“Ninguém te enche o saco aqui”: Marcos Senna explica sucesso do Villarreal na Champions

Após 11 anos em campo com o Villarreal, Marcos Senna é o diretor de relações institucionais do lube (Foto: Pierre Albouy - UEFA/UEFA via Getty Images)
Após 11 anos em campo com o Villarreal, Marcos Senna é o diretor de relações institucionais do lube (Foto: Pierre Albouy - UEFA/UEFA via Getty Images)

LISBOA (PORTUGAL) - Marcos Senna se despediu do futebol em 2015, jogando pelo New York Cosmos, nos Estados Unidos.

Poderia ter retornado ao Brasil em seguida. Mas, depois de 11 temporadas com o Villarreal e até mesmo um portão batizado em sua homenagem no estádio do clube, os laços espanhóis falaram mais alto e trouxeram ele e sua família de volta para o país europeu. Hoje trabalhando como diretor de relações institucionais do Submarino Amarelo, o ex-meio-campista mora em Valencia e estará em Anfield nesta quarta-feira para o jogo de ida das semifinais da Champions League contra o Liverpool.

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É apenas a segunda vez em sua história que o time comandado por Unai Emery chega a essa fase da competição.

Da outra vez que alcançaram, em 2006, Senna estava em campo e acabou ficando pelo caminho ao parar no Arsenal.

Agora a história se repete, mas o ex-jogador de Corinthians e São Caetano está mais otimista e sonha com um lugar na decisão.

“Quando joguei, era mais difícil chegar tão longe porque o orçamento era muito menor que o atual e o time também era inferior”, conta ao Yahoo Esportes. “A gente não estava coberto em todas as linhas. Agora, não. Se não tem o goleiro titular, entra outro da mesma qualidade. O mesmo na lateral direita e nas demais posições”, acrescenta.

É claro que somente isso sozinho não explica como o Villarreal derrubou Juventus e Bayern de Munique para estar ao lado de gigantes como Liverpool, Manchester City e Real Madrid nas semifinais. Existem outros fatores que tornam essa história ainda mais especial.

Ao longo das últimas semanas, Senna ouviu um número ser repetido exaustivamente em todas as entrevistas que concedeu: 50 mil.

É esse o tamanho da população de Villarreal, algo que torna ainda mais extraordinário a façanha da equipe, que, na temporada passada, conquistou o primeiro título de sua história com a Europa League. Logo mais, em Anfield, o número de torcedores na arquibancada deverá ser ainda maior que o da cidadezinha pacata espanhola.

Nada disso é novidade para o brasileiro naturalizado espanhol, que confia que esse detalhe joga a favor da surpresa da Champions.

“Qualquer jogador que vem para aqui, tem as melhores condições. O Villarreal nunca teve problema com salário, paga em dia e você tem sempre a sensação de jogar em estádio cheio. É muito legal e nunca tem pressão. Quando você perde, ninguém vai estar te esperando para encher o saco aqui. Se tiver alguém te esperando, na verdade, é para pedir autógrafo, então, tranquilidade total para fazer o seu trabalho”, explica.

Por muito tempo, o Villarreal fez fama por sua aposta em nomes argentinos. Entre outros, Juan Román Riquelme, Martín Palermo e Juan Pablo Sorín passaram pelo clube.

O time ainda mantém a receita, mas hoje tenta fazer uma mescla maior entre reforços pinçados a dedo no mercado com atletas revelados em suas categorias de base.

Não por acaso, a despeito de seu sucesso nos últimos anos, a equipe nunca desembolsou mais do que 20 milhões de euros (R$ 106 milhões) em um jogador. A cifra foi paga pelo holandês Arnaut Danjuma, ex-atacante do Bournemouth, que tem justificado a grana com 16 gols até aqui na temporada.

“Com o orçamento que temos, poderíamos até ir mais além e fazer uma loucura ou outra, mas seria muito arriscado e não faz parte de nossa filosofia. Somos um clube com ideias muito claras e pés no chão”, afirma Senna. “Hoje, encontramos um ponto de equilíbrio em que a base passou a ser fundamental e estamos colhendo os frutos. Quando enfrentamos o Arsenal nas semifinais da Europa League no ano passado, chegamos a utilizar oito pratas da casa. Não ficamos devendo em nada para Real e Barcelona”, continua.

Campeão da Eurocopa com a seleção espanhola em 2008, o agora cartola pode, inclusive, ver no futuro outro Senna correndo com o uniforme amarelo.

“No Villarreal, em qualquer categoria que seja, a ideia é sempre a mesma, sair jogando, algo muito gostoso de ver. O meu filho Lucas tem 11 anos e chegou lá com oito. É impressionante a evolução que ele teve. Às vezes, até falo para ele como volante fazer algo diferente porque os movimentos acabam sendo quase todos automáticos. Recebe a bola, controle orientado, passe entre linhas. Eu não sou muito de pegar no pé, mas digo para dar uma canetinha, chutar de longe e passar da linha do meio-campo”, sorri.

“Mas estou muito contente com tudo, especialmente com o aprendizado que ele tem tido. Não sei onde vai chegar e nem me preocupo com isso”, conclui.