Martin Luther King, a igualdade ainda é um sonho

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(Foto: Dylan Buell/Getty Images for VIBE)
(Foto: Dylan Buell/Getty Images for VIBE)

Texto / Pedro Borges I Edição / Simone Freire

Conhecido pela luta por direitos civis para os negros norte-americanos, Martin Luther King é homenageado nos EUA no dia 20 de janeiro. Responsável pelo histórico discurso “Eu tenho um sonho”, Dr. King completaria 91 anos no dia 15 de janeiro.

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Formado em sociologia na "Morehouse College", em 1948, e doutor em Teologia Sistemática pela Universidade de Boston, Luther King ainda se faz muito presente no imaginário das pessoas negras dos EUA, e mesmo no Brasil.

Não à toa, o racismo ainda é um elemento bastante presente na vida dos afrodescendentes em ambos os países. Hoje, sob governos de extrema direita, como Trump e Bolsonaro, e com abertos discursos de ódio à comunidade negra em várias partes do globo, Dr. King certamente seria uma liderança ativa.

A história, pelo menos, aponta para esse caminho.

Ele também foi uma das referências, em 1955, na campanha de boicote aos ônibus da cidade de Montgomery, ato que começou em função do caso Rosa Parks, mulher negra que foi presa ao se negar a ceder seu lugar a um homem branco no ônibus.

O boicote durou 382 dias e foi vitorioso quando a Suprema Corte Americana declarou ilegal a discriminação racial em transportes públicos. Entretanto, durante este tempo, King foi preso, sua casa bombardeada e sofreu diversos atentados.

Mesmo com toda essa força, é curioso observar como Luther King foi desenhado pela história não como um pacificista, mas como alguém pouco radical. O boicote aos ônibus foi uma decisão radical e bem sucedida por parte do líder. Os resultados não mentem.

A experiência de Martin Luther King seria fundamental para todos nós nos dias de hoje. É preciso retomar a radicalidade política do líder norte-americano para frear acordos e propostas que atacam de maneira direta a comunidade negra e outros grupos sociais marginalizados.

Boicotar serviços públicos como de transporte são excelentes estratégias para se garantir direitos. Em 2020, será fundamental se amparar nas mais diferentes e eficazes ferramentas para frear a continuidade da retirada de mais direitos, como ocorreu no Brasil em 2019 com a Reforma da Previdência.

O capital e governos como o de Jair Bolsonaro e Donald Trump (EUA) só entendem poucas linguagens: povo na rua mobilizado ou prejuízos financeiros. Mais do que boicotes, é preciso que se articule segmentos marginalizados como a comunidade negra e a coloque nas ruas para exigir direitos. Isso, Martin Luther King fez com maestria.

No dia 28 de agosto de 1963, ele discursou para um público de 250 mil pessoas em Washington, capital estadunidense, em um dos atos que mais marcantes em toda história da luta antirracista no mundo.

“Eu tenho um sonho que um dia essa nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença. Consideramos essas verdades como auto-evidentes que todos os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que um dia, nas montanhas rubras da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes de donos de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade”, disse.

Hoje, o desejo de Martin Luther King ainda é um sonho, mesmo com o passar de décadas. A utopia, contudo, é necessária diante de um mundo cercado pela barbárie. Ela, infelizmente, não é suficiente para se construir um mundo melhor. Que a vontade de Dr. King seja o gás e o ímpeto necessário para enfrentarmos o avanço do discurso e da prática racista em todo o planeta.

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