Marcelo Cabo é um bom nome para o Vasco?

Nathalia Almeida
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Ao decidir por não continuar com Vanderlei Luxemburgo para a disputa da Série B de 2021, o Vasco da Gama considerou que o atual mercado de treinadores do futebol brasileiro lhe oferece alternativas melhores em relação ao veterano, de desempenho decepcionante em sua segunda passagem por São Januário. Nas redes sociais, inúmeros torcedores vascaínos elegem Fernando Diniz e Tiago Nunes como seus favoritos, mas os dois nomes têm mercado na elite nacional e estão fora da realidade financeira do clube carioca.

Em termos de camisa, tradição e relevância histórica, o Cruzmaltino é e sempre será um gigante, independentemente do número de rebaixamentos e da divisão que disputa. Contudo, o torcedor precisa entender que, HOJE, seu clube é um produto ruim: sem paz política e com problemas financeiros e administrativos acumulados, o Vasco tornou-se pouquíssimo atraente para profissionais de primeiro escalão. É uma realidade dura, mas que não se muda com feitos e glórias do passado, somente com revoluções na raiz.

Vasco amargou o quarto rebaixamento de sua história. | Bruna Prado/Getty Images
Vasco amargou o quarto rebaixamento de sua história. | Bruna Prado/Getty Images

Esse contexto é crucial para entendermos o porquê de Marcelo Cabo despontar como favorito de momento na Colina Histórica: está dentro da realidade financeira do clube, vem de um trabalho muito interessante no comando do Atlético-GO e tem experiência de Série B, competição que conquistou em 2016. Chegou ao comando do Dragão com a temporada em andamento, perdeu atletas importantes e, ainda assim, conseguiu estabelecer uma identidade de jogo, potencializando o escasso material humano que tinha à disposição.

Sua equipe não encantou e não saltou os olhos de quem assistiu suas partidas, mas foi sólido e eficiente o suficiente para conquistar uma vaga à Copa Sul-Americana, desfecho espetacular para um clube que teve de se reconstruir com o ano em curso: o Dragão perdeu o artilheiro (Renato Kayzer), seu principal articulador (Jorginho) e o técnico Vagner Mancini durante o Brasileirão. Cabo assumiu, fortaleceu o sistema defensivo rubro-negro e prosperou com um estilo de jogo reativo, que faz muito torcedor 'coçar a cabeça', mas que se provou correto para o contexto em que o time se via naquele momento.

Time de Marcelo Cabo se mostrou competitivo no segundo turno. | Buda Mendes/Getty Images
Time de Marcelo Cabo se mostrou competitivo no segundo turno. | Buda Mendes/Getty Images

O cruzmaltino tem o direito de querer que o clube, gigante que é, pense grande sempre. Mas ambições pretensiosas não dialogam com o panorama atual do Vasco. Nem sempre a decisão mais arrojada é a mais indicada para o momento, e, quando estamos falando de Série B, é natural que o pensamento seja mais pragmático. Cabo é uma opção de baixo risco e com boas credenciais recentes. Tem condições de fazer um bom trabalho se receber as ferramentas para tal.