Martha Rocha aposta em 'voto útil' na disputa pela Prefeitura do Rio

Felipe Grinberg e João Paulo Saconni
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Martha Rocha disputa prefeitura do Rio pelo PDT
Martha Rocha disputa prefeitura do Rio pelo PDT

RIO - Um dia após pesquisa Datafolha mostrar a candidata do PDT à Prefeitura do Rio, Martha Rocha, empatada numericamente, em segundo lugar, com o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), ela disse, nesta sexta-feira, considerar o voto útil “democrático”, mas descartou tentar uma aliança com outros partidos de esquerda já no primeiro turno. O levantamento também mostrou a pedetista à frente de Eduardo Paes (DEM) em eventual segundo turno, embora empatados tecnicamente dentro da margem de erro.

— A pesquisa reproduziu o que eu vinha sentindo nas ruas. Esse voto útil é democrático e também aconteceu em 2016. Teve companheiro da esquerda que o discurso do voto útil o levou para o segundo turno. É do jogo da democracia. Estou trabalhando para estar no segundo turno e confiante que sou uma via que a cidade deseja nesse momento. Temos seis candidaturas de mulheres, e isso precisa ser destacado. Tenho total respeito à candidatura da Benedita (da Silva, do PT) e da Renata Souza (PSOL) que estão no mesmo campo que eu e não farei qualquer conversa antes de chegar no segundo turno. No segundo a gente conversa — disse Martha.

Em 2016, Marcelo Freixo (PSOL) foi para o segundo turno contra Crivella, ultrapassando Pedro Paulo (DEM), que era apoiado pelo então prefeito Eduardo Paes. Na ocasião, Freixo conseguiu votos de eleitores da esquerda, desidratando as candidaturas de Jandira Fegalhi (PCdoB) e Alessandro Molon (PSB).

Martha escolheu a Zona Oeste, região que votou em peso em Crivella na última eleição, para fazer uma caminhada nesta sexta-feira. Essa foi a segunda agenda da candidata do PDT na área. Acompanhada pelo vereador Wellington Dias (PDT), que tem base eleitoral na Zona Oeste, ela esteve em Senador Vasconcelos e prometeu cuidar melhor da zeladoria da região:

— Eu me sinto em casa na Zona Oeste. Minha primeira titularidade como delegada foi aqui em 1991 — afirmou.

Segundo a pesquisa Datafolha, Paes aparece com 28%, com uma oscilação negativa de dois pontos em relação ao levantamento anterior, divulgado no último dia 8. Crivella oscilou negativamente um ponto e agora tem 13%, mesma pontuação de Martha Rocha, que oscilou positivamente três pontos, no limite da margem de erro, que é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Benedita oscilou dois pontos para cima em relação à pesquisa anterior, e agora aparece com 10%.

Paes não comenta a pesquisa

Já Eduardo Paes visitou nesta sexta-feira o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, e não quis comentar o Datafolha divulgada na véspera.

— Pesquisa eu não comento. Não vibro com pesquisa boa e nem sofro com pesquisa ruim — afirmou Paes, que diante à menção do empate entre os concorrentes completou: — Sucesso para eles. Eu quero ficar lá na frente.

Paes foi recebido pelo diretor do museu, Alexander Kellner, que conduziu o candidato por diversos espaços do prédio e mostrou o trabalho de recuperação do local, iniciado após o incêndio em setembro de 2018. Apesar de o espaço ser administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e por consequência envolver ingerência do governo federal, Paes afirmou que é preciso promover uma aproximação entre a estrutura cultural e a prefeitura. Ele também prometeu, caso eleito, reabrir o Museu Histórico da Cidade, na Gávea.