Mastercard e Ambev desistem de patrocinar Copa América no Brasil

·2 minuto de leitura
É a primeira vez que a Mastercard toma tal decisão desde que começou a patrocinar a Copa América em 1992, disse um porta-voz da empresa à AFP

A Mastercard e a gigante das bebidas Ambev anunciaram nesta quarta-feira que não estarão presentes na Copa América-2021 no Brasil, que está sendo questionada - inclusive na Justiça - devido ao avanço da covid-19 no segundo país com mais mortes no mundo.

A multinacional do setor de pagamentos afirmou em comunicado que, "após análise criteriosa", decidiu não "ativar" o patrocínio à Copa América-2021 no Brasil, retirando sua logomarca do torneio continental.

A decisão significa que a Mastercard não colocará sua logomarca em estádios ou material promocional no Brasil. No entanto, ele vai honrar o contrato como patrocinador do torneio, cujo valor não foi divulgado.

Um porta-voz da empresa disse à AFP que é a primeira vez que a Mastercard toma tal decisão desde que começou a patrocinar o campeonato sul-americano de futebol em 1992.

Mais tarde, o grupo brasileiro Ambev, que faz parte da gigante global AB Invev, informou em breve comunicado que "suas marcas não estarão presentes na Copa América".

"A empresa continua com seu compromisso e apoio ao futebol brasileiro", disse sem dar mais detalhes.

Os organizadores enfrentaram diversos obstáculos para concretizar esta edição da Copa América, o torneio de seleções mais antigo do mundo, que acontece desde 1916.

Depois de adiar a Copa América por 12 meses devido à pandemia, a Conmebol buscou um país-sede de emergência quando Argentina e Colômbia, os anfitriões originais, desistiram por conta do avanço da pandemia no primeiro e violentos protestos no segundo.

Correndo contra o relógio, já que a partida de abertura está marcada para este domingo, o presidente Jair Bolsonaro aprovou a realização da Copa no Brasil, país que já havia sediado a última edição do torneio continental em 2019.

No entanto, a decisão é polêmica: o Brasil foi duramente atingido pela covid-19, com mais de 475 mil mortes, o segundo pior saldo global em números absolutos.

Especialistas afirmam que o país enfrenta um novo surto da pandemia, com aumento de casos, e que a realização do evento esportivo que reúne dez nações pode piorar a situação.

O Supremo Tribunal Federal deve avaliar nesta quinta-feira dois pedidos para impedir a realização do campeonato, programado para ser disputado sem público em quatro cidades - Rio de Janeiro, Cuiabá, Brasília e Goiânia - de 13 de junho a 10 de julho.

Os recursos foram apresentados aos tribunais pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), de oposição, e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos e argumentam que o torneio representa uma ameaça contra a disseminação do covid-19 e pode "violar os direitos fundamentais à vida e à saúde".

jhb/jm/mel/ma/aam

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos