Dois jogos em dois países diferentes no mesmo dia? Ex-jogador já fez isso

·4 min de leitura
LIVERPOOL, UNITED KINGDOM - NOVEMBER 25:  Bayern Munich striker Mark Hughes pictured before a Football League Centenary Challenge match between Everton and Bayern Munich at Goodison Park on November 25, 1987 in Liverpool, England.  (Photo by Allsport/Getty Images)
Mark Hughes em sua passagem pelo Bayern (Allsport/Getty Images)

Por Leandro Tavares (@leandroptavares)

Dois jogos. Dois países diferentes. Apenas um dia.

Escolher um e abrir mão do outro parece uma decisão inevitável para qualquer jogador, certo? Não se você for Mark Hughes.

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Em 11 de novembro de 1987, o ex-atacante conseguiu algo que deixaria muita gente impressionada: disputar duas partidas em dois países diferentes. É até difícil de acreditar em algo assim na agenda de um jogador profissional, mas ele realmente fez isso. E com um intervalo de apenas seis horas.

Naquele dia, Hughes entrou em campo com a seleção de País de Gales em Praga, na antiga Tchecoslováquia, pelas Eliminatórias da Eurocopa de 1988. Pouco depois, viajou para compromisso do Bayern de Munique contra o Borussia Monchengladbach em Munique.

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Você pode estar se perguntando o porquê de ele não ter escolhido apenas um jogo. Mas, acredite, ele tinha um bom motivo para querer estar nos dois lugares quase “ao mesmo tempo”.

Hughes estava em uma encruzilhada.

Ícone do Manchester United na década de 1980, Mark Hughes se transferiu para o Barcelona em 1986, mas não teve sucesso. Ele, então, acabou emprestado ao Bayern de Munique. Na Alemanha, precisava recuperar o seu valor.

Paralelamente a isso, o País de Gales fazia campanha animadora nas Eliminatórias para a Euro. Restando apenas uma rodada, a seleção liderava a sua chave e tinha a chance de conseguir a classificação inédita para o torneio. Seria algo histórico. A última vez que os galeses haviam disputado uma competição internacional havia sido na Copa do Mundo de 1958.

Acontece que no mesmo dia do jogo que selaria o destino da seleção, o Bayern de Munique precisaria fazer um jogo “replay” contra o Monchengladbach, pela Copa da Alemanha. A sua presença em Praga era indispensável. Hughes, então, foi discutir uma possível liberação com o diretor geral do Bayern, Uli Hoeness. O resultado da conversa surpreendeu até o próprio jogador.

“Ele (Hoeness) sabia que eu estaria jogando pelo País de Gales na quarta-feira, no mesmo dia do jogo pela Copa da Alemanha”, disse Hughes em uma entrevista à BBC em 1989.

“De repente, ele perguntou: ‘que horas vai ser o jogo?’ E eu respondi: ‘Acho que às três e meia, quatro horas’. A partir desse momento, ele começou a fazer ligações e voltou à sala dizendo: ‘Acho que você pode jogar para nós na mesma noite’”, continuou.

“Eu pensei que ele estava brincando, mas obviamente ele não estava.”

Quando o dia chegou, lá estava Hughes em campo pela seleção. Com a faixa de capitão, ele atuou por 90 minutos, mas não conseguiu evitar a derrota por 2 a 0 para a Tchecoslováquia. O País de Gales acabou ficando de fora da Eurocopa porque a Dinamarca, que disputava diretamente a vaga, venceu a Finlândia no mesmo dia.

Nem deu tempo de lamentar. Quando a partida acabou, ele precisou partir direto para o aeroporto, onde um jatinho particular o aguardava para levá-lo de volta até a Alemanha.

“Tive que trocar de roupa no avião”, lembrou o galês.

Ao pousar em Munique, Bayern e Monchengladbach já estavam em campo. O atacante perdeu todo o primeiro tempo, que terminou empatado sem gols, e só ficou à disposição para a segunda etapa. Quando Hughes entrou em campo, a surpresa foi geral.

“Hoeness não havia contado a ninguém sobre o seu plano”, explicou em outra ocasião ao The Guardian. “Ninguém podia acreditar. Eu deveria estar a centenas de quilômetros de distância em Praga. Não era possível. E ninguém ficou mais surpreso que os jogadores do Borussia.”

Com Hughes em campo, o Bayern viu o adversário abrir o placar, mas reagiu com Lothar Matthaus. A equipe conseguiu a vitória por 3 a 2 na prorrogação com dois gols de Rummenigge.

Coincidência ou não, todo o esforço do clube alemão para ter o atacante em campo valeu a pena. Para Hughes, que não vivia a melhor fase da carreira, o episódio também serviu para motivá-lo.

O Bayern venceu a partida, mas Mark Hughes ganhou o dia.

“Esse episódio em particular certamente fez bem ao meu coração. Considerar que um clube se esforçou tanto para um único jogador foi bastante surpreendente. Não apenas fez o meu dia, fez a minha temporada ... e quase me convenceu a ficar por mais alguns anos”, acrescentou o atacante.

A passagem de Hughes pelo Bayern de Munique foi breve. No ano seguinte, ele retornou à Inglaterra para a sua segunda passagem pelo Manchester United. Antes de pendurar as chuteiras em 2002 pelo Blackburn Rovers, o atacante ainda vestiu as camisas de Chelsea, Everton e Southampton.

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