Marcas disputam tênis de corrida mais rápido

PATRICIA PAMPLONA
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A corrida nas grandes maratonas do mundo e na preparação para a Olimpíada de Tóquio, em 2021, não se limita apenas ao asfalto. As principais marcas de tênis do mercado --Nike e Adidas, em especial-- têm batalhado cada vez mais para fornecer aos seus atletas tecnologia de ponta, que garanta performance melhores. Essa disputa já ocorre há anos, mas ganhou novos holofotes quando os patrocinados da Nike passaram a devorar recordes com protótipos da linha Vaporfly e sua sucessora, a Alphafly. Os primeiros modelos começaram a surgir na Olimpíada do Rio, em 2016. Desde então, o queniano Eliud Kipchoge conquistou feito histórico, ao correr os 42 km da maratona (em condições especiais, não reconhecidas como recorde) em menos de duas horas em 2019 com esses protótipos da Nike. Ele também cruzou a linha de chegada em Berlim, em 2018, quando quebrou o recorde da prova (2h1min39) com um par experimental da empresa nos pés. Sua conterrânea, Brigid Kosgei, calçava tênis do mesmo tipo ao conquistar a melhor marca da maratona feminina (2h14min04) em Chicago, em 2019. Eles usavam protótipos exclusivos para os atletas da Nike. Com isso, a federação internacional de atletismo, World Athletics, se viu fortemente pressionada para regulamentar melhor a questão. Havia acusações de quebra de regulamento, pois a organização determinava que os tênis "devem ser elaborados de forma que não dê aos atletas qualquer ajuda ou vantagem injusta" e que os calçados deveriam estar "razoavelmente disponível para todos". Com um texto vago, a polêmica levou a World Athletics a estabelecer novas regras, divulgadas em janeiro deste ano. A principal norma para os eventos de rua é que os calçados não podem ter mais do que 40 mm na espessura da sola e não devem conter mais do que uma placa rígida de fibra de carbono incorporada. No meio, especulava-se que os tênis usados por Kipchoge possuíam três placas do tipo. A hegemonia da empresa americana, porém, parece ter sido abalada em 2020, com duas quebras de recorde na meia maratona em que os calçados que cruzaram a linha de chegada eram de sua concorrente direta, a Adidas. A alemã lançou, no fim de junho, o Adizero Adios Pro para fazer frente ao Air Zoom Alphafly Next%. No início de setembro, a queniana Peres Jepchirchir completou a Meia Maratona de Praga em 1h05min34seg e baixou em 37 segundos o recorde da prova feminina. Cerca de um mês e meio depois, tirou 18 segundos da própria marca no Mundial de Meia Maratona em Gdynia, na Polônia. Tanto os calçados da Nike quanto os da Adidas trazem em sua tecnologia a placa de carbono, que ajuda na propulsão do atleta. Segundo o ortopedista Thiago Bittencourt, especialista em pés, ela auxilia no ciclo da pisada e funciona como uma mola. "Toda vez que se pisa no chão, o pé alterna entre dois modos, flexibilidade e rigidez. O primeiro é para absorver o impacto quando o corpo está no ar e o pé está caindo no chão. Depois, quando o corpo já jogou todo o peso no chão e esse peso já está para frente, o pé muda completamente a postura e fica rígido para transformar a força da musculatura em impulso", explica. Levantamento do The New York Times, com dados compilados desde 2014, mostram que quem usou o tênis com a tecnologia correu de 4% a 5% mais rápido do que aqueles que usaram um par mediano e de 2% a 3% mais veloz do que quem usou o que seria o segundo melhor modelo. O estudo foi realizado com dois modelos da linha Vaporfly (4% e Next%), da Nike.