Marcos Rocha lembra da época que jogava em Alagoas: "Dormia muito porque não tinha dinheiro para comer"

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Marcos Rocha durante jogo contra o Grêmio na Libertadores (Getty Images)
Marcos Rocha durante jogo contra o Grêmio na Libertadores (Getty Images)


Por Rafael Brito (@rafaelbritom) e Josué Seixas (@josue_seixas)

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Atraso de salário, sem dinheiro para bancar moradia e até para ter comida. Ou almoçava ou jantava. Ao mesmo tempo, uma disputa de Série B. Era a vitrine para mostrar potencial. Aos 19 anos, em 2008, o lateral Marcos Rocha viveu essa realidade com a camisa do CRB. Dias complicados, na época, para o jovem mineiro que buscava um espaço no futebol.

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Ele chegou a Maceió por empréstimo do Atlético-MG. Há doze anos, os dois clubes tinham uma parceria. Em Alagoas, no novo estado, precisou segurar a barra com o aperto financeiro.

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“Eu recebia do Atlético mais ou menos um salário mínimo e o CRB pagava a moradia. O Atlético passou uma fase sem presidente e com muitas dívidas. O CRB também tinha essa dificuldade. Algumas vezes batiam na porta do apartamento onde eu morava pedindo pra que eu mudasse porque os proprietários não aguentavam mais os atrasos. Eu não contava nada para os meus pais. Tinha dia que eu dormia muito porque eu não tinha dinheiro pra comida, até que o Bruno Barros, lateral-esquerdo, chegou ao clube e começou a me ajudar com alimentação”, lembrou Marcos Rocha.

Em campo, a temporada não foi boa para o CRB. O time não chegou às finais do Campeonato Alagoano e foi rebaixado para a Série C. Por outro lado, Marcos Rocha conseguiu ter sequência de jogos. Foi um dos poucos pontos positivos daquele ano. “Foi uma experiência profissional muito boa. Lembro que cheguei pra jogar o Campeonato Alagoano e no começo eu tive muita dificuldade, ligava pro meu pai e falava que não sabia o que tava acontecendo comigo, a bola estava batendo na canela (risos). Mas com o tempo e com a chegada do treinador Roberval Davino eu consegui me destacar dentro da equipe, onde eu fiz uma boa série B”.

O começo e a volta a Alagoas

Onze anos depois, em maio, Marcos Rocha voltou ao Estádio Rei Pelé. Dessa vez, com a camisa do Palmeiras. Ele ficou entre os reservas no empate com o CSA, no primeiro turno do Brasileirão. “Foi especial essa volta. Não cheguei a jogar, então, me senti um regatiano”, brincou o lateral, que tem um outro fator que deixou o retorno a Alagoas um pouco mais especial: “Minha filha mora no estado, então Alagoas sempre estará na minha rota de vida”.

Antes do CRB, Marcos Rocha começou a carreira em Minas Gerais. Jogou no Democrata de Sete Lagoas e depois foi para a base do Atlético-MG. “Com 15 pra 16 anos de idade eu já treinava no profissional do Democrata. Lá tínhamos o preparador físico Maurício de Oliveira, irmão do técnico Marcelo de Oliveira, que naquela época treinava os juniores do Atlético/MG. Ele me indicou para um teste e fiquei mais ou menos dois meses treinando até ser contratado para a base”.

Salto na carreira

Nos onze anos até a volta ao Rei Pelé, a carreira do lateral deu um salto. Título de Libertadores, Copa do Brasil, convocação para a Seleção Brasileira... Após o CRB, voltou ao Atlético-MG e um outro empréstimo, para o América-MG, foi o ponto para se desenvolver. Foram duas temporadas, um acesso com o clube para a Série A e retorno ao Galo em 2012. “Fiquei muito feliz quando pediram minha volta. Aproveitei bem a oportunidade de vestir a camisa do América e queria mostrar que eu poderia ser um vencedor com a camisa do Atlético. Eu sabia que era a minha última chance lá e fiz o melhor da minha carreira naquele momento”.

No Atlético-MG, fez parte de uma das fases mais importantes do clube: título da Libertadores de 2013 e, em 2014, uma Copa do Brasil e uma Recopa Sul-americana. “São memórias vivas que tenho orgulho de contar aos meus amigos. Isso sem contar por jogar com grandes jogadores, como Diego Tardelli, Ronaldinho, Jô... Foi mágico vivenciar isso tudo no Galo”.

Vida no Palmeiras

Ano passado, Marcos Rocha saiu do Atlético-MG após seis temporadas seguidas no clube. O título do Brasileirão de 2018 foi o primeiro pelo Palmeiras. “Esse título e a recuperação que foi pra conseguir chegar até ele é uma grande lembrança desse meu período no clube”.

Agora, o Palmeiras voltou a acirrar a disputa pelo título do Brasileirão deste ano. Está em segundo, com 46 pontos, três a menos que o líder, o Flamengo. Já são seis jogos sem perder, com uma série de cinco vitórias consecutivas. “Estou aproveitando as oportunidades. Jogar no Palmeiras é muito especial, quero ser lembrado por ter vestido essa camisa de tanta tradição e vitoriosa. Procuro ser sempre regular e manter uma média. Passamos um momento difícil, mas que hoje estamos saindo e recuperando a confiança”.

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