adolescente que deixou o Brasil aos 13 anos e cresceu sem qualquer figura paterna sonhou um dia.

A despeito disso, os seus hábitos ainda conservam a mesma simplicidade do menino que mudou de casa dez vezes ao lado da mãe e dos irmãos no Rio de Janeiro e passou parte da vida na favela da Palmeira, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Mesmo com o frio considerável em parte do ano em Portugal, ele não abre mão do chinelo para onde quer que vá.

É talvez o seu maior traço de ligação com o Brasil em um coração que hoje divide espaço com Portugal e bate num ritmo mais cadenciado após superar tantos obstáculos ao longo de sua caminhada.

“Em 2018, eu não estava nem para aí para aulas e a minha família disse que tinha de começar a trabalhar ou largar o futebol. Fui para a padaria do meu padrinho, levantava às 5h e acabava às 18h para ainda ir treinar depois”, Matheus recordou em entrevista ao podcast ADN de Leão, do Sporting.

“Hoje é diferente, tenho pessoas que procuram casa para mim, por exemplo. Vim com 13 anos para Portugal e, no Brasil, fui nômade. Me lembro de chegar com as solas dos pés todas pretas de jogar bola na rua. Houve alturas em que não tive o que comer. A minha mãe às vezes ainda se admira com o fato de eu não ter ‘virado’ ladrão ou traficante de droga. Tive as pessoas certas comigo”, completa.

Não foram poucas as provações que o camisa 8 teve de superar fora de campo. Dentro dele, ainda teve de lidar com ‘nãos’ em testes em clubes como Leicester, Lille, Benfica e Braga.

Nada que tenha desviado o garoto que, durante parte de sua vida, serviu pães e bolos de seu destino natural: os grandes palcos europeus.

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